# Gestora brasileira transforma crise imobiliária em aposta de US$ 790 milhões em Miami

> O Grupo Leste, em joint venture com a Opportunity, investiu US$ 790 milhões em Miami Beach após a crise da incorporadora JDS. O projeto de US$ 1,1 bilhão no endereço 1250 West Avenue será lançado durante a Art Basel, aproveitando a desvalorização imobiliária local para uma aposta de alto valor.

*Global Forum · Investimentos · 24 de julho de 2026 · Marcelo Iorio*

Joint venture do Grupo Leste com Opportunity investe US$ 790 milhões em Miami Beach após crise da incorporadora JDS. Projeto de US$ 1,1 bilhão no endereço 1250 West Avenue será lançado na Art Basel. Entenda como a gestora brasileira aproveitou a oportunidade e o que isso signific

## Gestora brasileira transforma crise imobiliária em aposta de US$ 790 milhões em Miami

A joint venture do Grupo Leste com o Opportunity, o Lore Development Group (LDG), vai investir cerca de US$ 790 milhões em um novo empreendimento imobiliário em Miami Beach. Localizado no endereço 1250 West Avenue, o projeto residencial terá Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em US$ 1,1 bilhão e será lançado oficialmente em novembro, durante a Art Basel, principal feira de arte contemporânea da cidade. O empreendimento leva a assinatura do arquiteto brasileiro Marcio Kogan.

## Como a crise da JDS abriu caminho para a aposta brasileira

O terreno que agora pertence ao LDG pertencia ao JDS Development Group, do incorporador americano Michael Stern. Ele se enrolou com garantias dadas a um outro empreendimento, também em Miami, que seria o primeiro branded residence da Mercedes-Benz nos Estados Unidos. Sem recursos para honrar empréstimos que somam US$ 750 milhões, Stern passou a ser cobrado em US$ 100 milhões pela americana Cottonwood, gestora de private equity imobiliário que adquiriu parte da dívida originalmente detida pelo Maxim Credit Group.

Sufocada por credores, a JDS então teve que se desfazer dos planos na 250 West Ave. "Ele estava no processo de adquirir as unidades existentes, mas, por causa desses problemas, teve que se desfazer do projeto antes de adquirir todas elas", explica Stephan de Sabrit, managing partner do Grupo Leste. "Onde havia um problema, nós vimos uma oportunidade única de ingressar em um projeto bacana por um preço muito bom e finalizar o projeto". A LDG aproveitou parte das licenças obtidas pela JDS.

## O projeto e o cronograma

No local, atualmente, há um prédio de 30 andares, e 238 unidades de apartamentos, que será derrubado. Serão 30 meses de obras a partir do lançamento oficial, no fim do ano. O investimento conta com a parceria do Grupo Terra. "Nossa marca é a localização e o projeto", diz de Sabrit.

## Quem é o Grupo Leste e como ele opera

O Grupo Leste tem mais de R$ 4,5 bilhões no portfólio. A gestora de ativos alternativos fundada pelo executivo Emmanuel Hermann, que tem sede em Miami, atua em duas principais frentes: real estate e private equity. "Queremos ser vistos como uma originadora de bons negócios", diz Guilherme Loiacono, sócio e diretor comercial do Grupo Leste. "Apesar do DNA brasileiro, somos percebidos como uma gestora americana". Hoje, um terço do capital alocado em seus fundos vem de investidores latino-americanos. O restante é americano.

A gestora também investe em empresas de tecnologia em estágio avançado de desenvolvimento, próximas da abertura de capital. Entre as apostas do portfólio estão a OpenAI, criadora do ChatGPT, e a Prometheus, startup de inteligência artificial cofundada por Jeff Bezos e Vik Bajaj. O Grupo Leste também manteve uma participação na SpaceX, vendida durante o IPO da companhia, concluído neste ano e que movimentou cerca de US$ 86 bilhões.

## O que o investidor precisa saber sobre riscos

Para o pequeno e médio empresário que acompanha o mercado imobiliário, a operação ilustra como uma crise pode gerar oportunidades, mas também carrega riscos. O projeto depende da demanda por unidades de alto padrão em Miami, mercado conhecido por ciclos de volatilidade. A localização no 1250 West Avenue é um dos principais ativos, mas a execução da obra em 30 meses e a capacidade de atrair compradores durante o lançamento na Art Basel são fatores críticos.

Além disso, a dependência de capital americano (dois terços dos fundos vêm dos EUA) expõe a gestora a oscilações cambiais e de juros. O Grupo Leste aposta nas coincidências do mercado: a sede da gestora, em Miami, terá como vizinho o family office de Sergey Brin, cofundador do Google. Se a proximidade renderá negócios, ainda é cedo para dizer.

## Como a gestora se posiciona no mercado

O Grupo Leste se apresenta como originadora de bons negócios, com DNA brasileiro mas percepção americana. A joint venture com o Opportunity reforça essa estratégia. Para o investidor brasileiro, a operação mostra que é possível acessar o mercado imobiliário de Miami através de gestoras locais, mas é essencial avaliar o histórico da equipe e a estrutura de capital de cada projeto.

## Perguntas Frequentes

### O Grupo Leste é confiável para investir?

O Grupo Leste tem mais de R$ 4,5 bilhões no portfólio e atua em real estate e private equity. A gestora tem sede em Miami e capital de investidores americanos e latino-americanos.

### Qual o valor total do projeto em Miami?

O VGV estimado é de US$ 1,1 bilhão, com investimento de US$ 790 milhões pela LDG em parceria com o Grupo Terra.

### Quando o empreendimento será lançado?

O lançamento oficial ocorrerá em novembro, durante a Art Basel, com obras previstas para 30 meses.

### Quem é o arquiteto do projeto?

O projeto é assinado pelo arquiteto brasileiro Marcio Kogan.

### Como a crise da JDS beneficiou a gestora?

A JDS, sufocada por dívidas de US$ 750 milhões, teve que se desfazer do terreno. A LDG aproveitou as licenças já obtidas e adquiriu o ativo por um preço considerado vantajoso.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/gestora-brasileira-transformou-crise-imobiliaria-aposta-us-790-milhoes-miami/
