United supera em lucro e receita, mas gastos com combustíveis aumentam e ações caem
A United Airlines reportou lucro e receita acima do esperado no segundo trimestre de 2024, mas o aumento de 23% nos gastos com combustíveis pressionou as margens e derrubou as ações. A companhia aérea enfrenta o desafio de equilibrar crescimento operacional com custos voláteis.
United supera em lucro e receita, mas gastos com combustíveis aumentam e ações caem
A United Airlines apresentou resultados financeiros acima do esperado no segundo trimestre de 2024, com lucro ajustado de US$ 1,36 bilhão e receita recorde de US$ 14,99 bilhões. O desempenho operacional superou as projeções de analistas, que esperavam lucro de US$ 1,31 bilhão e receita de US$ 14,94 bilhões. No entanto, os gastos com combustíveis aumentaram 23% na comparação anual, para US$ 3,3 bilhões, o que pressionou as margens e derrubou as ações em 3,5% no after-hours.
Resultados financeiros da United no 2T24: lucro e receita acima do esperado
A United Airlines reportou lucro líquido ajustado de US$ 1,36 bilhão no segundo trimestre de 2024, equivalente a US$ 4,14 por ação. O número superou a estimativa média dos analistas consultados pela Refinitiv, que era de US$ 3,93 por ação. A receita total atingiu US$ 14,99 bilhões, alta de 5,7% ante o mesmo período de 2023. O resultado reflete a forte demanda por viagens aéreas, especialmente no mercado doméstico e internacional.
Receita por segmento: passageiros e carga
A receita de passageiros somou US$ 13,5 bilhões, impulsionada pelo aumento de 8% no tráfego medido em passageiros-quilômetros pagos (RPK). A receita de carga, por sua vez, caiu 12%, para US$ 412 milhões, refletindo a normalização dos fretes aéreos pós-pandemia. A receita total por assento-quilômetro disponível (PRASM) subiu 3,2%, indicando maior eficiência na precificação.
Gastos com combustíveis disparam 23% e pressionam margens
O principal ponto de atenção nos resultados foi o aumento de 23% nos gastos com combustíveis, que atingiram US$ 3,3 bilhões. O preço médio do galão de querosene de aviação pago pela United foi de US$ 2,81, ante US$ 2,68 no mesmo período de 2023. O custo com combustíveis representa cerca de 30% das despesas operacionais da companhia, segundo dados do setor.
Impacto da volatilidade do petróleo nos custos das aéreas
A alta dos gastos com combustíveis reflete a volatilidade do mercado de petróleo, que influencia diretamente o preço do querosene de aviação. No segundo trimestre de 2024, o barril do Brent oscilou entre US$ 82 e US$ 90, com média de US$ 85,50. Para cada variação de US$ 1 no preço do barril, a United estima um impacto de US$ 70 milhões em seus custos anuais de combustível, conforme relatório da empresa.
Ações caem 3,5% no after-hours: o que os investidores viram?
Apesar do lucro e receita acima do esperado, as ações da United Airlines caíram 3,5% no after-hours, sendo negociadas a US$ 45,20. O movimento reflete a preocupação dos investidores com a trajetória dos custos e com as projeções para o terceiro trimestre. A empresa projetou lucro ajustado entre US$ 2,75 e US$ 3,25 por ação para o 3T24, abaixo da estimativa média de US$ 3,38, segundo a FactSet.
Comparação com concorrentes: Delta e American Airlines
A United não foi a única a sofrer com custos elevados. A Delta Air Lines reportou aumento de 18% nos gastos com combustíveis no mesmo período, enquanto a American Airlines viu alta de 15%. No entanto, a United apresentou a maior exposição percentual, com 30% das despesas totais em combustível, contra 27% da Delta e 25% da American, de acordo com dados do setor.
Perspectivas para o 3T24: demanda forte, mas custos seguem desafio
A United Airlines projeta receita unitária estável a ligeiramente positiva no terceiro trimestre, com capacidade entre 5% e 6% acima do ano anterior. A empresa espera que os gastos com combustíveis permaneçam elevados, com preço médio do galão entre US$ 2,80 e US$ 2,90. A margem operacional ajustada deve ficar entre 12% e 14%, abaixo dos 14,5% registrados no 2T24.
Estratégias de hedge e eficiência operacional
Para mitigar o impacto dos combustíveis, a United expandiu sua estratégia de hedge, cobrindo cerca de 50% do consumo previsto para o segundo semestre de 2024. Além disso, a companhia investe em aeronaves mais eficientes, como o Boeing 787 Dreamliner, que consome até 20% menos combustível por assento. A empresa também renovou sua frota regional com jatos Embraer E175, que reduzem o consumo em 15% em rotas de curta distância.
Impacto nos passageiros: tarifas e experiência de voo
O aumento dos custos operacionais tende a se refletir nas tarifas aéreas. A United já sinalizou reajustes de 3% a 5% nas passagens para o quarto trimestre, dependendo da rota. A companhia também ampliou a oferta de assentos premium (United Polaris, Economy Plus), que geram margens mais altas e ajudam a compensar os custos. A taxa de ocupação dos voos (load factor) ficou em 85,6% no 2T24, acima dos 84,2% de 2023.
Perguntas Frequentes
Por que as ações da United caíram se o lucro foi acima do esperado?
As ações caíram porque o mercado focou no aumento de 23% nos gastos com combustíveis e na projeção de lucro abaixo do esperado para o terceiro trimestre. Investidores temem que os custos continuem pressionando as margens.
Quanto a United gastou com combustíveis no 2T24?
A United gastou US$ 3,3 bilhões com combustíveis no segundo trimestre de 2024, alta de 23% ante o mesmo período de 2023. O preço médio do galão foi de US$ 2,81.
Qual a previsão de lucro da United para o 3T24?
A United projetou lucro ajustado entre US$ 2,75 e US$ 3,25 por ação para o terceiro trimestre de 2024, abaixo da estimativa média de US$ 3,38.
Como a United está lidando com a alta dos combustíveis?
A United expandiu o hedge de combustível para cobrir 50% do consumo previsto para o segundo semestre e investe em aeronaves mais eficientes, como o Boeing 787, que reduz o consumo em até 20%.
As tarifas aéreas vão subir por causa dos custos?
A United sinalizou reajustes de 3% a 5% nas passagens para o quarto trimestre, especialmente em rotas domésticas, para compensar o aumento dos custos operacionais.