Economia

Vendas no comércio caem 0,8% em julho com ressaca da Copa

ResumoO comércio varejista brasileiro recuou 0,8% de junho para julho de 2014, conforme a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. A queda reflete a ressaca da Copa do Mundo sobre as vendas de televisores, álbuns e vestuário, com o acumulado em 12 meses desacelerando para 1,6%.

O comércio varejista brasileiro recuou 0,8% de junho para julho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. A ressaca da Copa do Mundo aparece no consumo de TVs, álbuns e vestuário, e o acumulado de 12 meses desacelera para 1,6%.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 15 de setembro de 2026
Vendas no comércio caem 0,8% em julho com ressaca da Copa

O comércio varejista brasileiro recuou 0,8% na passagem de junho para julho, movimento que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) associa a uma espécie de "ressaca" da Copa do Mundo. Com o resultado, o desempenho acumulado do setor em 12 meses desacelerou para 1,6%, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira (15).

Em resumo: o varejo caiu 0,8% de junho para julho; a média móvel trimestral ficou em -0,1%; o acumulado de 2026 avança 1,8% e o de 12 meses, 1,2%; o setor está 10,6% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 1,5% abaixo do maior patamar já registrado, em março de 2026.

O dado de julho coloca o comércio em patamar equivalente a dezembro de 2025, segundo o analista da pesquisa, Cristiano Santos. Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, cinco apresentaram retração na passagem de junho para julho. A média móvel trimestral, que suaviza oscilações pontuais e reflete a tendência recente, aponta variação negativa de 0,1%.

A leitura de Santos liga a queda de eletrodomésticos, revistas e papelaria, e vestuário ao calendário do torneio, realizado em junho e julho. Itens como TVs e álbuns de figurinha tiveram crescimento nos meses anteriores à Copa, o que elevou a base de comparação de julho.

"É como se as pessoas tivessem concentrado a capacidade de consumo desses produtos que têm a ver com a copa principalmente em maio", afirma o analista. A mesma lógica aparece na exemplificação sobre eletrônicos: "Todo mundo que iria comprar uma televisão, aproveitou que teria Copa e comprou em maio".

O movimento não apaga o desempenho de prazo mais longo. Em 12 meses, a venda de móveis e eletrodomésticos avança 3,9%. O contraste ajuda a explicar por que o recuo mensal convive com expansão anual em parte das atividades.

No comércio varejista ampliado, que inclui atacado, veículos, motos, partes e peças, material de construção e produtos alimentícios, bebidas e fumo, o indicador subiu 0,4% de junho para julho e marca variação positiva de 1,2% no acumulado de 12 meses.

A desaceleração também aparece na série mais longa. Em março, o acumulado de 12 meses era 2,3%, patamar superior ao 1,6% registrado agora. Quem olha o número pelo lado da renda vê um consumo que reagiu a um evento específico e depois devolveu parte do impulso, em vez de sustentar ritmo de alta.

A PMC é a terceira de três levantamentos conjunturais divulgados mensalmente pelo IBGE. Nos últimos dias, o instituto informou que o setor de serviços ficou estável no mês (variação nula, 0%) e subiu 2,4% em 12 meses. A indústria cresceu 0,2% no mês e 0,6% em 12 meses. pesquisa mensal de serviços IBGE

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