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Apple: após alta de mais de 24% em 2026, balanço pode impactar rali?

ResumoApple acumula alta de 24% em 2026 e vive o melhor mês em quatro anos. O balanço da empresa, divulgado nesta quinta-feira, pode lembrar investidores sobre desafios como custos com memória e margens apertadas, potencialmente interrompendo o rali das ações.

A Apple acumula alta de 24% em 2026 e vive seu melhor mês em quatro anos. Mas o balanço da empresa, que será divulgado nesta quinta-feira, pode lembrar os investidores dos desafios que a companhia ainda enfrenta, como custos com memória e margens apertadas.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 30 de julho de 2026
Apple: após alta de mais de 24% em 2026, balanço pode impactar rali?

Apple: após alta de mais de 24% em 2026, balanço pode impactar rali?

A Apple acumula alta de 24% em 2026, com ações vivendo forte rali de 17% em julho. O balanço será divulgado após o fechamento do mercado nesta quinta-feira. Apesar do desempenho, analistas alertam para riscos como custos com memória, margens em queda e avaliação elevada, negociada a 35 vezes o lucro projetado.

O rali impressionante da Apple em 2026

As ações da Apple vivem um forte rali, acumulando alta de 17% em julho e caminhando para registrar seu melhor mês em quatro anos. Em 2026, os papéis avançam 24%, de longe o melhor desempenho entre as gigantes de tecnologia conhecidas como Magnificent Seven.

A empresa também retomou o posto de companhia mais valiosa do mundo, com valor de mercado acima de US$ 5 trilhões em diversos momentos nos últimos dois dias, juntando-se à Nvidia como as únicas empresas a superar esse patamar.

Por que a Apple virou porto seguro?

Grande parte dessa valorização decorre do papel da Apple como porto seguro em períodos de volatilidade no setor de tecnologia. Enquanto investidores se mostram cada vez mais céticos em relação às empresas que gastam centenas de bilhões de dólares em IA, ações das chamadas hyperscalers, que constroem enormes centros de dados para computação em nuvem, além de fabricantes de chips e memórias, vêm sofrendo pressão.

A Apple ficou praticamente à margem da corrida armamentista da IA. Há um ano, a empresa era criticada justamente por isso, e suas ações tiveram desempenho inferior em 2025. Agora, essa mesma característica se tornou uma inesperada fonte de força para o papel.

O que dizem os analistas?

"O desempenho superior durante essa rotação surpreendeu mais do que qualquer um imaginava, especialmente porque memória é o principal tema na mente dos investidores", afirmou Dan Morgan, gestor sênior de portfólio da Synovus Trust. "O fato de a ação estar indo tão bem apesar disso é algo difícil de explicar."

"Todo mundo está falando da operação Apple, que muitos chamam de aposta anti-capex em IA", disse Gerald Sparrow, diretor de investimentos do Sparrow Growth Fund, fundo que detém ações da companhia.

"Parece que os investidores estão sendo empurrados para a Apple porque estão decepcionados com as alternativas dentro do setor de tecnologia", afirmou Peter Andersen, diretor de investimentos da Andersen Capital Management. "Certamente não é porque os fundamentos da empresa melhoraram significativamente."

Os riscos no horizonte

A expectativa é que a Apple registre crescimento de 18% no lucro líquido e de 16% na receita no terceiro trimestre fiscal encerrado em 30 de junho. No entanto, as projeções indicam que o ritmo de expansão deve desacelerar para um dígito nos próximos trimestres. Além disso, a margem operacional da companhia vem diminuindo e pode entrar em território negativo até o final de 2026.

Uma das principais preocupações é o impacto dos gastos globais com IA sobre os custos. Um índice de preços à vista de memórias DRAM já acumula alta superior a 840% desde o fim de agosto. Segundo a consultoria IDC, a memória representa entre 10% e 20% do custo de fabricação de um smartphone.

Recentemente, a Apple elevou os preços de diversos produtos, mas manteve os valores dos iPhones inalterados. Os custos de memória devem ser um dos temas centrais da divulgação de resultados, que será a última sob o comando de Tim Cook antes do lançamento do iPhone dobrável, previsto para setembro.

Avaliação elevada e alerta histórico

Atualmente, os papéis são negociados a cerca de 35 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, o maior múltiplo desde janeiro de 2008. "Tudo precisaria dar absolutamente certo para a Apple sustentar essa avaliação, e qualquer tropeço na teleconferência de resultados poderia derrubar a ação", afirmou Andersen.

Segundo o analista William Power, da Baird, toda vez que a Apple alcançou um novo marco de US$ 1 trilhão em valor de mercado, suas ações tiveram desempenho inferior ao do S&P 500 nos períodos subsequentes de seis e 12 meses.

O maior risco: a volta do apetite por IA

O maior risco para a ação pode não estar nos números da companhia, mas na continuidade da rotação dos investidores para longe das apostas ligadas à IA. "A Apple se beneficiou muito dessa rotação dentro do setor de tecnologia, e é razoável pensar que, se o pêndulo voltar para o lado da IA, ela poderá ficar bastante vulnerável", disse Morgan, da Synovus Trust. "A menos que os resultados superem claramente as expectativas, o papel pode sofrer uma correção significativa."

Perguntas Frequentes

Quando a Apple divulga seu balanço?

O balanço será divulgado após o fechamento do mercado nesta quinta-feira.

Qual a alta das ações da Apple em 2026?

As ações acumulam alta de 24% em 2026, com 17% apenas em julho.

Por que a Apple virou porto seguro?

Porque ficou à margem da corrida de gastos com IA, atraindo investidores que buscam proteção em meio à volatilidade do setor.

Quais são os principais riscos para a ação?

Custos com memória, margens em queda, avaliação elevada (35 vezes o lucro) e a possibilidade de o mercado voltar a favorecer empresas de IA.

O que pode derrubar o rali da Apple?

Um balanço fraco, aumento de custos ou a retomada do apetite por ações ligadas à inteligência artificial.

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