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Construtoras caem em julho: quais ações são atrativas na B3?

ResumoDirecional S.A. registrou queda de 17% em julho, liderando as perdas do Ibovespa, enquanto Cury S.A. recuou 12,62%. A correção recente gerou oportunidades de compra entre construtoras focadas em baixa renda, segundo bancos. Os múltiplos dessas empresas tornaram-se mais atrativos, com preferência por papéis de maior liquidez e execução comprovada. A análise setorial indica potencial de valorização após o ajuste de preços.

Direcional cai 17% em julho e lidera perdas do Ibovespa. Cury recua 12,62%. Para bancos, correção criou oportunidades entre construtoras de baixa renda. Veja os múltiplos e as preferências.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 31 de julho de 2026
Construtoras caem em julho: quais ações são atrativas na B3?

Construtoras caem em julho na B3: correção vira oportunidade? Veja as ações preferidas dos bancos

As ações de construtoras amargam as maiores quedas do Ibovespa em julho, pressionadas por preocupações com crédito imobiliário, desaceleração nas vendas e receios sobre o crescimento do setor. No acumulado até o dia 30, Direcional (DIRR3) caía 17%, a maior baixa do índice no mês, enquanto Cury (CURY3) perdia 12,62%, a terceira maior queda. Para analistas, porém, a correção abriu espaço para oportunidades, sobretudo entre empresas focadas no Minha Casa Minha Vida (MCMV), com a inflação dando sinais de alívio e reforçando apostas de queda da Selic.

Queda de 15% nas prévias do 2T: o que preocupa o mercado?

Segundo o Itaú BBA, as ações das construtoras de baixa renda caíram cerca de 15% desde a divulgação das prévias operacionais do segundo trimestre. O movimento reflete dúvidas dos investidores sobre a sustentabilidade do ritmo de vendas e os impactos de eventuais restrições de crédito.

Apesar disso, o banco manteve visão positiva para o segmento, destacando que os papéis negociam a múltiplos considerados atrativos. Entre os destaques estão Tenda (TEND3), negociada a 5,5 vezes o lucro estimado para 2026; Cury (CURY3), a 7 vezes; e Direcional (DIRR3), a 6 vezes.

Bradesco BBI: queda excessiva, papéis 40% abaixo das máximas

O Bradesco BBI também apontou que a queda das ações do setor pareceu excessiva, especialmente entre as construtoras de baixa renda. Segundo o banco, os papéis do segmento passaram a negociar cerca de 40% abaixo das máximas recentes e próximos das mínimas de 52 semanas, apesar de fundamentos relativamente saudáveis.

A frustração dos investidores com as vendas do segundo trimestre não justificaria o tamanho da correção. A casa destaca que o aumento dos preços médios dos imóveis vendidos deve compensar parte da desaceleração de volumes, enquanto ruídos eleitorais e incertezas geopolíticas ampliaram a pressão sobre as ações.

Múltiplos em 4 vezes o lucro: o menor patamar em 12 meses

Como resultado, as empresas de baixa renda passaram a negociar, em média, a apenas quatro vezes o lucro projetado, um dos menores patamares dos últimos 12 meses. A principal preferência é Cury (CURY3), seguida por Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3).

Caixa promete R$ 260 bilhões em crédito imobiliário em 2026

O Itaú BBA viu sua avaliação ganhar força após reunião com executivos da Caixa Econômica Federal, principal financiadora do mercado habitacional brasileiro. A Caixa reiterou a intenção de ampliar a carteira de crédito imobiliário em 2026, com foco no Minha Casa Minha Vida. A instituição projeta conceder R$ 260 bilhões em financiamentos habitacionais neste ano, acima dos R$ 246 bilhões registrados em 2025.

A Caixa também sinalizou que não pretende restringir a oferta de crédito ao segmento popular e afirmou que a inadimplência permanece sob controle. O diretor de Habitação da instituição defendeu possíveis melhorias no MCMV, incluindo discussões sobre redução dos juros das faixas 3 e 4 do programa.

IPCA-15 em 0,06%: alívio inflacionário favorece setor

Do lado macroeconômico, o cenário começou a jogar a favor das incorporadoras. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, desacelerou para 0,06% em julho, abaixo das expectativas do mercado e no menor nível para o mês em três anos. O resultado reforçou apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de afrouxamento monetário.

Safra: fundamentos sólidos, com preferência para Direcional

Em relatório recente, o Safra argumenta que a desaceleração da inflação tende a beneficiar as construtoras, tanto por reduzir a pressão sobre custos de construção quanto por aumentar as chances de queda dos juros. O banco avalia que o movimento melhora a acessibilidade ao crédito imobiliário e favorece a demanda por imóveis, sobretudo no segmento de baixa renda.

Apesar das preocupações trazidas pelas prévias, o Safra considera os fundamentos do setor sólidos. Entre as preferidas estão Direcional (DIRR3), principal escolha, Cury (CURY3) e Tenda (TEND3), companhias com forte exposição ao Minha Casa Minha Vida. O programa, segundo o banco, continua oferecendo elevada acessibilidade para compradores e menor sensibilidade às taxas de juros quando comparado aos segmentos de média e alta renda.

Perguntas Frequentes

Por que as ações de construtoras caíram em julho?

As ações caíram por preocupações com crédito imobiliário, desaceleração nas vendas e receios sobre o crescimento do setor, refletidos nas prévias operacionais do segundo trimestre.

Quais são as ações de construtoras mais recomendadas pelos bancos?

Itaú BBA, Bradesco BBI e Safra preferem Cury (CURY3), Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3), com destaque para Direcional como principal escolha do Safra.

A queda das ações é considerada excessiva?

Bradesco BBI avalia que a queda foi excessiva, com papéis 40% abaixo das máximas recentes, apesar de fundamentos relativamente saudáveis.

Como a inflação e a Selic influenciam as construtoras?

A desaceleração da inflação, como o IPCA-15 de 0,06% em julho, reforça apostas de queda da Selic, o que reduz custos de construção e melhora a acessibilidade ao crédito imobiliário.

Qual o papel da Caixa no setor imobiliário?

A Caixa projeta conceder R$ 260 bilhões em financiamentos habitacionais em 2026, com foco no Minha Casa Minha Vida, e não pretende restringir crédito ao segmento popular.

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