# ETF irlandês volta ao radar com juro em alta nos EUA

> ETF irlandês (UCITS) volta ao radar do investidor brasileiro com juros do Tesouro americano em patamar de quase duas décadas. A estrutura europeia evita retenção de 30% sobre dividendos, gerando ganho potencial de US$ 7.560 adicionais em sete anos. A vantagem fiscal torna o ETF irlandês alternativa competitiva frente a equivalentes dos EUA.

*Global Forum · Investimentos · 07 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

Com juros do Tesouro americano em patamares de quase duas décadas, ETFs europeus (UCITS) voltam ao radar do investidor brasileiro. Eles evitam retenção de 30% e podem render US$ 7.560 a mais em 7 anos.

Os juros dos títulos do Tesouro americano estão nos maiores patamares em quase duas décadas e reabriram uma janela para o investidor brasileiro diversificar em dólar. Nesse cenário, ganham destaque os ETFs europeus, os UCITS, normalmente domiciliados na Irlanda ou em Luxemburgo. Conhecidos como ETFs irlandeses, eles oferecem vantagens operacionais e fiscais em relação aos fundos listados nos Estados Unidos.

A principal vantagem está no tratamento dos juros semestrais pagos pelos Treasuries. Nos ETFs europeus de acumulação, esses valores são reinvestidos no próprio fundo, sem distribuição ao cotista. Isso evita a retenção de imposto na fonte nos EUA e deixa o dinheiro rendendo ao longo dos anos.

O tema ganha relevância em um momento de forte pressão sobre a renda fixa americana. A guerra entre Estados Unidos e Irã, com o Estreito de Ormuz sem previsão de reabertura, mantém o petróleo em alta e reacende o temor com a inflação. As dúvidas sobre a trajetória fiscal e o volume de emissões pressionam os vencimentos mais longos. Para conter a escalada, o Tesouro americano dobrou em agosto o tamanho de suas recompras de títulos longos, e o Federal Reserve mantém a porta aberta para uma nova alta de juros.

## Ganho extra em 7 anos

Simulação da XP Investimentos mostra que, em uma aplicação de US$ 100 mil por sete anos, um ETF UCITS de títulos públicos americanos entregaria um ganho adicional de US$ 7.560 em relação a um ETF americano de característica equivalente. O valor corresponde a cerca de 7,5% durante a série histórica do ETF americano, ou perto de 1% ao ano. A projeção compara os rendimentos do IB01 (UCITS) e do SHV (EUA), que investem em títulos do Tesouro americano com vencimento de até 1 ano.

A diferença está nas regras que regem os ETFs de renda fixa americanos, que precisam distribuir os rendimentos, sobre os quais incide imposto na fonte de 30%. O investidor estrangeiro é isento da cobrança, mas as instituições financeiras retêm o valor de todos os cotistas, e o não residente só recupera o dinheiro se pedir restituição. Os ETFs irlandeses ficam fora dessa engrenagem porque podem simplesmente não distribuir e reaplicar os valores no próprio fundo, aumentando o potencial dos juros compostos.

## Proteção patrimonial e Estate Tax

Outro ponto favorável aos fundos europeus é o imposto sobre herança americano, o Estate Tax, que incide sobre ativos situados nos Estados Unidos acima de US$ 60 mil e pode variar de 18% a 40% em caso de morte do titular, explica Clara Sodré, analista de fundos da XP Investimentos. A cobrança não alcança o investimento direto em Treasuries, mas atinge os ETFs de renda fixa listados nos EUA. Os UCITS ficam de fora porque têm domicílio fiscal fora do país, na Irlanda ou em Luxemburgo, jurisdições com acordos fiscais com o governo americano.

Segundo Sodré, os ETFs vêm ganhando atenção como porta de entrada para o investimento internacional, e os fundos europeus se destacam por dispensarem o processo de recuperação do imposto retido nos EUA. Mesmo com o Brasil entre os países de juros reais mais altos do mundo, ela defende que o investidor mantenha ao menos 15% da carteira em ativos globais. A alocação pode ser feita no mercado local, com BDRs e ETFs que replicam índices internacionais, ou com remessa de recursos ao exterior.

## Onde mirar na curva

Depois de um longo período de juros baixos, as taxas se normalizaram. Os papéis de 10 anos pagam ao redor de 4,7% ao ano e os de 30 anos, 5,2%. Mesmo os títulos corrigidos pela inflação, os TIPS, oferecem juro real de 2,4% em 10 anos e 2,98% em 30 anos. Para Marcelo Cabral, gestor da Stratton Capital, a relação mais equilibrada entre risco e retorno está hoje no miolo da curva, entre dois e cinco anos, trecho em que o investidor captura rendimento mais alto com menor volatilidade. Já Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, enxerga a oportunidade um pouco mais adiante, nos vencimentos próximos de 10 anos, que oferecem bom retorno nominal e real para os padrões americanos.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/etf-irlandes-promete-ganho-extra-volta-ao-radar-juro-alta-eua/
