Vendaval turbinado que atingiu RJ e SP é a ponta do dedo do El Niño
Rajadas de até 124,9 km/h no interior de SP e 81 km/h no Rio de Janeiro foram a ponta do dedo do longo braço do El Niño, segundo o Cemaden. O fenômeno raro no inverno acende alerta para a primavera.
Os ventos fortes que atingiram São Paulo e Rio de Janeiro não foram um evento isolado. Eles representam a ponta do dedo do longo braço do El Niño, segundo meteorologistas. Rajadas chegaram a 124,9 km/h no interior paulista, superando a velocidade mínima de furacões (119 km/h), e a 81 km/h na capital fluminense. O fenômeno, chamado frente de rajada, é raro no inverno e acende um alerta para os próximos meses.
A frente de rajada é a dianteira de um sistema de tempestades que afetou o Rio Grande do Sul no fim de semana. "Se já está chovendo tanto em julho, que é um mês seco, o que vai acontecer na primavera, quando o El Niño ficará mais intenso? Não sabemos, mas não parece estar começando bem", afirma o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador de operação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O El Niño se caracteriza pelo aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial. A água mais quente evapora, aquece a atmosfera e muda o padrão de ventos em boa parte do planeta. Ele aumenta a diferença de temperatura entre o equador (quente) e o polo (frio), gerando ventos mais poderosos. No caso atual, o Niño está associado à frente fria estacionária que gerou as fortes chuvas no Rio Grande do Sul, com acumulados de 300 mm em cinco dias.
Dessas tempestades se desprendeu uma linha de instabilidade, uma faixa contínua de nuvens de tormentas alinhadas como soldados em marcha. A frente de rajada, que deriva dessa linha, avança mais depressa que as tempestades e que as frentes frias. Ela atravessou o Sul, São Paulo e chegou ao Rio de Janeiro.
O professor de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Wallace Menezes, explica que não há previsão de chuva significativa pela passagem dessa frente, e o tempo deve voltar a abrir no fim de semana. No entanto, cientistas salientam que, quando as frentes de rajada se formam no inverno, costumam ser mais violentas. Uma frente de rajada pode chegar a mais de 100 quilômetros de extensão e literalmente varre seu caminho.
Apesar da intensidade, Seluchi observa que esses fenômenos são difíceis de prever com precisão porque nenhum modelo os reproduz bem. "Havia previsão de vento forte, mas a intensidade e os locais mais afetados são difíceis de precisar com antecedência", diz. As frentes de rajadas são como detalhes de uma situação maior, no caso, a frente fria. Cientistas reforçam que não há previsão de repetição do fenômeno ou de que se tornará mais frequente.
Perguntas Frequentes
O que é uma frente de rajada?
É um vendaval turbinado, a dianteira de um sistema de tempestades, que avança mais depressa que as frentes frias. Pode chegar a mais de 100 km de extensão e é raro no inverno.
Por que os ventos foram tão fortes em SP e RJ?
O El Niño turbinou os ventos ao aquecer o Pacífico Equatorial, alterando o padrão de ventos na América do Sul. Rajadas em SP superaram 119 km/h, velocidade mínima de furacões.
Há risco de novos vendavais?
Cientistas afirmam que não há previsão de repetição do fenômeno ou de que se tornará mais frequente. No entanto, o El Niño deve se intensificar na primavera, o que preocupa especialistas.
Como o El Niño influencia o clima no Brasil?
Ele aquece o Pacífico, altera os ventos e a distribuição de umidade, podendo causar chuvas intensas no Sul e seca no Nordeste. No inverno, fenômenos como a frente de rajada são sinais de sua influência.
O que causou as mortes em Santa Teresa?
Mortes ocorreram em Santa Teresa, na Rua Itapiru, próximo ao túnel da Rua Alice, durante o vendaval. As autoridades locais investigam as circunstâncias.
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