# Governança rende 224% a mais na América Latina, diz Morgan

> Governança corporativa na América Latina: estudo do Morgan Stanley com 183 companhias latino-americanas aponta que empresas com melhores práticas superaram as mais frágeis em 224% desde 2010. O Brasil lidera o ranking regional de governança, mas a concentração de controle acionário permanece o principal obstáculo ao avanço das práticas no mercado latino-americano.

*Global Forum · Investimentos · 14 de setembro de 2026 · Marcelo Iorio*

Estudo do Morgan Stanley sobre 183 companhias latino-americanas mostra que as melhores práticas de governança superaram as mais frágeis em 224% desde 2010. Brasil lidera o ranking regional, mas concentração de controle segue como principal obstáculo.

Companhias latino-americanas com melhores práticas de governança corporativa entregaram retornos muito superiores aos de empresas com estruturas mais frágeis nos últimos 15 anos. É o que aponta estudo do Morgan Stanley sobre 183 empresas da região, que classificou as companhias por qualidade de governança.

O quartil superior superou o inferior em 224% desde 2010, em índices ponderados por valor de mercado. Na metodologia de pesos iguais, a diferença caiu para 145%, ainda expressiva. O banco resume: "vale a pena ser bem governado" na América Latina.

## Brasil lidera, mas controle concentrado trava

O Brasil aparece como principal referência regional em governança. As empresas brasileiras tiveram as melhores pontuações tanto em critérios ponderados por valor de mercado quanto em pesos iguais. Parte do desempenho vem da evolução regulatória local e do Novo Mercado da B3, que elevou padrões de proteção ao acionista minoritário e de transparência.

O "sinal de governança" rendeu mais às brasileiras: as mais bem avaliadas superaram as piores em cerca de 159% desde 2009. Para os estrategistas, o país segue como mercado mais avançado da região, mesmo com reformas mais amplas perdendo intensidade.

O gargalo regional mudou de lugar. Não está mais nas estruturas de ações com direitos políticos diferentes, e sim na concentração do controle societário. O item "controle acionário" recebeu a pior avaliação da região, com aproximadamente um terço das empresas na nota mínima. Cerca de 72% obtiveram nota máxima em "uma ação, um voto".

O free float também pesa: a média global é de 82%, enquanto na América Latina alcança apenas 56%, reduzindo a influência dos minoritários. A carteira de preferências latino-americanas do banco cita B3, Vale, Mercado Livre e Grupo Financiero Banorte. como funciona o Novo Mercado da B3

## Governança também aparece no operacional

A relação não se limita ao preço da ação. Empresas mais bem avaliadas em governança apresentaram crescimento de receita superior ao das piores classificadas no período. E negociaram com múltiplos mais atrativos: o quartil superior a cerca de 10,7 vezes lucro, contra aproximadamente 12,4 vezes do quartil inferior.

Na leitura do Morgan Stanley, isso sugere que boas práticas reduzem risco e também podem contribuir para maior crescimento, menor custo de capital e geração superior de valor ao acionista. o que é free float e por que ele importa

---

Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/boas-praticas-governanca-renderam-224-mais-america-latina-diz-morgan/
