Como começar pé-de-meia aos 50 anos: guia prático
Aos 50 anos, ainda dá tempo de construir uma reserva financeira. Especialistas orientam: revise gastos, priorize saúde e comece a guardar todo mês, mesmo que pouco.
O consumo dos brasileiros acima de 50 anos, que era de R$ 1,8 trilhão em 2024, deve mais que duplicar até 2044, chegando a R$ 3,8 trilhões, o equivalente a 35% do PIB, segundo o estudo Brasil Prateado, da consultoria Data8. Economicamente ativa e com expectativa de vida maior, essa geração enfrenta mais escolhas financeiras do que os pais tiveram. Para quem chega aos 50 sem planejamento, ainda há tempo de colocar previdência, saúde e outras preocupações na agenda.
Não existe idade certa para começar a se preocupar com o futuro. O primeiro passo, segundo Sérgio Batista, gerente de Análise e Planejamento Financeiro do Banco Mercantil, é revisar os gastos atuais e fazer um ajuste criterioso no orçamento. As prioridades mudam em relação aos 20 anos: manter despesas no automático pode ser um ponto de fuga do dinheiro, enquanto saúde exige mais atenção. "As despesas de saúde tendem a aumentar ao longo dos anos e são uma das principais causas de desequilíbrio financeiro nessa fase da vida", alerta Batista.
Um passo fundamental é construir uma reserva de emergência, que permite enfrentar imprevistos sem recorrer a empréstimos, indica Antônio Leitão, do Instituto de Longevidade MAG. O ideal é reservar parte do salário todo mês, mesmo que pouco, até cobrir de seis a 12 meses de gastos fixos. Tesouro Selic, fundos DI e CDBs com liquidez diária são boas opções para guardar o dinheiro com acesso rápido. Para abrir brechas no orçamento, vale fazer um raio-X de um mês, registrando entradas e saídas, listar dívidas e patrimônio, discutir limites financeiros com a família e priorizar dívidas com juros mais altos, buscando renegociação ou quitação.
Aos 50 anos, programar a aposentadoria é inadiável. Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira, recomenda estimar o ano em que se deseja parar de trabalhar e quanto será necessário de complemento de renda. Assim, é possível calcular quanto reservar por mês para viver de parte do rendimento dos investimentos. "Quanto mais cedo começar a guardar, o esforço será menor. Quando se começa aos 50, é preciso mais sacrifício, mas é plenamente possível", pontua Domingos.