Terras raras: corrida global acelera com restrições da China e fluxo bilionário
Restrições de exportação da China desde 2025 desencadearam uma nova corrida global por terras raras. Fundos do setor captaram US$ 2,45 bilhões no 1º trimestre de 2026, e a carteira média acumulou alta de 81% desde janeiro de 2025, segundo o Morgan Stanley.
Você já sentiu no bolso o impacto de uma guerra comercial que não começa no seu país? As restrições de exportação de terras raras adotadas pela China desde 2025 estão desencadeando uma nova corrida global por investimentos no setor, beneficiando empresas ligadas à mineração, processamento e fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, energia eólica, defesa, semicondutores e robótica, conforme aponta o Morgan Stanley.
As restrições de exportação de terras raras pela China desde 2025 aceleraram a corrida global por investimentos no setor. Segundo o Morgan Stanley, fundos temáticos captaram US$ 2,45 bilhões no 1º trimestre de 2026, e a carteira média acumulou alta de 81% desde janeiro de 2025. O G7 quer reduzir a dependência de um único fornecedor para menos de 60% até 2030.
Por que a China domina o mercado de terras raras
A China controla atualmente cerca de 60% da produção mundial de terras raras magnéticas, 91% do refino e 94% da fabricação de ímãs permanentes sinterizados, segundo os analistas do banco em relatório. Essa concentração ganhou relevância após duas rodadas de controles de exportação implementadas por Pequim, que afetaram o fornecimento global de elementos estratégicos.
O impacto já aparece nos preços e no fluxo de capital
O disprósio, metal utilizado em motores de veículos elétricos, acumulou alta próxima de 90% na Europa desde o fim de 2025. Enquanto isso, exportações chinesas de alguns elementos críticos para Estados Unidos e Japão registraram forte retração.
O relatório destaca que um bloqueio mais amplo das exportações poderia colocar em risco cerca de US$ 6,5 trilhões em produção industrial fora da China, com maior impacto para os setores automotivo, de defesa, eletrônicos e infraestrutura de energia renovável.
Fundos de terras raras captam US$ 2,45 bilhões e valorizam 81%
De acordo com o Morgan Stanley, os fundos temáticos ligados a recursos naturais e terras raras captaram US$ 2,45 bilhões líquidos apenas no primeiro trimestre de 2026, ajudando a encerrar uma sequência de dois anos de resgates na temática de Resource Management. O segmento administra atualmente cerca de US$ 69 bilhões em ativos.
Desde janeiro de 2025, a carteira média do grupo acumulou valorização de 81%, equivalente a um retorno anualizado de 61%.
Quem são as principais apostas fora da China
Entre as principais apostas identificadas pelo Morgan Stanley estão a australiana Lynas Rare Earths, a americana MP Materials e a australiana Iluka Resources. A participação dessas companhias nas carteiras cresceu desde o final de 2024, refletindo a busca por alternativas à cadeia chinesa. Ainda assim, os maiores pesos seguem concentrados em grupos chineses como China Northern Rare Earth, Xiamen Tungsten, Shenghe Resources e China Rare Earth.
Metas do G7 e União Europeia para reduzir dependência
Os líderes do G7 assumiram recentemente o compromisso de reduzir a dependência de qualquer fornecedor único de terras raras para menos de 60% até 2030. A União Europeia possui meta semelhante dentro do Critical Raw Materials Act.
O Morgan Stanley destaca que, para atender à demanda por ímãs de terras raras fora da China na próxima década, serão necessários aproximadamente US$ 60 bilhões em investimentos globais.
Investimentos privados amadurecem e miram gargalos
Desde 2020, cerca de US$ 4,5 bilhões foram direcionados ao setor, sendo mais da metade destinada a operações de fusões e aquisições. Mais de 30% das empresas mapeadas pelo banco já se encontram em estágios avançados de venture capital.
A Ásia continua liderando em número de empresas e avaliações, mas as Américas surgem como a principal alternativa para o desenvolvimento de uma cadeia de suprimento fora da China. Já a Austrália concentra o maior volume de capital investido.
Os investimentos privados avançados estão cada vez mais concentrados em etapas downstream da cadeia, como tecnologias de fabricação de ímãs, reciclagem e materiais substitutos, áreas consideradas gargalos para a expansão da produção fora da China.
Oportunidades de investimento ainda são limitadas
Nas Américas e na Europa, a maior parte dos IPOs realizados nos últimos seis anos envolve companhias de exploração mineral em estágio inicial. Fabricantes de ímãs permanentes, considerados um elo estratégico da cadeia, ainda praticamente não estão disponíveis nos mercados acionários, evidenciando uma lacuna entre a expansão da demanda e as oportunidades de investimento listadas.
Para o banco, a combinação de restrições chinesas, apoio governamental e crescente fluxo de capitais sugere que o tema das terras raras deve permanecer no centro das atenções dos investidores nos próximos anos.
Perguntas Frequentes
O que são terras raras?
São um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, energia eólica, defesa, semicondutores e robótica.
Por que a China domina a produção de terras raras?
A China controla cerca de 60% da produção mundial de terras raras magnéticas, 91% do refino e 94% da fabricação de ímãs permanentes sinterizados, segundo o Morgan Stanley.
Quais são as principais empresas fora da China?
Entre as principais apostas estão a australiana Lynas Rare Earths, a americana MP Materials e a australiana Iluka Resources.
Quanto será necessário investir para reduzir a dependência da China?
O Morgan Stanley estima que serão necessários aproximadamente US$ 60 bilhões em investimentos globais na próxima década.
Os fundos de terras raras estão valorizando?
Sim. Desde janeiro de 2025, a carteira média do grupo acumulou valorização de 81%, e os fundos captaram US$ 2,45 bilhões no primeiro trimestre de 2026.