Crédito privado 2026: gestores revelam onde investir com segurança
Em meio a juros altos e cautela, gestores de grandes gestoras traçam o mapa da mina do crédito privado em 2026. Oportunidades em empresas sem rating, FIDCs e infraestrutura regional prometem retornos de 1% a 2% ao ano acima da média, mas a palavra de ordem é seletividade.
Onde investir em crédito privado em 2026: o mapa dos gestores
Investir em crédito privado em 2026 exige mais do que seguir o fluxo. Com juros altos no Brasil e no exterior, o cenário macroeconômico é desafiador, mas gestores de grandes casas veem boas chances de ganhos, desde que com seletividade e cautela. A gente separa o que dizem os especialistas para ajudar você a decidir.
O crédito privado em 2026 oferece retornos de 1% a 2% ao ano acima da média, segundo gestores. As oportunidades estão em empresas sem rating, com boa gestão e caixa, em FIDCs e em infraestrutura regional. A cautela e a seletividade são essenciais para evitar riscos, como os 40 casos de default desde 2023.
Oportunidades em empresas sem rating e FIDCs
Marcelo Urbano, gestor da XP Asset, aponta que há muitas oportunidades em empresas que não têm rating ou têm rating menor, mas que contam com boa gestão e caixa. "Às vezes é melhor o papel de uma empresa boa em um setor não tão bom do que o de uma empresa mal gerida em um setor bom", afirma. Ele também cita os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) como instrumentos flexíveis e com boa governança.
Seletividade e cautela: a receita para 2026
Jean Pierre Cote Gil, gestor da Vinland Crédito, defende que o momento atual exige cautela pelo ambiente macro mais difícil, com a economia sob efeitos da política monetária apertada e do ciclo eleitoral. A seletividade é necessária porque há muito mais opções para investir em crédito. "Temos empresas de boa qualidade ainda pagando spreads de crédito alto e empresas de risco de crédito intermediário apanhando, mas que podem ser interessantes em determinadas estruturas", explica.
Como reduzir riscos na carteira
Alexandre Muller, diretor de investimentos da Leto Capital, diz que, para reduzir riscos, a gestora procura empresas que estão no balanço dos bancos e que devem migrar para o mercado de capitais, empresas que já passaram pelo crivo das análises das instituições financeiras. Ele observa que o potencial de crescimento do crédito privado no Brasil é grande: nos Estados Unidos, para cada dólar emprestado pelos bancos para empresas, há quatro vindos do mercado de capitais.
Retorno extra de 1% a 2% ao ano
O retorno maior é um atrativo adicional, segundo Cote Gil. "O crédito oferece um retorno de 1% a 2% ao ano a mais pelo prêmio de liquidez, pelo desconhecimento da empresa pelo mercado e pelo tempo de análise, e isso se transforma em prêmio para os fundos que investem em crédito", diz.
Ganhos em momentos de desconfiança
Muller, da Leto, conta que a gestora tem capturado ganhos adicionais em momentos de desconfiança do mercado, como nos casos de inadimplência da Aegea e da Cosan. "Os spreads pagos pelos papéis de outras empresas desses setores subiram e conseguimos ganhos mais altos", diz. Outra fonte de ganhos é a economia real: a Leto está abrindo uma plataforma no Nordeste para oferecer crédito para empresas menores.
Lições do passado: como evitar defaults
Cote Gil lembra que a experiência dos últimos anos foi importante para os gestores. Desde o caso Americanas, em 2023, houve 40 outros casos de default que atingiram pessoas físicas. Isso ensinou os gestores a lidar melhor com esses casos, como a necessidade de organizar grupos grandes de credores para negociar com as empresas. Mas a prioridade, diz, é evitar o risco: "A gestão de crédito no Brasil é mais evitar problemas, porque a resolução desses casos é baixa e demorada". Entre os cuidados, ele cita análises mais profundas das empresas, incluindo a avaliação dos executivos da futura devedora.
Onde cada gestor está colocando o dinheiro
- Leto Capital (Muller): prefere empresas dominantes em seus setores, securitização via FIDCs e empresas de infraestrutura regionais, além de ETFs, "que logo devem fazer parte do mundo de crédito".
- XP Asset (Urbano): foca em empresas high yield (que pagam juros maiores), de porte médio, que não estão no mercado de capitais e pagam boas taxas para sair dos bancos. Também olha para crédito estruturado (FIDCs).
- Vinland Crédito (Cote Gil): foco em fundos de menor risco, de grandes empresas, no topo da pirâmide, buscando mais crédito estruturado e o setor de infraestrutura, que hoje inclui agronegócio e telecomunicações em pequenas cidades.
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Perguntas Frequentes
O que é crédito privado?
É um investimento em títulos emitidos por empresas (como debêntures) ou em fundos que compram esses títulos (como FIDCs), com retorno potencial maior que o de títulos públicos.
Quanto posso ganhar a mais com crédito privado?
Segundo gestores, o crédito privado pode oferecer de 1% a 2% ao ano a mais que outros investimentos de renda fixa, pelo prêmio de liquidez e pelo risco.
Quais os riscos do crédito privado?
O principal risco é o default da empresa emissora. Desde 2023, houve 40 casos de default que atingiram pessoas físicas, segundo gestores.
Como escolher um fundo de crédito privado?
Gestores recomendam analisar a qualidade da gestão, o foco do fundo (high yield ou investment grade) e a diversificação setorial e regional.
O que são FIDCs?
Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, que compram recebíveis de empresas. São instrumentos flexíveis e com boa governança, segundo a XP Asset.
Qual o melhor tipo de crédito privado para 2026?
Depende do perfil de risco. Para menor risco, fundos de grandes empresas e infraestrutura. Para maior retorno, empresas high yield de porte médio.