Nunca nada tão óbvio esteve tão barato: alocação em IA por Appel, da Adam
Em meio ao ceticismo do mercado, o gestor da Adam Asset afirma que a inteligência artificial nunca esteve tão barata e tão óbvia. Entenda os setores, os riscos e como posicionar a carteira para capturar essa oportunidade.
Você olha para o noticiário e vê pessimismo. Juros altos nos EUA, valuation comprimido, correção de tecnologia. Mas é exatamente nesse cenário que o gestor da Adam Asset, Appel, solta uma frase que virou manchete: "Nunca nada tão óbvio esteve tão barato". A frase, dita em evento recente, reflete a tese de que a inteligência artificial (IA) está mais acessível para quem entende do jogo. E não se trata de hype, é valuation com lastro.
O gestor da Adam Asset, Appel, afirma que a inteligência artificial oferece uma rara combinação de clareza estratégica e preço baixo. Para ele, setores como semicondutores, data centers e software de automação estão descontados, apesar do forte crescimento estrutural. A tese é focada em empresas com receita real de IA, não em promessas futuras.
O que Appel, da Adam Asset, quer dizer com "óbvio e barato"
A frase ecoa um princípio clássico de value investing: quando todo mundo foge de um setor, o preço cai, mas o valor intrínseco não desaparece. Appel argumenta que a IA não é mais uma aposta especulativa. Hoje, empresas como Nvidia, Microsoft e Alphabet já faturam bilhões com produtos de IA, e o mercado, por questões macroeconômicas, precifica essas ações como se o crescimento fosse acabar amanhã.
Segundo dados do Banco Central, a taxa Selic encerrou maio em 9,75%, o que torna ativos de risco menos atraentes no curto prazo. Mas Appel aposta que o ciclo de aperto monetário nos EUA está perto do fim, e a rotação para tecnologia será forte. A tese dele não é sobre timing de mercado, mas sobre posicionamento estrutural.
Por que a IA está barata agora?
O valuation do setor de tecnologia, medido pelo índice P/L do Nasdaq, caiu 18% desde o pico de 2024, segundo dados de mercado compilados pela Adam Asset. Enquanto isso, as receitas de IA das big techs cresceram 34% no mesmo período. Ou seja: o preço caiu mais que o lucro, sinal clássico de barganha.
- Semicondutores: Nvidia e AMD negociam a múltiplos 20% abaixo da média histórica, apesar de dominarem o mercado de chips para IA.
- Data centers: empresas como Equinix e Digital Realty têm contratos de longo prazo e fluxo de caixa previsível, mas o mercado as trata como cíclicas.
- Software: Salesforce, Adobe e ServiceNow já incorporaram IA em seus produtos, mas o mercado ainda não precificou o ganho de produtividade.
Onde Appel está colocando o dinheiro
A Adam Asset, que gere cerca de R$ 15 bilhões, tem aumentado a exposição em fundos de tecnologia global. Appel revelou, em entrevista, que a alocação em IA passou de 12% para 18% da carteira nos últimos seis meses. O foco são empresas com:
- Receita real de IA (não promessa)
- Margem operacional acima de 20%
- Dívida líquida baixa ou nula
- Crescimento de receita acima de 15% ao ano
Ele cita explicitamente a Nvidia como exemplo de empresa que "entregou o que prometeu", a fabricante de chips viu sua receita de data center crescer 94% no último ano fiscal. O mercado, no entanto, ainda desconfia da sustentabilidade desse crescimento.
Riscos que Appel reconhece (e você precisa saber)
Nenhuma tese de investimento é unânime. Appel mesmo aponta três riscos principais:
- Regulamentação: a União Europeia e os EUA discutem leis mais rígidas para IA, o que pode limitar o crescimento de empresas menores.
- Concorrência chinesa: empresas como DeepSeek e Alibaba estão avançando em IA com custos mais baixos, pressionando margens.
- Bolha setorial: se o crescimento de receita desacelerar, o valuation pode cair ainda mais.
Para mitigar, a Adam Asset diversifica entre empresas de grande capitalização (large caps) e algumas médias, evitando exposição excessiva a qualquer nome.
Como aplicar a tese de Appel na sua carteira
Se você concorda com a visão de que a IA está barata, o caminho não é sair comprando qualquer ação de tecnologia. O próprio Appel recomenda:
- Fundos passivos de IA: ETFs como BOTZ (Global X Robotics & AI) ou AIQ (Global X Artificial Intelligence) dão exposição diversificada.
- Fundos ativos: fundos multimercado e de ações com mandato para tecnologia, como os da Adam Asset, podem fazer a seleção por você.
- Ações diretas: se for investir sozinho, priorize empresas com balanço forte e receita de IA já consolidada.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido dos fundos de tecnologia cresceu 22% em 2025, sinal de que o mercado institucional já está se movendo.
Perguntas Frequentes
Quem é Appel, da Adam Asset?
Appel é o principal gestor de renda variável da Adam Asset, uma das maiores gestoras independentes do Brasil, com mais de R$ 15 bilhões sob gestão. Ele é conhecido por sua abordagem value com foco em tecnologia.
O que significa "nunca nada tão óbvio esteve tão barato"?
A frase expressa a tese de que a inteligência artificial é uma tendência clara e inevitável, mas o mercado está precificando as ações do setor como se houvesse grande incerteza, criando uma oportunidade de compra.
Quais setores de IA Appel recomenda?
Ele foca em semicondutores (Nvidia, AMD), data centers (Equinix, Digital Realty) e software corporativo com IA embarcada (Salesforce, Adobe, ServiceNow).
Quais os riscos de investir em IA agora?
Os principais riscos são regulamentação mais dura, concorrência chinesa e desaceleração do crescimento de receita, que pode levar a uma correção nos valuations.
Como investir em IA seguindo a tese de Appel?
Você pode optar por ETFs de IA, fundos ativos de tecnologia ou comprar ações individuais de empresas com receita real de IA, balanço forte e crescimento acima de 15% ao ano.
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