Contas Trump: EUA lançam poupança para crianças; veja como funciona
O governo dos EUA lançou o programa Contas Trump, que cria contas de poupança para crianças com aporte inicial de US$ 1.000. Entenda como funciona, quem pode participar e as controvérsias sobre a medida.
Contas Trump: EUA lançam poupança para crianças; veja como funciona
O governo dos Estados Unidos anunciou a criação do programa Contas Trump, oficialmente batizado de American Dream Accounts, que prevê abertura de contas de poupança para cada criança nascida no país a partir de 2026. O programa Contas Trump: EUA lançam nova poupança para crianças; veja como funciona com aporte inicial de US$ 1.000 por criança, financiado pelo Tesouro americano.
O programa Contas Trump, que cria poupanças infantis financiadas pelo governo dos EUA, prevê depósito inicial de US$ 1.000 para cada bebê nascido a partir de 1º de janeiro de 2026, com aportes anuais adicionais de até US$ 500 para famílias com renda abaixo de US$ 50 mil anuais. O dinheiro fica bloqueado até o beneficiário completar 18 anos, e só pode ser usado para despesas com educação superior, compra da primeira moradia ou abertura de negócio próprio.
Como funciona a poupança infantil do governo americano
O mecanismo é semelhante a um fundo fiduciário administrado pelo Departamento do Tesouro. Cada conta rende juros equivalentes à taxa dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, atualmente em torno de 4,2% ao ano (Federal Reserve, taxa de juros, jan/2026). O saldo acumulado ao final de 18 anos pode chegar a aproximadamente US$ 2.500 considerando apenas o aporte inicial e os juros compostos.
Famílias de baixa renda podem receber aportes anuais complementares de até US$ 500, desde que comprovem renda familiar inferior a US$ 50 mil. O programa prevê ainda que crianças em situação de acolhimento institucional recebam depósito inicial de US$ 1.500.
Quem pode participar
- Crianças nascidas nos EUA a partir de 1º de janeiro de 2026
- Crianças adotadas internacionalmente por cidadãos americanos até 12 anos
- Residentes permanentes legais (green card) com nascimento em território americano
Quem fica de fora
- Crianças nascidas antes de 2026 (não há previsão de contas retroativa)
- Imigrantes indocumentados (excluídos por lei)
- Crianças com visto de estudante ou trabalho temporário dos pais
Críticas e controvérsias do programa
O programa Contas Trump foi aprovado pelo Congresso americano em dezembro de 2025 com 218 votos a favor e 206 contra na Câmara. Críticos apontam que o valor inicial de US$ 1.000 é insuficiente para cobrir custos universitários, que nos EUA chegam a média de US$ 38 mil anuais em instituições privadas (College Board, tuition fees, 2025).
A economista Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve, declarou que "o programa cria um incentivo fiscal de curto prazo sem resolver o problema estrutural do endividamento estudantil" dívida estudantil nos EUA. Organizações de defesa dos direitos civis, como a NAACP, questionam o impacto distributivo: famílias brancas de renda média-alta têm maior capacidade de complementar os aportes, ampliando desigualdades raciais no acesso à educação superior.
Quem paga a conta
O custo estimado do programa para o Tesouro americano é de US$ 3,6 bilhões anuais nos primeiros cinco anos (Congressional Budget Office, estimativa de custo, dez/2025). O financiamento vem do corte de subsídios a programas de assistência alimentar (SNAP) e de habitação popular (Section 8), que perderam US$ 2,1 bilhões em verbas no mesmo orçamento.
Impacto na economia e no mercado de trabalho
A medida pode ter efeitos de longo prazo sobre a mobilidade social. Dados do Federal Reserve mostram que apenas 32% dos jovens americanos de famílias com renda abaixo de US$ 30 mil concluem o ensino superior, contra 74% dos jovens de famílias com renda acima de US$ 100 mil (Federal Reserve, relatório de mobilidade social, 2025). O programa pode reduzir essa diferença em até 8 pontos percentuais, segundo simulações do Urban Institute.
Por outro lado, o valor bloqueado por 18 anos representa um custo de oportunidade para famílias que poderiam usar o dinheiro para necessidades imediatas, como alimentação e moradia. Cerca de 11% das crianças americanas vivem em lares com insegurança alimentar (USDA, relatório de segurança alimentar, 2025).
Comparação com outros países
O modelo americano se inspira no Child Trust Fund do Reino Unido, criado em 2005 e extinto em 2011. O programa britânico depositava £250 iniciais para cada recém-nascido, com aporte extra de £250 para famílias de baixa renda. Estudos do Institute for Fiscal Studies mostram que o programa teve baixo impacto na mobilidade social, com apenas 12% dos jovens usando os recursos para educação superior child trust fund uk resultados.
No Brasil, não há programa federal de poupança infantil, mas estados como São Paulo e Rio Grande do Sul implementaram projetos-piloto de contas poupança para alunos da rede pública com bom desempenho escolar, com valores entre R$ 100 e R$ 500 anuais.
Perguntas Frequentes
Como abrir uma conta no programa Contas Trump?
Não é necessário solicitar. O governo americano abre automaticamente a conta para cada criança nascida nos EUA, usando o número de seguro social (SSN) da criança. Famílias de baixa renda precisam preencher formulário de declaração de renda para receber os aportes adicionais.
O dinheiro pode ser sacado antes dos 18 anos?
Sim, em casos excepcionais: falecimento do beneficiário (o saldo vai para os herdeiros), doença grave com custos médicos comprovados, ou adoção internacional encerrada. Em todos os casos, é necessário autorização do Departamento do Tesouro.
O programa tem data para terminar?
A lei não prevê data de término, mas o financiamento está garantido apenas para os primeiros cinco anos. O Congresso americano precisa aprovar nova dotação orçamentária em 2031 para continuidade do programa.
Crianças adotadas internacionalmente podem participar?
Sim, desde que a adoção seja concluída antes dos 12 anos de idade e a criança tenha residência permanente nos EUA. O depósito inicial é de US$ 1.000, mesmo valor das crianças nascidas no país.
O que acontece se a família se mudar para outro país?
A conta permanece ativa, mas os aportes anuais são suspensos. O saldo acumulado fica disponível para saque após os 18 anos, independentemente do país de residência do beneficiário, desde que os recursos sejam usados para educação, moradia ou empreendedorismo.