Economia

Tarifaço: setor de máquinas se reúne com Alckmin e rejeita reciprocidade

ResumoA Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reuniu-se com o vice-presidente Geraldo Alckmin para rejeitar a Lei da Reciprocidade. O presidente executivo José Velloso defendeu uma solução diplomática, não revanchista, em meio ao tarifaço americano. O setor busca evitar retaliações comerciais que prejudiquem a indústria nacional.

O setor de máquinas e equipamentos, representado pela Abimaq, se reuniu com Geraldo Alckmin e se posicionou contra a Lei da Reciprocidade. Para o presidente executivo da associação, José Velloso, a saída é diplomática, não revanchista. O encontro ocorre em meio ao tarifaço americ

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 22 de julho de 2026
Tarifaço: setor de máquinas se reúne com Alckmin e rejeita reciprocidade

O setor brasileiro de máquinas e equipamentos se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade como resposta ao tarifaço americano. Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin nesta terça-feira, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu a via diplomática e empresarial, e não a retaliação. Para o presidente executivo da entidade, José Velloso, a saída para o impasse comercial não passa pela revanche, mas pela negociação.

O tarifaço dos Estados Unidos prevê a cobrança de uma taxa extra de 25% sobre máquinas e demais produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções. A esse percentual, pode se somar uma cobrança adicional de 12,5%, ligada a uma acusação de trabalho forçado, o que elevaria a taxa total a 37,5%. Velloso explicou que, embora grave, esse empilhamento de tarifas é menos danoso do que os 25% aplicados exclusivamente ao Brasil, porque a cobrança de 12,5% atingiria também concorrentes de outros países., A tarifa de 25% é pior porque é uma tarifa para o Brasil. Então, tira a competitividade do nosso produto em relação ao produto asiático, ao europeu, de outras origens, afirmou.

A ressalva, segundo o dirigente, é que os Estados Unidos fabricam máquinas e competem diretamente com o produto brasileiro. Assim, a taxa extra de 12,5% faria o Brasil perder terreno para o fabricante americano, ainda que não em relação a asiáticos e europeus. Para Velloso, a medida tem caráter protecionista e seria uma forma de o governo americano contornar uma decisão recente da Suprema Corte do país.

Por que o setor rejeita a Lei da Reciprocidade

Velloso foi enfático ao dizer que a entidade é contrária ao uso da reciprocidade. Ele explicou que o mecanismo não é simples de acionar, pois depende de etapas como uma consulta pública no Brasil, na qual, em sua avaliação, a maioria dos setores se posicionaria contra. Para ele, retaliar não resolve um problema que é, na origem, político., Nós não somos a favor (da aplicação da Lei da Reciprocidade). Entendemos que nós temos que continuar pela via diplomática-empresarial, que é o que nós estamos fazendo. Para fazer a Lei de Reciprocidade, teria que fazer uma consulta pública antes, aqui no Brasil. E eu tenho a impressão de que, se essa consulta pública for feita, a maioria dos setores vão ser contra nessa consulta. E nós, com certeza, seremos, disse.

O dirigente lembrou uma audiência pública realizada em Washington pelo órgão de comércio dos Estados Unidos (USTR), na qual entidades e empresas americanas manifestaram apoio ao Brasil, sem praticamente nenhuma defesa da taxação de máquinas. Ainda que o governo americano tenha mantido a medida mesmo contra a vontade de seus próprios empresários, Velloso destacou que os argumentos econômicos pesam contra o tarifaço, como o fato de os EUA terem superávit no comércio com o Brasil desde 2009 e de as empresas americanas serem as que mais investem no país.

O impacto nas exportações e a busca por novos mercados

Diante do quadro, Velloso afirmou que a principal saída, com tarifa de 25% ou de 37,5%, é buscar novos compradores fora dos Estados Unidos. E, segundo ele, o setor tem mostrado fôlego para isso: mesmo com a queda nas vendas aos americanos, as exportações de máquinas cresceram 12% no acumulado dos últimos doze meses, em nível recorde. A fatia dos EUA nas exportações do setor, que já foi de 31% antes do tarifaço e de 26% na primeira fase, caiu para 22%., Mesmo caindo nos Estados Unidos, nós crescemos. Então, a expectativa é muito boa. É um setor que responde muito ao estímulo às exportações, disse.

As propostas apresentadas a Alckmin

Na reunião, a Abimaq apresentou propostas em duas frentes. A primeira busca baixar custos internos que encarecem o produto brasileiro, o chamado Custo Brasil, com medidas como a redução de tributos que sobram na cadeia de produção e dificultam a exportação, além de mais crédito, seguro e a devolução de impostos pagos por quem produz para vender ao exterior (o drawback).

A segunda frente pede ajustes no Brasil Soberano, programa de apoio às empresas afetadas pelo tarifaço. O principal ponto, nesse caso, é facilitar a entrada de empresas no programa. Velloso citou como exemplo a regra que exige que a companhia comprove já ter exportado aos Estados Unidos em determinado período., É um programa bom, que já mostrou resultado. Se a gente conseguir ampliar a elegibilidade, vamos conseguir melhorar ainda mais o resultado, afirmou.

O encontro, voltado só ao setor de máquinas, seria seguido de novas reuniões à tarde no ministério do Desenvolvimento com outros grupos de entidades. Segundo Velloso, o diálogo com Alckmin é constante, e a expectativa é de que o vice-presidente acolha as propostas e sinalize o que poderá avançar.

Perguntas Frequentes

O que é a Lei da Reciprocidade?

É um instrumento que permitiria ao Brasil retaliar os Estados Unidos com sobretaxas equivalentes, como resposta ao tarifaço americano. O setor de máquinas se posicionou contra seu uso.

Qual é a taxa do tarifaço americano sobre máquinas brasileiras?

O tarifaço prevê uma taxa extra de 25% sobre máquinas e produtos brasileiros fora da lista de exceções, podendo chegar a 37,5% com acréscimos.

O que o setor de máquinas propõe para enfrentar o tarifaço?

A Abimaq apresentou propostas para reduzir o Custo Brasil, com redução de tributos e mais crédito, e para ampliar o acesso ao programa Brasil Soberano.

Como estão as exportações do setor durante o tarifaço?

Mesmo com queda nas vendas aos EUA, as exportações de máquinas cresceram 12% nos últimos doze meses, em nível recorde. A fatia dos EUA caiu de 31% para 22%.

Quem participou da reunião com o governo?

O presidente executivo da Abimaq, José Velloso, se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir as propostas do setor.

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