# Ações de saúde 2T26: apostas de JPMorgan e Morgan Stanley

> JPMorgan e Morgan Stanley projetam cenários distintos para as ações de saúde no 2T26. JPMorgan identifica oportunidades seletivas em subsegmentos com fundamentos fortes, enquanto Morgan Stanley prevê um trimestre misto, mas resiliente, com riscos concentrados em margens e demanda. As apostas principais incluem empresas com fluxo de caixa robusto e inovação em pipeline. O setor enfrenta pressões regulatórias e custos operacionais, exigindo cautela na seleção de ativos.

*Global Forum · Investimentos · 03 de agosto de 2026 · Helena Drumond*

JPMorgan e Morgan Stanley traçam cenários para a temporada de resultados do 2T26 do setor de saúde. Enquanto o JPMorgan vê oportunidades seletivas, o Morgan Stanley espera um trimestre misto, porém resiliente. Conheça as principais apostas e riscos.

## BradSaúde, Hypera e RD: as apostas do mercado em ações de saúde para temporada do 2T

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) do setor de saúde chega com dois cenários distintos. O JPMorgan vê oportunidades seletivas, enquanto o Morgan Stanley espera um trimestre misto, porém resiliente, com diferenças relevantes na qualidade dos resultados.

**O que esperar das ações de saúde no 2T26?**

A equipe do JPMorgan liderada por Joseph Giordano elegeu BradSaúde (SAUD3) e Hypera (HYPE3) como principais apostas, com cautela para Rede D'Or (RDOR3) e Blau (BLAU3). O trimestre deve ter ruídos por causa da Copa do Mundo e do calendário, reduzindo a ocupação hospitalar. Isso é negativo para operadoras de hospitais, mas positivo para seguradoras, com melhora da sinistralidade (MLR).

## O cenário estrutural do setor de saúde

Apesar dos ruídos, o JPMorgan considera o cenário estrutural favorável para empresas de maior escala. O retorno sobre patrimônio (ROE) da indústria chegou a 16,1% em 2025, acima da média pré-pandemia de 10,5% e da taxa Selic. Isso foi impulsionado pela normalização da frequência de uso dos planos, políticas de subscrição mais rígidas, reajustes de preços, maior coparticipação, combate a fraudes e melhor gestão de sinistros.

## Morgan Stanley: trimestre resiliente, mas com diferenças

O Morgan Stanley espera um trimestre resiliente para a maioria das companhias. Entre as operadoras, a SulAmérica, da Rede D'Or, deve manter sinistralidade favorável e rentabilidade sólida, mesmo com desaceleração no crescimento de beneficiários. A Hapvida (HAPV3) pode apresentar EBITDA e lucro líquido acima do consenso, mas principalmente por controle rígido de sinistros, não por redução estrutural da judicialização.

## Prestadores de serviços e farmacêuticas

Para os prestadores, o trimestre deve ser mais fraco para a operação hospitalar da Rede D'Or, com menor ocupação. Procedimentos de alta complexidade e oncologia devem sustentar receita e margens. O Fleury (FLRY3) deve entregar resultados sólidos, enquanto a Dasa (DASA3) deve manter crescimento em Diagnósticos e melhorar o caixa. No varejo farmacêutico, a RD Saúde (RADL3) é o principal ponto positivo, impulsionada por vendas de GLP-1 e eficiência operacional.

## BradSaúde: a principal escolha do JPMorgan

O JPMorgan mantém recomendação de overweight (compra) e preço-alvo de R$ 19 para dezembro de 2026. A empresa é a principal escolha do banco. Como ainda não divulgou balanço consolidado, há grande dispersão nas estimativas. O banco acredita que um lucro próximo de R$ 1 bilhão será bem recebido. A estimativa é de receita de R$ 11,6 bilhões, lucro líquido de R$ 1,08 bilhão e lucro por ação de R$ 0,37. O primeiro balanço auditado deve aumentar a confiança.

## Rede D'Or: trimestre fraco esperado

Apesar de recomendação de compra e preço-alvo de R$ 48, o JPMorgan espera um trimestre fraco para a Rede D'Or. O banco projeta receita 2% abaixo do consenso, EBITDA 3% inferior e lucro por ação 6% menor. A Copa do Mundo e o calendário devem ter reduzido a ocupação hospitalar. Parte das más notícias pode já estar refletida nas ações, que caíram cerca de 5% em relação ao Ibovespa em três meses.

## SulAmérica: desaceleração com rentabilidade

O Morgan Stanley estima adição líquida de cerca de 4 mil beneficiários no trimestre e 144 mil em 12 meses. A sinistralidade caixa (cash MLR) deve cair para 79%, melhora de 2,3 pontos percentuais. A margem EBITDA deve subir para 7,2%, de 4,9% no ano anterior.

## Hypera e o catalisador da semaglutida

A Hypera segue entre as preferidas do JPMorgan, com benefícios da otimização de canais de distribuição. As projeções estão em linha com o consenso para receita e EBITDA, mas 4% acima para lucro. Com a aprovação da Anvisa para a semaglutida, o lançamento comercial é o principal catalisador. Atualizações sobre cronograma, distribuição ou demanda podem impulsionar as ações.

## Fleury e Hapvida: cenários distintos

O JPMorgan espera um bom trimestre para o Fleury, com crescimento de receita e lucro por ação. Mas as ações negociam com prêmio elevado, e o potencial de fusões e aquisições está esgotado. O Morgan Stanley estima EBITDA de R$ 587 milhões, margem de 26,2% e lucro líquido de R$ 195 milhões, alta de 81%.

Para a Hapvida, o JPMorgan vê incertezas, com EBITDA 15% abaixo do consenso. O Morgan Stanley projeta queda de 31 mil beneficiários, compensada por aumento de 7% no tíquete médio, com receita de R$ 8 bilhões. A sinistralidade estimada é de 74,3%, com EBITDA ajustado de R$ 621 milhões e lucro líquido de R$ 33 milhões, mais que o dobro do consenso.

## Blau: trimestre fraco, mas com eficiência

O JPMorgan considera que as iniciativas de eficiência começam a produzir resultados. As estimativas apontam EBITDA 2% acima e lucro por ação 6% superior. Os temas principais são recuperação de margens, melhora da ocupação hospitalar e ganhos operacionais. A baixa liquidez das ações deve limitar o interesse dos investidores.

## Perguntas Frequentes

### Qual a principal aposta do JPMorgan para o 2T26?

A BradSaúde (SAUD3) é a principal escolha do JPMorgan, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19 para dezembro de 2026.

### O que esperar da Rede D'Or no segundo trimestre?

O JPMorgan espera um trimestre fraco, com receita 2% abaixo do consenso e impacto da Copa do Mundo na ocupação hospitalar.

### Qual o papel da semaglutida para a Hypera?

Com a aprovação da Anvisa, o lançamento comercial da semaglutida é o principal catalisador de curto prazo para a Hypera.

### Como o Morgan Stanley vê a SulAmérica?

O banco espera desaceleração no crescimento, mas com rentabilidade saudável, com sinistralidade caindo para 79% e margem EBITDA subindo para 7,2%.

### O que esperar da Hapvida no 2T26?

O Morgan Stanley projeta EBITDA ajustado de R$ 621 milhões, 4% acima do consenso, com sinistralidade de 74,3%.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/bradsaude-hypera-rd-apostas-mercado-acoes-saude-temporada-2t/
