UE promete investimentos na Groenlândia após pressão de Trump
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou planos de investimento de 200 milhões de euros na Groenlândia, em resposta à pressão de Donald Trump para obter controle do território ártico dinamarquês.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou nesta segunda-feira planos de investimento de 200 milhões de euros na Groenlândia, em um movimento que reforça o apoio da União Europeia ao território ártico dinamarquês. O anúncio ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, insistir que a maior ilha do mundo deveria pertencer aos Estados Unidos.
A chefe do órgão executivo da UE, composta por 27 países, afirmou que os recursos se concentrarão em minerais essenciais, comunicações via satélite e energia renovável. Von der Leyen chegou à Groenlândia no domingo para uma visita de dois dias, demonstrando apoio aos governos local e dinamarquês, que rejeitaram veementemente a campanha de Trump.
"A UE está em total solidariedade com o Reino da Dinamarca e o povo da Groenlândia", disse em coletiva de imprensa. "Continuaremos a fazê-lo." A visita reflete a crescente importância geopolítica do Ártico para potências como EUA, Rússia, China e Europa, à medida que o derretimento do gelo abre novas rotas marítimas e torna a riqueza mineral mais acessível.
Trump provocou crise nas relações entre EUA e Europa e turbulência na Otan ao intensificar exigências pelo controle da Groenlândia, argumentando que a Dinamarca não teria condições de defendê-la. Autoridades europeias enfatizaram que o território faz parte da Otan e está coberto pelo pacto de defesa mútua. As tensões diminuíram após acordo em Davos, em janeiro, entre Trump e o chefe da Otan, Mark Rutte, para negociações trilaterais, mas elas ainda não resultaram em acordo. Na cúpula da Otan na Turquia, em julho, Trump reiterou sua insistência.
"O Ártico se tornou um dos locais onde as placas tectônicas da geopolítica colidem", disse von der Leyen, que prometeu nova estratégia da UE para a região nos próximos meses. Embora a Dinamarca seja membro da UE, a Groenlândia deixou o bloco em 1985, mas seu povo, como cidadãos dinamarqueses, também é cidadão da UE. O pacote de 200 milhões de euros amplia setores financiados, e a Comissão propôs mais que dobrar o financiamento, de 225 milhões no orçamento atual para 530 milhões entre 2028 e 2034.