Fiagro VGIA11 desaba 25% após inadimplência; entenda o caso
As cotas do Fiagro VGIA11, da Valora Investimentos, acumulam queda de 24,8% desde segunda-feira (20) após inadimplência da Cooperativa Languiru em um CRA. A gestora classifica a reação do mercado como irracional e afirma que as garantias superam a exposição do fundo.
Se você investe em Fiagros ou está de olho nessa classe de ativos, o caso do VGIA11 acendeu um alerta. As cotas do fundo Valora CRA (VGIA11), da Valora Investimentos, acumulam uma perda de 24,8% desde segunda-feira (20), só na terça a queda foi de 11,23%, e nesta quarta a perda já alcança cerca de 10%. O motivo: a Cooperativa Languiru, do Rio Grande do Sul, deixou de pagar em 9 de julho uma parcela de juros de um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) no valor de R$ 198.990.
Resposta direta: o que aconteceu com o VGIA11? O Fiagro VGIA11 desabou 24,8% desde segunda-feira (20) após a Cooperativa Languiru deixar de pagar uma parcela de juros de R$ 198.990 de um CRA. A exposição do fundo à cooperativa é de 12% do patrimônio (R$ 120 milhões). A gestora Valora afirma que as garantias reais superam 100% da posição e que o não pagamento representa 0,05% do patrimônio.
Por que o VGIA11 caiu tanto?
A queda começou com a notícia de que a Cooperativa Languiru não pagou os juros de um CRA em 9 de julho. O VGIA11, um dos maiores Fiagros negociados no mercado, com R$ 1,024 bilhão de patrimônio, possui três CRAs emitidos pela Languiru. Somados, eles representam cerca de 12% do patrimônio do fundo, ou R$ 120 milhões.
A Languiru já havia passado por dificuldades e renegociado suas dívidas, reforçando as garantias aos credores. Mas, além de deixar de pagar a parcela deste mês, a cooperativa passou a questionar a validade da cessão de recebíveis relacionados a um contrato com a JBS.
O que a Languiru fez para se proteger?
Em 11 de junho, a Languiru conseguiu uma decisão favorável em primeira instância de um juiz da comarca de Teutônia, no Rio Grande do Sul. A decisão a protege de execuções e estabelece um "concurso singular de credores", o que permitiu à empresa deixar de pagar os juros dos CRAs.
Qual a posição da Valora Investimentos?
A gestora do fundo rejeita o questionamento da Languiru sobre a validade da cessão de recebíveis. Em relatório gerencial, a Valora reforça que as operações contam com "todas as garantias originalmente constituídas (alienação fiduciária de máquinas equipamentos, penhor de grãos e avais), bem como as adicionadas no contexto da sua reestruturação por meio do acordo (hipotecas de imóveis e cessão fiduciária adicional de recebíveis de empresas de primeira linha)".
"Entendemos que estas garantias são suficientes para fazer frente ao montante total da exposição do fundo e não estão sujeitas a outras condições relacionadas aos demais credores da Cooperativa", disse a Valora.
A gestora fala em reação "irracional"
A Valora informou que é importante que os investidores entendam o caso para não serem prejudicados por um "ambiente irracional" do mercado secundário de cotas "no qual nos parece haver alguma assimetria de informação". Segundo a gestora, por mais que o fundo tenha uma elevada exposição de cerca de 12%, a operação conta com garantias reais que superam os 100% da posição do fundo.
A gestora observa também que a parcela que não foi paga de juros representa 0,05% em relação ao patrimônio da carteira e "isso não deveria afetar a distribuição dos dividendos".
"Até o momento não entendemos que este evento trará impacto no fundo considerando as garantias e avançar estratégico/jurídico que já ocorreram durante a renegociação", afirmou a Valora em nota.
O que dizem a OPEA Securitizadora e o BTG Pactual?
A OPEA Securitizadora, emissora dos CRAs da Languiru, informou em nota que "seguirá adotando as medidas cabíveis, na forma do Termo de Securitização, sem renúncia de qualquer direito".
Já o BTG Pactual, administrador do fundo, respondeu a uma solicitação de esclarecimentos da B3. Em comunicado, disse que "em relação ao questionamento apresentado, informamos que não identificamos fatos ou eventos relacionados ao Fundo que possam ter impactado as oscilações observadas".
Como proteger seu investimento em Fiagros?
Casos como o do VGIA11 mostram que, mesmo com garantias, o mercado secundário de cotas pode ser volátil. A primeira lição é entender a composição da carteira do fundo antes de investir. Veja quantos CRAs estão concentrados em um mesmo emissor ou setor. No caso do VGIA11, a exposição de 12% a um único emissor foi suficiente para derrubar as cotas em 25%.
A segunda lição: acompanhe os relatórios gerenciais. A Valora, por exemplo, divulga detalhes sobre as garantias e as medidas jurídicas adotadas. Se você não tem tempo para isso, considere fundos com carteiras mais diversificadas.
Por fim, lembre-se de que a inadimplência de um CRA não significa necessariamente perda definitiva. As garantias podem ser executadas, e o processo pode levar meses ou anos. A decisão de vender ou manter as cotas depende da sua tolerância ao risco e do seu horizonte de investimento.
Perguntas Frequentes
O que é um Fiagro?
Fiagro é a sigla para Fundo de Investimento do Agronegócio. Ele funciona como um fundo imobiliário, mas investe em ativos do setor agropecuário, como CRAs, terras e debêntures.
O que é um CRA?
CRA é o Certificado de Recebível do Agronegócio, um título de crédito lastreado em recebíveis do setor. Quando uma empresa emissora não paga, o fundo pode sofrer perdas.
A queda do VGIA11 já acabou?
Não é possível afirmar. A cotação pode continuar oscilando conforme novas informações sobre a Languiru e o andamento do processo judicial surgirem.
Devo vender minhas cotas do VGIA11?
A decisão é pessoal. A gestora afirma que as garantias cobrem a exposição, mas o mercado está reagindo com aversão ao risco. Avalie seu perfil e consulte um assessor.
O que fazer se eu investir em Fiagros?
Acompanhe os relatórios gerenciais, diversifique seus investimentos e entenda os riscos de concentração em um único emissor ou setor.