# Crédito privado 2026: gestores revelam onde investir com segurança

> Gestores de crédito privado indicam para 2026 investimentos em empresas sem rating, FIDCs e infraestrutura regional. A seletividade é a palavra de ordem em meio a juros altos. Essas oportunidades prometem retornos de 1% a 2% ao ano acima da média do mercado, exigindo cautela na escolha dos ativos.

*Global Forum · Investimentos · 30 de julho de 2026 · Helena Drumond*

Em meio a juros altos e cautela, gestores de grandes gestoras traçam o mapa da mina do crédito privado em 2026. Oportunidades em empresas sem rating, FIDCs e infraestrutura regional prometem retornos de 1% a 2% ao ano acima da média, mas a palavra de ordem é seletividade.

## Onde investir em crédito privado em 2026: o mapa dos gestores

Investir em crédito privado em 2026 exige mais do que seguir o fluxo. Com juros altos no Brasil e no exterior, o cenário macroeconômico é desafiador, mas gestores de grandes casas veem boas chances de ganhos, desde que com seletividade e cautela. A gente separa o que dizem os especialistas para ajudar você a decidir.

O crédito privado em 2026 oferece retornos de 1% a 2% ao ano acima da média, segundo gestores. As oportunidades estão em empresas sem rating, com boa gestão e caixa, em FIDCs e em infraestrutura regional. A cautela e a seletividade são essenciais para evitar riscos, como os 40 casos de default desde 2023.

### Oportunidades em empresas sem rating e FIDCs

Marcelo Urbano, gestor da XP Asset, aponta que há muitas oportunidades em empresas que não têm rating ou têm rating menor, mas que contam com boa gestão e caixa. "Às vezes é melhor o papel de uma empresa boa em um setor não tão bom do que o de uma empresa mal gerida em um setor bom", afirma. Ele também cita os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) como instrumentos flexíveis e com boa governança.

### Seletividade e cautela: a receita para 2026

Jean Pierre Cote Gil, gestor da Vinland Crédito, defende que o momento atual exige cautela pelo ambiente macro mais difícil, com a economia sob efeitos da política monetária apertada e do ciclo eleitoral. A seletividade é necessária porque há muito mais opções para investir em crédito. "Temos empresas de boa qualidade ainda pagando spreads de crédito alto e empresas de risco de crédito intermediário apanhando, mas que podem ser interessantes em determinadas estruturas", explica.

### Como reduzir riscos na carteira

Alexandre Muller, diretor de investimentos da Leto Capital, diz que, para reduzir riscos, a gestora procura empresas que estão no balanço dos bancos e que devem migrar para o mercado de capitais, empresas que já passaram pelo crivo das análises das instituições financeiras. Ele observa que o potencial de crescimento do crédito privado no Brasil é grande: nos Estados Unidos, para cada dólar emprestado pelos bancos para empresas, há quatro vindos do mercado de capitais.

### Retorno extra de 1% a 2% ao ano

O retorno maior é um atrativo adicional, segundo Cote Gil. "O crédito oferece um retorno de 1% a 2% ao ano a mais pelo prêmio de liquidez, pelo desconhecimento da empresa pelo mercado e pelo tempo de análise, e isso se transforma em prêmio para os fundos que investem em crédito", diz.

### Ganhos em momentos de desconfiança

Muller, da Leto, conta que a gestora tem capturado ganhos adicionais em momentos de desconfiança do mercado, como nos casos de inadimplência da Aegea e da Cosan. "Os spreads pagos pelos papéis de outras empresas desses setores subiram e conseguimos ganhos mais altos", diz. Outra fonte de ganhos é a economia real: a Leto está abrindo uma plataforma no Nordeste para oferecer crédito para empresas menores.

### Lições do passado: como evitar defaults

Cote Gil lembra que a experiência dos últimos anos foi importante para os gestores. Desde o caso Americanas, em 2023, houve 40 outros casos de default que atingiram pessoas físicas. Isso ensinou os gestores a lidar melhor com esses casos, como a necessidade de organizar grupos grandes de credores para negociar com as empresas. Mas a prioridade, diz, é evitar o risco: "A gestão de crédito no Brasil é mais evitar problemas, porque a resolução desses casos é baixa e demorada". Entre os cuidados, ele cita análises mais profundas das empresas, incluindo a avaliação dos executivos da futura devedora.

### Onde cada gestor está colocando o dinheiro

- Leto Capital (Muller): prefere empresas dominantes em seus setores, securitização via FIDCs e empresas de infraestrutura regionais, além de ETFs, "que logo devem fazer parte do mundo de crédito".
- XP Asset (Urbano): foca em empresas high yield (que pagam juros maiores), de porte médio, que não estão no mercado de capitais e pagam boas taxas para sair dos bancos. Também olha para crédito estruturado (FIDCs).
- Vinland Crédito (Cote Gil): foco em fundos de menor risco, de grandes empresas, no topo da pirâmide, buscando mais crédito estruturado e o setor de infraestrutura, que hoje inclui agronegócio e telecomunicações em pequenas cidades.

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## Perguntas Frequentes

### O que é crédito privado?

É um investimento em títulos emitidos por empresas (como debêntures) ou em fundos que compram esses títulos (como FIDCs), com retorno potencial maior que o de títulos públicos.

### Quanto posso ganhar a mais com crédito privado?

Segundo gestores, o crédito privado pode oferecer de 1% a 2% ao ano a mais que outros investimentos de renda fixa, pelo prêmio de liquidez e pelo risco.

### Quais os riscos do crédito privado?

O principal risco é o default da empresa emissora. Desde 2023, houve 40 casos de default que atingiram pessoas físicas, segundo gestores.

### Como escolher um fundo de crédito privado?

Gestores recomendam analisar a qualidade da gestão, o foco do fundo (high yield ou investment grade) e a diversificação setorial e regional.

### O que são FIDCs?

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, que compram recebíveis de empresas. São instrumentos flexíveis e com boa governança, segundo a XP Asset.

### Qual o melhor tipo de crédito privado para 2026?

Depende do perfil de risco. Para menor risco, fundos de grandes empresas e infraestrutura. Para maior retorno, empresas high yield de porte médio.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/boa-gestao-caixa-retorno-gestores-tracam-mapa-mina-credito-privado-2026/
