Economia

Trump quer liberar voos supersônicos sobre os EUA após 50 anos

ResumoO governo Trump anunciou planos para liberar voos supersônicos sobre os EUA, encerrando uma proibição de 50 anos. A proposta altera regras da FAA e pode impulsionar jatos como o Overture, visando reduzir tempo de viagens aéreas. A medida aguarda aprovação regulatória e enfrenta debates sobre ruído e impacto ambiental.

O governo Trump anunciou planos para liberar voos supersônicos sobre os EUA, encerrando uma proibição de 50 anos. A proposta altera regras da FAA e pode impulsionar jatos como o Overture. Entenda o que muda.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 02 de julho de 2026
Para Estados Unidos, empresas americanas são restringidas pe

Trump quer liberar voos supersônicos sobre o território dos EUA após 50 anos

O governo Trump anunciou planos para liberar voos supersônicos sobre os Estados Unidos, encerrando uma proibição de 50 anos. A proposta altera regras da FAA e pode impulsionar jatos como o Overture. Entenda o que muda.

O governo Trump propõe revogar a proibição de voos supersônicos sobre território americano, vigente desde 1973. A medida altera regras da FAA para permitir operações comerciais acima de Mach 1. Empresas como Boom Supersonic e NASA participam do debate sobre ruído e segurança.

A proibição de 1973 e o legado do Concorde

Em 1973, a FAA proibiu voos supersônicos sobre terra firme nos EUA, após reclamações de ruído do Concorde e de protótipos soviéticos. A regra impedia que qualquer aeronave civil ultrapassasse Mach 1 sobre território americano. Apenas voos militares tinham exceção, como os caças F-15 e F-22.

Segundo registros históricos, o Concorde operou voos charter para Nova York e Washington apenas sobre o oceano, com pouso em solo americano, mas sem sobrevoar o país em velocidade supersônica. A proibição foi mantida mesmo após a aposentadoria do Concorde em 2003.

A proposta de Trump: o que muda?

O governo Trump propõe substituir a regra de 1973 por um novo quadro regulatório, que permita voos supersônicos sobre terra desde que atendam a limites de ruído e emissões. A FAA seria instruída a elaborar novos padrões de certificação, com prazo de 18 meses para consulta pública.

A proposta prevê três mudanças principais: permissão para voos supersônicos em rotas específicas, como corredores aéreos sobre áreas pouco povoadas; exigência de certificação de ruído baseada em medições no solo, não apenas em laboratório; e incentivos fiscais para fabricantes que atingirem níveis de emissão comparáveis a jatos subsônicos.

Quem ganha com a liberação: Boom Supersonic e outros

A Boom Supersonic, fabricante do jato Overture, é a principal interessada. A empresa planeja voos comerciais a partir de 2029, com capacidade para 80 passageiros e velocidade de Mach 1.7. A liberação sobre os EUA abre um mercado de rotas domésticas, como Nova York-Los Angeles em 3 horas.

Outras empresas, como a Spike Aerospace e a Hermeus, também desenvolvem projetos supersônicos, mas nenhuma tem data de certificação confirmada. A NASA, por sua vez, testa o X-59 QueSST, um avião supersônico silencioso, em parceria com a FAA.

O debate sobre ruído e impacto ambiental

A principal barreira técnica é o ruído. O estrondo sônico, gerado quando a aeronave ultrapassa Mach 1, pode atingir 100 decibéis no solo. A NASA busca reduzir esse nível para cerca de 75 decibéis com o X-59, o equivalente a um trovão distante.

Ambientalistas apontam que jatos supersônicos consomem até três vezes mais combustível por passageiro que aeronaves subsônicas, aumentando emissões de CO₂. A Boom Supersonic afirma que o Overture usará combustível sustentável (SAF), mas a produção global de SAF é de apenas 0,1% do total de querosene de aviação.

O que diz a FAA e o governo americano

A FAA ainda não emitiu parecer oficial. Em audiência no Congresso em fevereiro de 2026, o administrador interino Michael Whitaker afirmou que a agência "avalia a segurança e o ruído como prioridades" antes de qualquer mudança. O Departamento de Transportes dos EUA, comandado por Sean Duffy, apoia a proposta, mas condiciona a liberação à certificação de ruído.

E no Brasil? A ANAC e o mercado latino

A liberação nos EUA pode influenciar regulações no Brasil. A ANAC, responsável pela certificação de aeronaves no país, segue padrões da FAA e da EASA. Se os EUA adotarem novos limites de ruído, o Brasil pode revisar sua regulamentação, mas não há previsão de debate no curto prazo.

Perguntas Frequentes

Quando a proibição de voos supersônicos começou?

A proibição entrou em vigor em 1973, após reclamações de ruído do Concorde e de protótipos soviéticos. A FAA manteve a regra por 50 anos, permitindo apenas voos militares sobre terra.

O que o governo Trump quer mudar?

O governo propõe substituir a proibição total por um novo quadro regulatório, que permita voos supersônicos sobre terra desde que atendam a limites de ruído e emissões. A FAA teria 18 meses para elaborar os novos padrões.

Quais empresas serão beneficiadas?

A Boom Supersonic, com o jato Overture, é a principal beneficiada. A Spike Aerospace e a Hermeus também desenvolvem projetos supersônicos, mas nenhuma tem certificação confirmada.

O voo supersônico polui mais?

Sim. Jatos supersônicos consomem até três vezes mais combustível por passageiro que aeronaves subsônicas. A Boom Supersonic planeja usar combustível sustentável, mas a produção global de SAF é limitada.

Quando os voos supersônicos podem começar?

A Boom Supersonic prevê voos comerciais a partir de 2029. A NASA testa o X-59 QueSST, com voos de demonstração previstos para 2027. A liberação regulatória pode acelerar o cronograma.

O Brasil pode liberar voos supersônicos?

Não há debate no curto prazo. A ANAC segue padrões da FAA e da EASA. Se os EUA adotarem novos limites de ruído, o Brasil pode revisar sua regulamentação, mas não há previsão de mudança imediata.

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