# Fazenda: Custo do crédito aperta bolso das famílias

> O Ministério da Fazenda avalia que o aperto no bolso das famílias brasileiras se deve, principalmente, ao alto custo de modalidades específicas de crédito, como o rotativo do cartão e o cheque especial. Segundo a pasta, o endividamento familiar se mantém estável nos últimos três 

*Global Forum · Financas Pessoais · 22 de setembro de 2026 · Eduardo Tannous*

O Ministério da Fazenda apresentou dados que apontam o custo elevado do crédito como o principal fator do aperto financeiro enfrentado pelas famílias brasileiras. Segundo a pasta, o endividamento familiar se mantém em patamar praticamente estável nos últimos três anos, mas modalidades mais caras, como o crédito rotativo do cartão e o cheque especial, têm pesado no bolso dos consumidores.

Rafael Leão, subsecretário de política macroeconômica do Ministério da Fazenda, destacou que o crescimento do crédito na comparação histórica tem sido "muito moderado". Ele explicou que, embora o volume total da dívida não tenha apresentado aceleração significativa, existe um "núcleo do endividamento familiar que é menos relevante dentro da carteira, mas que é caro, incomoda o bolso". O crédito rotativo, por exemplo, opera com juros anuais próximos a 436%, e modalidades como o cartão parcelado e o cheque especial também encareceram devido ao ciclo de alta da política monetária.

Leão mencionou que a tendência é de queda nos custos dessas modalidades com a redução da Taxa Selic. O Banco Central, na semana anterior à divulgação dos dados, realizou o quinto corte consecutivo na taxa básica, reduzindo-a de 14% para 13,75% ao ano. O subsecretário afirmou que "conforme a política monetária vai se flexibilizando, vai afrouxando esse aperto, especialmente nessas modalidades mais caras".

Os dados foram divulgados durante a apresentação do boletim macrofiscal, que também inclui projeções para os principais indicadores econômicos. O endividamento familiar foi apontado como um dos fatores que levaram à revisão da previsão de crescimento da economia para 2% em 2026, ante 2,3% estimados anteriormente. O estudo avaliou o comportamento do crédito em relação ao PIB, o núcleo da carteira das famílias e a concentração em recursos livres ou direcionados, indicando que o problema se concentra no crédito livre e que o crescimento do crédito em relação ao PIB foi menor que em períodos anteriores de alavancagem rápida.

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