Economia

Taxas dos DIs fecham com altas firmes em dia de aversão a risco

ResumoAs taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em alta firme nesta quarta-feira, impulsionadas por aversão a risco global. O movimento reflete a busca por proteção diante de incertezas fiscais e externas, elevando o custo do dinheiro no curto e longo prazo.

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em alta firme nesta quarta-feira, em um pregão marcado por aversão a risco global. O movimento reflete a busca por proteção diante de incertezas fiscais e externas, com impactos diretos no custo do dinheiro no curto e longo p

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 17 de julho de 2026
Taxas dos DIs fecham com altas firmes em dia de aversão a risco

O mercado de juros futuros brasileiro registrou um pregão de alta firme nas taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) nesta quarta-feira, em meio a um cenário global de aversão a risco. O movimento, que elevou os prêmios de risco ao longo de toda a curva, reflete a combinação de incertezas fiscais domésticas e o pessimismo externo, que levou investidores a buscar proteção em ativos mais seguros.

As taxas dos DIs fecharam em alta firme nesta quarta-feira, refletindo o movimento de aversão a risco nos mercados globais. O DI com vencimento em janeiro de 2027 subiu de 14,65% para 14,72%, enquanto o DI para janeiro de 2029 avançou de 14,88% para 14,97%. O movimento foi puxado por incertezas fiscais domésticas e pelo pessimismo no exterior.

Aversão a risco global pressiona juros futuros

O clima negativo nos mercados internacionais foi o principal motor do avanço das taxas dos DIs. Dados econômicos mais fracos nos Estados Unidos e na Europa, somados a tensões geopolíticas renovadas, levaram investidores a reduzir a exposição a ativos de risco. Isso se refletiu na curva de juros brasileira, que opera em sintonia com o humor global.

Segundo o Banco Central, a taxa Selic foi mantida em 14,25% ao ano na última reunião do Copom, patamar que ainda pressiona as expectativas de inflação e os prêmios de risco. Em um ambiente de aversão a risco, os DIs tendem a subir, pois os agentes financeiros exigem maior retorno para carregar títulos brasileiros.

Incerteza fiscal doméstica amplia prêmio de risco

A percepção de risco fiscal no Brasil também contribuiu para a alta das taxas dos DIs. O mercado monitora de perto as discussões sobre o arcabouço fiscal e a capacidade do governo de cumprir as metas de resultado primário. A incerteza em relação à trajetória da dívida pública eleva o prêmio de risco embutido nos juros futuros.

Dados do Tesouro Nacional indicam que a dívida pública federal encerrou abril em R$ 7,2 trilhões, um aumento de 1,2% em relação ao mês anterior. Para analistas, esse crescimento reforça a necessidade de um ajuste fiscal consistente para ancorar as expectativas de juros de longo prazo.

Impacto na curva a termo: curto versus longo prazo

A alta firme foi observada em todos os vértices da curva de juros, mas com intensidade maior nos prazos mais longos. O DI para janeiro de 2031, por exemplo, subiu de 15,10% para 15,22%, enquanto o DI para janeiro de 2033 avançou de 15,25% para 15,38%. Esse movimento indica que o mercado precifica riscos mais elevados para o futuro, o que pode impactar decisões de investimento e consumo.

  • DI jan/27: 14,65% → 14,72% (+0,07 p.p.)
  • DI jan/29: 14,88% → 14,97% (+0,09 p.p.)
  • DI jan/31: 15,10% → 15,22% (+0,12 p.p.)
  • DI jan/33: 15,25% → 15,38% (+0,13 p.p.)

A ponta longa da curva, que reflete as expectativas para daqui a cinco anos ou mais, é a mais sensível a mudanças na percepção de risco fiscal e à trajetória da inflação. Quando o mercado enxerga riscos maiores, os prêmios exigidos sobem de forma mais acentuada nesses vértices.

Relação com a inflação e a política monetária

A alta das taxas dos DIs também está ligada às expectativas de inflação. O IPCA acumulado em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), ainda acima do centro da meta de 3,0%. Esse cenário mantém o Banco Central em alerta, com a Selic em nível restritivo.

A pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, aponta que o mercado espera a Selic encerrando 2026 em 14,00% e 2027 em 12,50%. Essas projeções indicam que o ciclo de aperto monetário pode estar próximo do fim, mas a queda dos juros depende de sinais concretos de desaceleração da inflação e de melhora no cenário fiscal.

O que esperar para os próximos dias

O movimento de alta firme nas taxas dos DIs pode se estender caso o cenário de aversão a risco global persista. Investidores devem ficar atentos à divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos, como o payroll e o CPI, que podem influenciar as expectativas para os juros americanos e, por consequência, os mercados emergentes.

No front doméstico, o foco se volta para a tramitação de pautas fiscais no Congresso e para a divulgação do Relatório de Receitas e Despesas, que pode trazer novos contingenciamentos. Qual sinal de fragilidade fiscal tende a pressionar ainda mais os prêmios de risco.

Perguntas Frequentes

O que são taxas dos DIs?

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) são referências para operações de curto prazo entre bancos e formam a base da curva de juros futuros no Brasil. Elas refletem as expectativas do mercado para a taxa Selic e para os prêmios de risco.

Por que as taxas dos DIs sobem em dias de aversão a risco?

Em momentos de incerteza, investidores buscam ativos mais seguros, o que reduz a demanda por títulos de risco e eleva os prêmios exigidos. Isso faz com que as taxas dos DIs subam, especialmente nos prazos mais longos.

Qual a diferença entre DI curto e DI longo?

O DI curto (vencimento em até um ano) reflete mais diretamente as expectativas para a Selic no curto prazo. O DI longo (acima de dois anos) incorpora riscos fiscais, inflação e prêmios de liquidez, sendo mais volátil em momentos de incerteza.

Como a alta dos DIs afeta o investidor?

A alta dos DIs eleva o custo do crédito e pode reduzir a atratividade de aplicações em renda variável. Para quem investe em títulos de renda fixa, o movimento pode representar ganhos se o investidor já estiver posicionado em taxas mais altas.

O que o mercado espera para a Selic?

Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa é de que a Selic encerre 2026 em 14,00% e 2027 em 12,50%, indicando um possível início de afrouxamento monetário no próximo ano, desde que a inflação e o risco fiscal deem sinais de melhora.

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