FIIs podem estar no fim de ciclo de oportunidade, diz analista
Para Rodrigo Medeiros, da Research DesmistificandoFIIs, os juros reais elevados seguem pressionando as cotas, mas os fundamentos operacionais dos fundos imobiliários continuam sólidos. Entenda o que essa assimetria significa para o investidor.
O mercado de fundos imobiliários pode estar se aproximando do fim de um ciclo de oportunidade. A leitura é de Rodrigo Medeiros, fundador da Research DesmistificandoFIIs, para quem o nível dos juros reais é hoje o fator determinante para entender tanto os preços das cotas quanto as perspectivas da indústria.
Na visão do analista, os fundamentos operacionais dos principais segmentos permanecem sólidos, o que cria uma assimetria que pode favorecer o investidor no médio e longo prazo. O principal obstáculo a uma valorização mais consistente é o patamar dos juros reais. Medeiros destaca que a NTN-B de prazo superior a dez anos permanece acima de 7% há praticamente dois anos, algo que classifica como historicamente elevado.
"Recentemente, já tem alguns meses, eu fiz um estudo sobre o nível que nós estamos da taxa de juros futuros, a NTN-B de um pouco mais de 10 anos. Ela acima de 7% há praticamente dois anos. Isso é um patamar histórico", afirmou no Liga de FIIs. Ele lembra que o título só atingiu esse nível em momentos pontuais, como na primeira eleição de Lula e nas crises do subprime e do impeachment de Dilma, mas sempre por pouco tempo. "Não tem como tanto tempo de uma NTN-B tão esticada não afetar a renda variável como um todo", disse.
O que os fundamentos mostram
Medeiros separa o preço das cotas na bolsa da qualidade operacional dos fundos. Enquanto as cotações seguem pressionadas, os indicadores de segmentos como escritórios, shoppings e logística mostram recuperação. "Você vê o setor de escritórios, de repente, num dos melhores momentos deles desde a pandemia, com bastante ocupação, você vê o setor de shopping também num dos melhores momentos desde a pandemia. Setor logística nem se fala", comenta. A demanda por imóveis logísticos permanece forte, e os indicadores do segmento continuam positivos.
O que pode mudar o cenário
A tese do analista parte da possibilidade de que uma inflação mais comportada e uma melhora fiscal abram espaço para uma queda mais rápida da Selic. Se isso ocorrer, o efeito chegaria à curva de juros futuros e, depois, às cotas. "Qualquer mínima queda maior de inflação, como nós devemos ter em agosto agora divulgado essa semana, e qualquer mínimo controle fiscal do governo, o Banco Central pode usar isso para acelerar muito forte uma queda na Selic. E aí, isso evidentemente geraria uma empolgação e uma valorização das cotas", afirmou.
A ressalva para quem está entrando agora é não apostar apenas na valorização das cotas. Medeiros recomenda olhar primeiro para a renda gerada pelos ativos e para o preço pago por essa renda. "O meu conselho para o investidor é: não compre, não invista esperando a valorização das cotas. Invista sabendo que você está comprando muita renda, muito barato", disse. Para ele, os fundos seguem operacionalmente bem, apesar da crise de juros, e a oportunidade está justamente nessa diferença entre o que o mercado precifica e o que os ativos entregam. "Eu vejo muita oportunidade nesse sentido e acredito verdadeiramente que nós possamos estar no finzinho de um ciclo de oportunidade", concluiu.