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Palestinos esperam que decisão da Unesco impeça ação de Israel

Autoridades palestinas celebram a recente decisão da Unesco de incluir Sebastia como Patrimônio Mundial, na esperança de que isso impeça a expansão israelense na Cisjordânia. A situação local é delicada, com moradores enfrentando confisco de terras.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 25 de julho de 2026
Palestinos esperam que decisão da Unesco impeça ação de Israel

Palestinos esperam que decisão da Unesco impeça ação de Israel na Cisjordânia

RAMALLAH, Cisjordânia, 25 Jul (Reuters) - Autoridades palestinas saudaram a decisão da Unesco de declarar Sebastia, na Cisjordânia ocupada, como Patrimônio Mundial, na esperança de que isso impeça Israel de ampliar seu controle sobre a antiga vila, enquanto Israel condenou a medida como uma decisão política.

Sebastia, no norte da Cisjordânia, possui vestígios arqueológicos de períodos sucessivos que remontam, pelo menos, à capital do reino israelita do século IX a.C., passando pelos períodos helenístico, romano, bizantino, islâmico, cruzado e otomano, de acordo com a Unesco, a organização cultural das Nações Unidas.

Oliveiras cercam o local, pontilhando uma paisagem de colunas romanas, muralhas antigas, degraus de pedra e um anfiteatro. O local é tradicionalmente considerado o local de sepultamento de João Batista.

Contudo, os moradores palestinos da vila vizinha, muitos dos quais dependem do turismo para seu sustento, estão enfrentando confisco de terras depois que Israel anunciou um plano para tomar cerca de 1.800 dunams (445 acres) no local, o que, segundo o país, visa o desenvolvimento da área.

As forças armadas israelenses não se pronunciaram imediatamente sobre os eventos recentes.

Autoridades palestinas na Cisjordânia afirmaram que os tiroteios de sexta-feira foram provocados pelos colonos, que tinham como objetivo atacar moradores da vila de Tal, a sudoeste de Nablus.

A Unesco incluiu na sexta-feira Sebastia em sua Lista do Patrimônio Mundial e na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, um mecanismo usado para sinalizar locais de patrimônio listados que enfrentam sérias ameaças, a fim de tentar protegê-los.

"Esperamos que essa decisão nos permita preservar Sebastia", disse Nizar Kayed, vice-prefeito da vila. Ele afirmou que a decisão de apreensão de terras por parte de Israel, anunciada no final de 2025, fazia parte de uma iniciativa israelense para expandir os assentamentos na região.

Os ministérios do Turismo e das Relações Exteriores da Palestina afirmaram que esperavam que o reconhecimento da Unesco ajude a mobilizar apoio internacional contra as medidas israelenses na região.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse que a decisão da Unesco fazia parte de uma campanha palestina para obscurecer os laços judaicos com a terra. "Nenhuma votação em uma organização internacional pode mudar a história", afirmou ele em comunicado.

Além disso, autoridades palestinas estão preocupadas com um novo projeto de lei israelense, que ainda não foi aprovado, que estenderia o controle civil israelense sobre sítios arqueológicos na Cisjordânia. Isso, na prática, retiraria a supervisão dos sítios antigos da Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente, que, nos termos dos acordos de paz de Oslo da década de 1990, exerce autogoverno limitado em partes da Cisjordânia, território conquistado por Israel na guerra de 1967.

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