Financas Pessoais

Bets comem o Natal: gasto 3x maior que presentes

ResumoApostas on-line no Brasil consomem três vezes mais dinheiro do que presentes de Natal, segundo pesquisa do IFec RJ com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio. O gasto médio mensal com bets alcança R$ 96,30, e 69,9% dos apostadores utilizam o salário para apostar.

Pesquisa do IFec RJ com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio aponta que brasileiros gastam três vezes mais com apostas on-line do que com presentes de Natal. O gasto médio mensal chega a R$ 96,30, e 69,9% usam o salário para apostar.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 15 de setembro de 2026
Bets comem o Natal: gasto 3x maior que presentes

Os R$ 2,2 bilhões movimentados anualmente com apostas on-line equivalem a mais de três vezes o que se estima para compras de Natal na Região Metropolitana do Rio. O dado é do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), que ouviu 1.024 moradores entre 22 e 25 de junho. A pesquisa projeta que 1,9 milhão de pessoas na região já participaram de apostas on-line, com gasto médio mensal declarado de R$ 96,30 e movimentação estimada em R$ 182 milhões por mês.

A pergunta que a planilha não responde sozinha é quem paga essa conta. O dinheiro apostado vem principalmente do salário, apontado por 69,9% dos entrevistados. Na sequência aparecem reserva financeira (14,2%), outras fontes de renda (10,3%) e o bônus oferecido pelas próprias plataformas (2,6%). Em média, 5,5% da renda dos apostadores foi destinada às apostas no último mês. O Pix é o meio usado por 97,4% deles.

Perfil de renda e sinais de alerta

O levantamento do IFec RJ mostra que 22,8% dos entrevistados afirmaram já ter participado de apostas on-line. Entre os apostadores, 36% têm renda mensal entre um e dois salários mínimos, 19,7% recebem de dois a três pisos e 19,4% ganham até um mínimo. Ou seja: o jogo pesa mais justamente em faixas de renda apertadas, onde cada real tem destino certo.

Os motivos declarados ajudam a entender o apelo. A chance de ganhar dinheiro rápido foi citada por 33%, enquanto 25,4% veem no jogo uma oportunidade de fazer renda extra. O levantamento associa a prática a endividamento, perda de controle, conflitos pessoais e impactos sobre a saúde mental.

Entre os apostadores, 22,3% disseram ter ou ter tido dificuldade para parar. Outros 29,1% afirmaram já ter sentido culpa, e 34,8% declararam ter sido criticados por causa do vício. Já 6,9% relataram ter se prejudicado ou prejudicado outra pessoa em razão das apostas. Desse grupo, 68% disseram ter perdido dinheiro, e 5,1% do total de apostadores afirmaram ter se endividado por causa do jogo.

O destino que o dinheiro não teve

O IFec RJ perguntou o que os entrevistados fariam com o valor caso não fosse usado em apostas. Investir ou guardar foi a resposta de 33%. Comprar itens de mercado ficou com 21,9%, roupas com 21,8%, e pagar contas com 11,2%. A lista desenha o retrato de um orçamento familiar que troca consumo básico e poupança por uma aposta de retorno incerto.

O Natal, nesse cenário, deixa de ser o pico de consumo e vira comparação: a movimentação anual com apostas supera em mais de três vezes a estimativa para presentes. como o endividamento por apostas afeta o orçamento familiar

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