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Ibovespa: cautela geopolítica e espera por Vale impedem recuperação após quedas

ResumoO Ibovespa opera em queda de 0,50% na terça-feira (21), aos 173.371,35 pontos, acumulando a quinta baixa consecutiva. A cautela geopolítica e a espera pelos dados operacionais da Vale (VALE3) impedem a recuperação do índice, que fechou a segunda-feira (20) com recuo de 0,20%.

Ibovespa fecha em baixa de 0,20% na segunda-feira (20), aos 173.371,35 pontos, acumulando quatro quedas seguidas. Nesta terça (21), a cautela geopolítica e a espera pelos dados operacionais da Vale (VALE3) impedem recuperação, com o índice operando em queda de 0,50% por volta das

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 21 de julho de 2026
Ibovespa: cautela geopolítica e espera por Vale impedem recuperação após quedas

Ibovespa: cautela geopolítica e espera por Vale impedem recuperação após quedas

O Ibovespa enfrenta cautela geopolítica e espera por dados operacionais da Vale (VALE3) que impedem recuperação após quatro quedas seguidas. Na segunda-feira (20), o índice fechou em baixa de 0,20%, aos 173.371,35 pontos. Nesta terça (21), o mercado monitora o tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros, pesquisas eleitorais e a alta do petróleo, que acende alerta para inflação global.

O Ibovespa abriu estável em 173.372,46 pontos e renovou máxima em 173.719,50 pontos (+0,20%), antes de cair. A piora coincidiu com a aceleração dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos e, consequentemente, máximas em alguns vencimentos dos juros futuros no Brasil.

Por que a cautela geopolítica trava o Ibovespa?

Preocupações com a inflação global seguem no radar, em meio à alta do petróleo, devido à falta de acordo entre EUA e Irã. Isso tende a dificultar o trabalho da política monetária mundial, inclusive no Brasil.

Leonardo Moura, CEO da Robbin, diz ter uma percepção cautelosa quanto a novos cortes de juros no Brasil. "A curva de juros está mais flat, em parte esperando a dinâmica eleitoral. A inflação não está cedendo tanto. Na ponta, vemos um varejo mais fraco e um consumo, também, com alguns dados não captando isso", afirma.

Tarifaço dos EUA e pesquisas eleitorais no foco

Nesta terça-feira (21), o mercado monitora a tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos, que entra em vigor na quarta-feira (22). O governo federal começa a ouvir os setores afetados.

Ao mesmo tempo, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que, em apenas dois meses de vigência do acordo Mercosul-União Europeia (UE), as exportações brasileiras para os europeus cresceram R$ 10 bilhões, um aumento de 26% em comparação ao mesmo período de 2025.

Para os mercados, a questão das tarifas não mexe, pois o efeito real na atividade e na balança comercial pode não ser robusto, diz João Ferreira, sócio da One. "É mais pelo noticiário em si. Além do mais, o País busca outros parceiros."

Pesquisas eleitorais e fluxo estrangeiro

Divulgada nesta terça-feira, a pesquisa Indexa mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa presidencial e, nos últimos dois meses, ampliou sua vantagem numérica contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Lula tem 41% das intenções de voto contra 30% do senador. Já na pesquisa RealTime Big Data, Lula aparece com 45% contra 42% de Flávio.

De acordo com Ferreira, da One, o tema da eleição ainda não influencia totalmente os ativos, mas isso pode acontecer mais à frente. "Lula à frente é preocupação para o mercado, por questões fiscais. A partir do mês que vem as pesquisas podem afetar", diz.

Apesar da indefinição do Ibovespa, o mês de julho tem sido marcado pela retomada da entrada de capital externo na Bolsa brasileira, com saldo positivo de R$ 2,351 bilhões na primeira quinzena. Segundo analistas, parte deve-se a uma correção e outra fração a fundamentos, como espaço para novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em agosto pelo Banco Central.

Conforme William Jackson, economista-chefe de Mercados Emergentes da Capital Economics, é plausível que haja mais fluxo estrangeiro para o Brasil no curto prazo, dado que o País é, em termos líquidos, um beneficiário de preços mais altos de energia. "Os principais riscos são se o conflito no Oriente Médio se intensificar a um ponto em que haja aversão a risco de uma maneira mais ampla, ou se houver mais medidas de estímulo pré-eleições que levantem preocupações sobre o quadro fiscal", afirma.

Minério de ferro e petróleo no radar

Em Dalian, na China, o minério de ferro fechou em baixa de 1,12%. Já o petróleo sobe cerca de 2%, com o Brent a US$ 91 o barril. Os EUA e o Irã continuam a se atacar. Nesta terça, uma autoridade iraniana iniciou reuniões com mediadores no Paquistão enquanto diplomatas tentam resgatar o acordo provisório entre os dois países.

Às 11h37 desta terça-feira, o Ibovespa cedia 0,50%, na mínima em 172.510,17 pontos. Vale (VALE3) caía 0,43% e Petrobras (PETR3; PETR4), em torno de 1%.

Perguntas Frequentes

O que impede a recuperação do Ibovespa hoje?

A cautela geopolítica diante do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros, a espera por dados operacionais da Vale (VALE3) e as pesquisas eleitorais travam o índice.

Qual a relação entre petróleo e inflação no Brasil?

A alta do petróleo, impulsionada pela falta de acordo entre EUA e Irã, acende alerta para inflação global, o que dificulta cortes de juros pelo Banco Central.

Como as pesquisas eleitorais afetam o mercado?

Lula à frente é preocupação para o mercado por questões fiscais. Segundo analistas, o impacto pode aumentar à medida que os candidatos forem definidos oficialmente.

O fluxo estrangeiro na B3 continua positivo?

Sim. O saldo positivo foi de R$ 2,351 bilhões na primeira quinzena de julho, impulsionado por correção e expectativa de novo corte de 0,25 ponto na Selic.

O que esperar do tarifaço dos EUA sobre o Brasil?

A tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros entra em vigor na quarta-feira (22). O governo ouve os setores afetados, mas analistas veem efeito mais no noticiário que na atividade.

impactos do tarifaço dos EUA no Brasil fluxo estrangeiro na B3 e perspectivas

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