# Taxas dos DIs perdem força sob influência do Fed, mas fecham com altas leves

> As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) perderam força durante a tarde, influenciadas por comentários do chair do Fed, Kevin Warsh, mas fecharam com altas leves. O movimento foi pressionado pelo petróleo Brent acima de US$ 90 e pelos dados do Caged acima do esperado, embora no pior ritmo para junho desde 2020.

*Global Forum · Economia · 29 de julho de 2026 · Tânia Lustosa*

As taxas dos DIs chegaram a cair durante a tarde após comentários do chair do Fed, Kevin Warsh, mas fecharam em alta leve, com o petróleo Brent superando US$ 90 e dados do Caged acima do esperado, embora no pior ritmo para junho desde 2020.

## Taxas dos DIs sob influência do Fed: o que mudou no mercado de juros futuros

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) no Brasil fecharam a sessão de 29 de julho com altas leves, após um dia de forte volatilidade. Os contratos futuros chegaram a cair durante a tarde, influenciados por comentários do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, e pelo avanço do petróleo Brent acima de US$ 90 o barril, mas recuperaram parte das perdas no fechamento.

Após sustentarem ganhos firmes de mais de 10 pontos-base pela manhã, as taxas dos DIs chegaram a virar para o negativo durante a tarde, em meio a comentários de Warsh, mas encerraram a sessão regular com altas leves, num dia em que o petróleo no exterior voltou a superar os US$ 90.

## Como o Fed influenciou as taxas dos DIs

O Federal Reserve manteve sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, como esperado pelo mercado. A decisão foi dividida: nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção, enquanto três defenderam um aumento de 25 pontos-base já na reunião.

Logo após o anúncio, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo e as taxas dos DIs desaceleraram os ganhos. Durante a entrevista coletiva de Warsh, o enfraquecimento se consolidou. Warsh ressaltou o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e disse que a instituição não hesitará em agir. Ao mesmo tempo, citou dados de inflação "animadores" e afirmou que os membros do comitê continuarão a acompanhar as informações de mercado.

"Parte dos dirigentes (do Fed) continua demonstrando preocupação com uma inflação que segue acima da meta e defende uma postura mais restritiva, o que levou os investidores a aumentar a probabilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses", ponderou Gabriel Redivo, sócio e diretor de gestão da Aware Investments. "Esse cenário pressiona principalmente a curva de juros americana, especialmente nos vencimentos mais curtos, e acaba refletindo também nos mercados emergentes, como o Brasil", acrescentou.

## Petróleo Brent e impacto na curva de juros brasileira

O avanço firme do petróleo Brent no exterior, para acima dos US$ 90 o barril, foi outro fator de suporte para a curva brasileira, em meio às preocupações do mercado com o efeito inflacionário da guerra no Oriente Médio. A alta da commodity pressiona as expectativas de inflação, o que se reflete nos prêmios de risco embutidos nas taxas futuras.

## Dados do Caged e desaceleração do mercado de trabalho

No Brasil, a perda de força das taxas futuras ocorreu já após os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram abertura de 145.161 vagas formais de trabalho em junho, acima dos 115.000 postos projetados por economistas ouvidos pela Reuters.

Apesar do resultado acima do esperado, o saldo de junho foi o menor para o mês desde 2020, quando 53.381 vagas foram fechadas durante a pandemia de Covid-19. Para o economista Rodolfo Margato, da XP, há sinais de desaceleração do mercado de trabalho brasileiro, e não de contração. "Projetamos que o ritmo médio de criação de empregos formais arrefecerá de aproximadamente 110 mil por mês em 2025 para 80 mil por mês em 2026", afirmou Margato em comentário escrito.

## Variação das taxas dos DIs ao longo do dia

O DI para janeiro de 2028 fechou a 13,995%, com alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,976% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,68%, com aumento de 4 pontos-base ante 14,64%.

Durante o dia, o DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 14,070% (+9 pontos-base) às 9h16 e a mínima de 13,925% (-5 pontos-base) às 16h02, em meio aos comentários de Warsh. Já o DI para janeiro de 2035 variou entre a máxima de 14,695% (+6 pontos-base) às 9h16 e a mínima de 14,585% (-6 pontos-base) às 15h, no minuto do anúncio do Fed.

O viés de baixa, no entanto, não se consolidou no Brasil, com as taxas voltando a exibir altas nos contratos a partir de janeiro de 2028, ainda que distantes das máximas do dia.

## Treasuries e o cenário global

Às 16h47, o rendimento do Treasury de dois anos, que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo, tinha queda de 4 pontos-base, a 4,234%, após ter sustentado ganhos firmes antes da decisão do Fed. Já o retorno do rendimento de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia 6 pontos-base, a 4,665%.

## Perguntas Frequentes

### O que fez as taxas dos DIs oscilarem durante o dia?

As taxas dos DIs oscilaram por influência de comentários do chair do Fed, Kevin Warsh, e pelo avanço do petróleo Brent acima de US$ 90, além dos dados do Caged no Brasil.

### O Fed mudou a taxa de juros na reunião?

O Fed manteve sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas a decisão foi dividida, com três membros votando por um aumento de 25 pontos-base.

### Qual foi o saldo de empregos formais no Brasil em junho?

O Caged mostrou abertura de 145.161 vagas formais em junho, acima dos 115.000 esperados, mas o pior resultado para o mês desde 2020.

### Como o petróleo influenciou as taxas dos DIs?

O petróleo Brent subiu acima de US$ 90, pressionando as expectativas de inflação e dando suporte à curva de juros brasileira.

### O que esperar das taxas dos DIs nos próximos meses?

O mercado acompanha a postura do Fed e os dados de inflação e emprego no Brasil, com projeções de desaceleração do mercado de trabalho e possíveis novos apertos monetários.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/taxas-dis-perdem-forca-sob-influencia-fed-mas-fecham-altas-leves/
