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Ações de bancos: eleição e desaceleração no fim de 2026

ResumoAções de bancos brasileiros enfrentam pressão no fim de 2026 com a proximidade da eleição e a desaceleração econômica. Investidores monitoram juros e crédito, enquanto casas de análise cortam projeções para 2027. O foco do mercado deixou de ser apenas o resultado eleitoral e passou a ser a capacidade dos bancos de sustentar lucro.

Investidores antecipam efeitos da eleição sobre juros e crédito enquanto casas de análise cortam projeções para 2027. O debate deixou de ser só o resultado eleitoral e passou a ser a capacidade dos bancos de sustentar lucro.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 17 de setembro de 2026
Ações de bancos: eleição e desaceleração no fim de 2026

As ações dos bancos brasileiros caminham para encerrar 2026 em um cenário de duas forças opostas: a antecipação dos efeitos das eleições presidenciais sobre juros, crédito e atividade, e a revisão para baixo das projeções para 2027 por casas de análise, citando desaceleração econômica, menor estímulo fiscal e crescimento mais moderado das carteiras de crédito.

O desempenho dos papéis até dezembro deve depender menos dos resultados trimestrais e mais da evolução das expectativas para 2027. Se o mercado enxergar maior responsabilidade fiscal após as eleições, a tendência é de fechamento dos juros longos e melhora das perspectivas para crédito e atividade, beneficiando bancos expostos ao ciclo doméstico, como Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3). Se prevalecer a percepção de desaceleração com inflação resistente, os investidores tendem a privilegiar instituições diversificadas e negócios ligados ao mercado de capitais, como BTG Pactual (BPAC11), B3 (B3SA3) e XP (BDR: XPBR31).

O que mudou nas revisões do setor

O movimento ocorre após forte recuperação de parte do setor na Bolsa, especialmente em nomes sensíveis à disputa eleitoral, como Banco do Brasil (BBAS3), cuja ação passou a refletir também expectativas sobre governança a partir de 2027. Relatórios de Pedro Leduc e equipe, do Itaú BBA, e de Marcelo Mizrahi, do Bradesco BBI, apontam que o debate central deixou de ser apenas o resultado eleitoral e passou a ser a capacidade dos bancos de sustentar crescimento dos lucros em ambiente menos favorável.

O Itaú BBA manteve visão benigna para a qualidade do crédito no curto prazo, sustentada por mercado de trabalho resiliente e estímulos fiscais ainda presentes, mas considera o quadro de 2027 mais incerto. Entre os fatores de preocupação estão a desaceleração do PIB, a redução do suporte fiscal e possíveis pressões inflacionárias da alta recente do petróleo e de commodities agrícolas. O banco reduziu estimativas para praticamente toda a cobertura.

Os cortes mais expressivos recaíram sobre Nubank (BDR: ROXO34), com projeção de lucro para 2027 reduzida em 8%, Agibank (-16%) e Banrisul (BRSR6) (-25%). A recomendação de Nubank caiu de Outperform (acima da média, equivalente à compra) para Market Perform (em linha com a média, equivalente à neutra), por menor potencial de crescimento. O principal vencedor da revisão é o Bradesco (BBDC4), único grande banco com recomendação Outperform entre os cobertos, com projeção de lucro de R$ 32,5 bilhões em 2027, alta de 14% na comparação anual. O braço de seguros responde por mais de 40% dos lucros do grupo.

Banco do Brasil: desconto e incerteza

No caso do Banco do Brasil (BBAS3), a ação negocia a múltiplos historicamente descontados, mas as incertezas se concentram na carteira de agronegócio e na deterioração de alguns segmentos do varejo. A inadimplência acima de 90 dias entre pessoas físicas atingiu 8,41%, e o atraso no cartão de crédito chegou a 14,6%. Ainda assim, o Itaú BBA elevou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 23 por ação e projetou lucro de R$ 25,6 bilhões em 2027.

Como estatal, o papel tende a reagir com mais intensidade a mudanças de percepção sobre a política econômica e o papel das empresas controladas pela União, dinâmica que lembra outros ciclos eleitorais, quando os papéis incorporaram cenários de governança e direcionamento estratégico.

O que sustenta a cautela com a inadimplência

Tanto o Itaú BBA quanto o Bradesco BBI argumentam que o mercado pode estar exagerando os riscos imediatos. Para o Itaú BBA, parte da deterioração dos indicadores agregados decorre de mudanças regulatórias no reconhecimento de créditos inadimplentes e do aumento da participação de bancos digitais e fintechs no sistema. Os grandes bancos tradicionais seguem com comportamento de crédito superior à média.

O Bradesco BBI reforça a visão ao analisar programas de crédito garantidos pelo governo para pequenas e médias empresas. Os fundos FGI e FGO já sustentaram mais de R$ 650 bilhões em concessões desde a pandemia, permitindo expansão do crédito sem deterioração relevante da qualidade dos ativos. Embora o fim da Medida Provisória 1.355 deva desacelerar as concessões a partir do quarto trimestre, não há sinais de que a inadimplência ultrapasse os mecanismos de proteção previstos.

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