# Padronização dos registros de imóveis agiliza financiamentos

> A padronização dos registros de imóveis, impulsionada pela digitalização, promete agilizar o registro de financiamentos. Isso deve beneficiar cartórios, bancos e incorporadoras, reduzindo retrabalho e facilitando a troca de informações.

*Global Forum · Financas Pessoais · 27 de julho de 2026 · Tânia Lustosa*

## Padronização dos registros de imóveis vai deixar registro de financiamento mais ágil

A transformação digital do mercado imobiliário está avançando para uma de suas etapas mais burocráticas: o registro de imóveis. A padronização nacional dos registros eletrônicos promete acelerar financiamentos, reduzir retrabalho e facilitar a troca de informações entre cartórios, bancos e incorporadoras.

Embora a digitalização dos registros públicos tenha sido prevista pela Lei nº 14.382, de 2022, o tema voltou a ser discutido após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentar, por meio do provimento 228 de 2026, um modelo nacional padronizado para o envio eletrônico de informações aos cartórios de registro de imóveis. Essa mudança representa uma nova infraestrutura de dados para o mercado imobiliário brasileiro.

O objetivo é que bancos, cartórios, incorporadoras e órgãos públicos passem a se comunicar na mesma linguagem. "A ideia é transformar a matrícula, que hoje ainda é analógica, em dados", afirma Juan Pablo Correa Gossweiler, diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR).

Gossweiler ressalta que, embora a maioria das matrículas já esteja digitalizada, ainda é necessária a interpretação humana. O próximo passo é estruturar essas informações para que possam ser processadas e validadas de forma automatizada, garantindo mais agilidade ao registro de financiamentos e à compra e venda de imóveis. "Hoje a pessoa consegue visualizar a matrícula eletronicamente, mas ainda precisa lê-la e interpretá-la. O que estamos construindo é um ambiente em que essas informações possam ser tratadas como dados estruturados", diz.

A transformação ganhou impulso com a Instrução Técnica de Normalização (ITN) nº 4/2026, que estabelece padrões nacionais para os registros eletrônicos imobiliários, resolvendo um problema histórico do setor. Apesar de existir uma legislação nacional, os mais de 3,6 mil cartórios de registro de imóveis do país operam sob diferentes normativas estaduais, o que gera procedimentos distintos para operações semelhantes.

Essa fragmentação impacta toda a cadeia imobiliária. Uma mesma operação pode exigir fluxos diferentes dependendo da localidade, dificultando a integração tecnológica entre cartórios e instituições financeiras. "A padronização evita o retrabalho", afirma Gossweiler. "Quando todos conhecem previamente os requisitos exigidos, reduz-se a necessidade de devolver documentos para correções."

Incorporadoras enxergam a modernização dos registros como a peça que faltava para completar a digitalização da jornada imobiliária. Guilherme Freitas, diretor jurídico da MRV Engenharia, destaca que a venda de imóveis já ocorre de forma quase totalmente digital na empresa, mas ressalta que a quebra de processos físicos pode interromper essa jornada.

A integração entre cartórios e o mercado imobiliário avançou significativamente nos últimos anos. "Estamos conectando informações que já existem, mas que historicamente estavam desconectadas", resume Freitas.

Embora a modernização dos registros seja muitas vezes associada ao crédito imobiliário, especialistas ressaltam que a aprovação do financiamento ocorre antes da etapa registral. A análise bancária considera fatores como renda, capacidade de pagamento e avaliação do imóvel. "O impacto mais direto ocorre depois que o financiamento já foi aprovado", afirma Welliton Moura, COO da plataforma de crédito imobiliário The House.

Moura destaca que a padronização tende a facilitar o acompanhamento dos processos e diminuir retrabalhos, permitindo que o contrato seja registrado e devolvido ao banco com maior rapidez. A digitalização já mostra resultados concretos, com o pedido eletrônico de certidões triplicando nos últimos três anos.

A expectativa é que a padronização nacional dos extratos eletrônicos contribua para aproximar o tempo efetivo de tramitação ao prazo previsto na legislação, tornando o fluxo mais eficiente. Com a criação do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) e a implementação do Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (Serp), as mudanças em curso visam uma reestruturação da base informacional do mercado imobiliário. Para os especialistas, isso resultará em um ambiente com menos assimetria de informações e maior capacidade de automação.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/financas-pessoais/padronizacao-registros-imoveis-vai-deixar-registro-financiamento-mais-agil/
