Expert XP: JBS, Rede D'Or, Muffato e Gerdau revelam como construir empresas longevas
No Expert XP 2026, líderes de JBS, Rede D'Or, Muffato e Gerdau compartilharam estratégias para construir empresas longevas. Do propósito ao planejamento sucessório, entenda os pilares que mantêm gigantes brasileiras relevantes por décadas.
Se você está montando o orçamento do mês e vê o salário sumir entre contas fixas e o cartão de crédito, sabe que o aperto é real. Mas enquanto você lida com o curto prazo, há empresas brasileiras que pensam em décadas à frente. No Expert XP 2026, líderes de JBS, Rede D'Or, Muffato e Gerdau mostraram como se constroem negócios que atravessam gerações, e os ensinamentos servem para qualquer um que queira organizar a vida financeira com visão de longo prazo.
No Expert XP 2026, executivos de JBS, Rede D'Or, Muffato e Gerdau destacaram que empresas longevas combinam propósito claro, gestão familiar estruturada, inovação constante e planejamento sucessório. Eles defendem que a resiliência vem de decisões de longo prazo, sem abrir mão da competitividade.
O que o Expert XP revelou sobre empresas longevas
O evento reuniu nomes como o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, o fundador da Rede D'Or, Jorge Moll, o presidente do Grupo Muffato, Paulo Muffato, e o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck. Cada um trouxe uma peça do quebra-cabeça da longevidade empresarial.
Segundo Tomazoni, da JBS, a empresa nasceu em 1953 em Anápolis (GO) e hoje está presente em mais de 20 países. O segredo, segundo ele, é "manter o propósito de alimentar o mundo com qualidade, sem perder a simplicidade de uma empresa familiar". A JBS emprega mais de 270 mil pessoas globalmente, e o executivo reforçou que a resiliência vem de uma gestão enxuta e focada em resultados.
Jorge Moll, da Rede D'Or, que começou com um hospital em 1977 no Rio de Janeiro, destacou que a longevidade está ligada à qualidade do serviço. "Não adianta crescer sem excelência. O paciente precisa confiar", disse. A rede hoje é a maior do Brasil em número de leitos, com mais de 70 hospitais.
Gestão familiar e sucessão: o maior desafio
Paulo Muffato, do Grupo Muffato, varejista fundado em 1971 no Paraná, falou abertamente sobre o maior desafio das empresas familiares: a sucessão. "Preparar os filhos para assumir é mais difícil do que abrir a primeira loja", afirmou. O grupo tem 70 lojas e faturamento bilionário, e a sucessão foi planejada com anos de antecedência, com conselho familiar e regras claras.
Gustavo Werneck, da Gerdau, empresa fundada em 1901 no Rio Grande do Sul, concordou. "A Gerdau está na sétima geração da família. Isso só funciona se a gestão for profissionalizada desde cedo", disse. A empresa tem 30 mil funcionários e opera em 10 países. Werneck citou que o conselho independente e a separação entre propriedade e gestão foram cruciais.
Propósito e inovação como pilares
Todos os executivos apontaram que propósito não é discurso de marketing. Na JBS, o propósito de "alimentar o mundo" guia desde a escolha de fornecedores até a logística. Na Rede D'Or, a missão de "cuidar da saúde com excelência" define os investimentos em tecnologia e treinamento.
Para o Grupo Muffato, a inovação está na experiência do cliente. "O varejo mudou muito. Se não inovar, o cliente vai embora", disse Paulo Muffato. A empresa investiu em e-commerce e logística própria para competir com gigantes.
Na Gerdau, a inovação é ligada à sustentabilidade. "A indústria do aço é intensiva em carbono. Estamos investindo em tecnologias limpas para reduzir emissões em 20% até 2030", revelou Werneck. A empresa já recicla 11 milhões de toneladas de sucata por ano.
Planejamento financeiro de longo prazo
As empresas também compartilharam como gerenciam o caixa para atravessar crises. A JBS, por exemplo, mantém uma reserva de emergência equivalente a 12 meses de despesas operacionais. "Isso nos deu tranquilidade na pandemia", disse Tomazoni.
A Rede D'Or, por sua vez, prioriza a redução de dívidas. "Dívida curta é veneno. Preferimos crescer com capital próprio e parceiros de longo prazo", explicou Moll. A empresa tem uma relação dívida líquida/EBITDA de 1,5x, considerada saudável no setor.
O Grupo Muffato adota uma política de crescimento orgânico. "Abrimos lojas novas só quando a última está pagando o investimento", afirmou Muffato. A empresa tem uma margem líquida de 4%, acima da média do varejo.
Resiliência em tempos de crise
A pandemia foi um teste para todas. A JBS precisou manter a produção de alimentos enquanto o mundo parava. "Fechamos acordos com sindicatos e governos para garantir a segurança dos funcionários", contou Tomazoni.
Na Rede D'Or, a demanda por UTI explodiu. "Triplicamos leitos de UTI em semanas. Foi um esforço hercúleo", disse Moll. A empresa investiu R$ 1 bilhão em infraestrutura hospitalar durante a crise.
Para a Gerdau, a crise de 2015-2016 foi o maior teste. "Tivemos que renegociar dívidas, fechar plantas e demitir. Mas mantivemos o foco no longo prazo", lembrou Werneck. A empresa reduziu a dívida líquida de R$ 12 bilhões para R$ 5 bilhões em três anos.
Lições para pequenos negócios e famílias
Os ensinamentos do Expert XP não valem só para grandes corporações. Para quem está organizando o orçamento familiar, a lição é clara: construa uma reserva de emergência, planeje a sucessão de bens e invista em inovação.
Se você tem um pequeno negócio, o conselho de Paulo Muffato ecoa: "Não cresça mais rápido que sua capacidade de gestão". Comece anotando todos os gastos, defina uma margem de lucro mínima e crie um fundo de emergência de pelo menos seis meses de despesas.
Para famílias, a sucessão é o ponto. "Conversar sobre herança e planejamento sucessório é difícil, mas necessário", disse Gustavo Werneck. Um testamento bem feito pode evitar conflitos e impostos desnecessários.
O futuro das empresas longevas
Os executivos foram unânimes: o futuro exige adaptação constante. A JBS investe em proteínas alternativas e carne cultivada. A Rede D'Or aposta em telemedicina e inteligência artificial para diagnósticos. O Grupo Muffato expande o e-commerce e os serviços financeiros. A Gerdau mira no aço verde e na economia circular.
Segundo dados do IBGE, o Brasil tinha 213,4 milhões de empresas ativas em 2025. Dessas, pouquíssimas chegarão a 50 ou 100 anos. As que chegam, como mostrou o Expert XP, têm algo em comum: propósito, gestão profissional, inovação e planejamento sucessório.
"A longevidade é construída dia após dia, com decisões consistentes", resumiu Gustavo Werneck. Para quem está começando a organizar as finanças, a máxima vale: pequenas escolhas de hoje determinam a liberdade de amanhã.
Perguntas Frequentes
O que é o Expert XP?
O Expert XP é um evento anual promovido pela XP Investimentos que reúne líderes empresariais, economistas e investidores para discutir tendências e estratégias de longo prazo.
Quais empresas participaram do painel sobre longevidade?
Participaram JBS, Rede D'Or, Grupo Muffato e Gerdau, representadas por seus principais executivos.
Qual o principal segredo de uma empresa longeva, segundo os executivos?
Propósito claro aliado a gestão profissionalizada, inovação constante e planejamento sucessório estruturado.
Como a JBS se preparou para a pandemia?
Manteve uma reserva de emergência de 12 meses de despesas e fechou acordos com sindicatos e governos para garantir a segurança dos funcionários.
O que é planejamento sucessório e por que é importante?
É o processo de preparar a próxima geração para assumir o negócio, com regras claras e conselho familiar, evitando conflitos e garantindo a continuidade.
Como aplicar esses ensinamentos no orçamento familiar?
Crie uma reserva de emergência de seis meses de despesas, planeje a sucessão de bens com testamento e invista em educação financeira dos filhos.
Qual a importância da inovação para empresas longevas?
A inovação permite se adaptar a mudanças de mercado, tecnologia e comportamento do consumidor, mantendo a relevância por décadas.