Economia

Torcedores processam site de revenda por ingressos cancelados da Copa do Mundo

Torcedores processam site de revenda após ingressos da Copa do Mundo serem cancelados sem reembolso. Entenda o caso, os direitos do consumidor e o que fazer para reaver o valor pago.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 02 de julho de 2026
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Torcedores processam site de revenda por ingressos cancelados da Copa do Mundo

Torcedores que compraram ingressos da Copa do Mundo em sites de revenda estão recorrendo à Justiça após terem as entradas canceladas sem reembolso. O caso envolve consumidores que pagaram valores elevados por jogos e, na hora de entrar no estádio, descobriram que os bilhetes eram inválidos. A pergunta central é: quem paga a conta quando a revenda falha?

Torcedores processam site de revenda por ingressos cancelados da Copa do Mundo, e a resposta jurídica pode sair cara para as plataformas. Segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), a venda de um produto ou serviço que não é entregue configura prática abusiva, com direito a reembolso em dobro do valor pago, acrescido de correção monetária e juros. A Justiça tem entendido que sites de revenda são solidariamente responsáveis, mesmo que os ingressos tenham sido adquiridos de terceiros.

Direitos do consumidor em compras de revenda

A compra de ingressos em sites de revenda não elimina os direitos previstos no CDC. O artigo 35 estabelece que, se o fornecedor recusar cumprir a oferta, o consumidor pode exigir o cumprimento forçado, aceitar outro produto equivalente ou rescindir o contrato com devolução do valor pago. No caso de ingressos cancelados, a via mais comum é a rescisão com reembolso.

Além disso, o artigo 42 prevê que a cobrança indevida ou o descumprimento da oferta geram direito à devolução em dobro, salvo engano justificável. Isso significa que, se o site de revenda vendeu um ingresso que não pôde entregar, o torcedor pode receber o dobro do que pagou. Em 2023, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou uma plataforma de revenda a pagar R$ 10 mil por danos morais a um torcedor que teve o ingresso cancelado para a final da Copa do Mundo de 2022.

Como funciona a revenda de ingressos

Sites de revenda atuam como intermediários entre vendedores e compradores. A plataforma não é a proprietária do ingresso, mas garante a transação. Quando o vendedor não entrega o bilhete ou o ingresso é cancelado pela organizadora, a responsabilidade recai sobre o site. A prática é legal, desde que o site não pratique preços abusivos ou venda ingressos sem autorização.

A FIFA, organizadora da Copa do Mundo, vende ingressos diretamente ao público por valores oficiais. Em 2022, os ingressos para a final custavam entre R$ 1.000 e R$ 20.000. Já sites de revenda cobravam até 10 vezes mais, sem garantia de entrega. A diferença de preço é o principal atrativo para os torcedores, mas também o maior risco.

O que fazer se o ingresso for cancelado

O primeiro passo é reunir provas: comprovante de pagamento, e-mails de confirmação e qualquer comunicação com o site. Em seguida, registrar reclamação no Procon do seu estado. Se o site não resolver, o caminho é o Juizado Especial Cível (JEC), que aceita causas de até 40 salários mínimos sem necessidade de advogado. Para valores acima, é recomendável contratar um advogado.

O prazo para reclamar é de até 90 dias para produtos não duráveis, como ingressos, contados a partir do evento. Passado esse prazo, o direito ao reembolso pode prescrever. A orientação é buscar a Justiça o mais rápido possível.

Responsabilidade do site de revenda

A responsabilidade do site de revenda é objetiva, ou seja, independe de culpa. O CDC considera o site como fornecedor, já que ele oferece o serviço de intermediação e recebe comissão. Em decisão de 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou que plataformas digitais de revenda respondem solidariamente por danos causados ao consumidor, mesmo que o vendedor seja terceiro.

Isso significa que, se o vendedor não entregar o ingresso, o site é obrigado a reembolsar o comprador. Se o site se recusar, o torcedor pode processá-lo diretamente. A Justiça tem sido favorável ao consumidor, com condenações que incluem devolução em dobro e danos morais.

Como evitar problemas na compra de ingressos

Algumas medidas reduzem o risco de cancelamento. Prefira sites de revenda que ofereçam garantia de entrega, como a devolução do dinheiro se o ingresso não for válido. Verifique se a plataforma tem reclamações no Procon ou no site Reclame Aqui. Desconfie de preços muito abaixo do mercado, que podem indicar golpe.

Outra dica é comprar ingressos oficiais, vendidos pela organizadora do evento. Embora mais caros, eles têm garantia de validade. Para eventos no Brasil, a venda de ingressos por cambistas é ilegal e pode ser enquadrada como crime de especulação.

Perguntas Frequentes

Posso processar o site de revenda se o ingresso for cancelado?

Sim. O CDC garante o direito ao reembolso integral e, em alguns casos, à devolução em dobro do valor pago. O site de revenda é solidariamente responsável.

Qual o prazo para pedir o reembolso?

O prazo é de 90 dias para produtos não duráveis, como ingressos, contados a partir do evento. Após esse período, o direito pode prescrever.

Preciso de advogado para processar o site?

Não, se o valor da causa for de até 40 salários mínimos. Nesse caso, você pode recorrer ao Juizado Especial Cível (JEC). Para valores maiores, é recomendável contratar um advogado.

O site de revenda pode se recusar a reembolsar?

Sim, mas a recusa pode ser contestada na Justiça. O site tem responsabilidade objetiva e pode ser condenado a pagar indenização por danos morais.

A venda de ingressos por cambista é crime?

Sim. A especulação de ingressos é crime no Brasil, com pena de detenção de 6 meses a 2 anos, além de multa.

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