Gestora americana vê vários cortes de juros no Brasil
A gestora americana Global X avalia que as ações brasileiras estão descontadas e vê no ciclo de cortes de juros um dos principais argumentos para investir no país. A casa cita múltiplos baixos e histórico favorável do MSCI Brazil.
A gestora americana Global X avalia que as ações brasileiras estão descontadas e enxerga no ciclo de cortes de juros, que deu mais um passo na quarta-feira (16) com a queda da Selic para 13,75%, um dos principais argumentos para investir no país. A casa destaca os múltiplos baixos e, apesar dos dados de atividade econômica mais fracos divulgados recentemente, aponta perspectivas sólidas de crescimento.
Com juro real próximo de 10%, o ciclo de afrouxamento iniciado em março representou "o primeiro do que acreditamos que serão vários cortes de juros", pontuou a gestora em relatório publicado nesta semana, assinado pelos estrategistas Malcolm Dorson e Trevor Yates.
O que o histórico de ciclos de corte mostra
A Global X destaca que, nos últimos sete ciclos de corte de juros concluídos no país, o MSCI Brazil, calculado em dólar, subiu em quatro e caiu em três. Nos períodos de alta, a valorização acumulada foi em média de cerca de 96%, enquanto as quedas acumuladas ficaram em média em cerca de 14,5%. O histórico, portanto, indica um upside mais favorável.
A casa também cita a relação inversa entre a moeda americana e as ações brasileiras. Em análise de 26 anos de dados, a gestora calcula que o MSCI Brazil subiu, em média, cerca de 3,2% para cada 1% de queda do índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas.
Fluxo estrangeiro e fatores estruturais
A avaliação vem após um ensaio de retomada do apetite do investidor estrangeiro pela Bolsa brasileira. Após resgate líquido de mais de R$ 18 bilhões em agosto, os estrangeiros foram compradores líquidos de R$ 5,4 bilhões na primeira semana de setembro.
Entre os demais pontos favoráveis, a Global X lista a exposição da economia brasileira a energia, materiais e agronegócio, e afirma que o Brasil está "relativamente isolado" das tensões geopolíticas mundiais. Sobre as eleições, lembra que as pesquisas sugerem uma corrida acirrada, e que o evento tem potencial de mexer com o mercado. "O pêndulo político da América Latina continua a oscilar", ressalta.
O levantamento com dados da Economatica mostra, no entanto, que nove das treze pagadoras acima do CDI destruíram capital do investidor nos últimos 12 meses. A evolução da rentabilidade em prazos de até cinco anos indica que as letras de crédito lideram no primeiro ano, mas perdem para o CDB a partir do segundo.