# Tarifaço: Alckmin diz que reciprocidade não é retaliação e descarta 'olho por olho'

> Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica não configura retaliação contra os Estados Unidos. O vice-presidente descartou a adoção de medidas de "olho por olho" após reuniões com setores impactados pela tarifa de 25% imposta pelos EUA. A lei segue etapas processuais para avaliar impactos e definir ações proporcionais.

*Global Forum · Economia · 22 de julho de 2026 · Marcelo Iorio*

Após reuniões com setores atingidos pela tarifa de 25% dos EUA, Alckmin descartou retaliação e explicou que a Lei da Reciprocidade Econômica segue etapas. Entenda o impacto no caixa da sua empresa.

## Tarifaço: Alckmin explica reciprocidade e descarta retaliação contra os EUA

O erro de gestão que afunda muitas PMEs é reagir no calor da crise sem planejamento. No comércio exterior, a mesma lógica vale. Após reuniões com os setores atingidos pela tarifa de 25% aplicada pelo governo americano a produtos brasileiros, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse nesta terça-feira, 21, durante entrevista coletiva, que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo que tem etapas e descartou qualquer retaliação contra os Estados Unidos.

A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos, disse Alckmin, quando indagado por jornalistas sobre o fato de alguns dos setores terem se posicionado contra a aplicação da lei. A reciprocidade é, olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno, da forma adequada.

### O que muda para o empresário com a Lei da Reciprocidade Econômica

Aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional, essa legislação autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais em resposta a ações unilaterais de países ou blocos econômicos que prejudiquem a competitividade internacional do País.

Para o dono de PME que exporta ou depende de insumos importados, o ponto central é: a lei não age como um tapa imediato. Ela cria um arcabouço para o governo negociar e retaliar, se necessário, mas com prazo e critério. O caixa da empresa não pode esperar por uma solução instantânea.

### Drawback: o alívio pedido pelos setores afetados

Alckmin ainda relatou que os setores nacionais afetados pelo tarifaço colocaram na mesa a questão do drawback, pedindo a postergação do cumprimento das obrigações na exportação.

Quando eu exporto, eu não pago imposto. Então, se eu vou exportar um automóvel, tudo que eu comprei, aço, pneu, vidro, eu não pago imposto. Se eu deixei de exportar, eu preciso pagar o imposto. Então, ao invés de ter que pagar tudo isso, você posterga o drawback. Você vai ter mais seis meses, mais um ano, para poder recolocar esses produtos no mercado exterior, explicou.

Na prática, o drawback é um mecanismo que desonera a exportação. Se a empresa não consegue exportar por causa da tarifa, ela teria que devolver os impostos que não pagou. A postergação dá fôlego: mais seis meses ou um ano para encontrar novos compradores sem sangrar o caixa.

### Crédito e novos mercados: o que está em jogo

De acordo com Alckmin, os setores também pediram crédito para o Plano Brasil Soberano, para poder se preparar, ter mais investimento, capital de giro e buscar novos mercados.

O vice-presidente também sustentou que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) vai ter um papel importante para buscar novos mercados e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros.

Aqui, o empresário precisa de dois números: o prazo do crédito e a taxa. Sem eles, o plano vira promessa. O que se sabe é que a ApexBrasil será a ponte para destinos alternativos, como Ásia e África, onde a tarifa de 25% não se aplica.

### O que o dono de PME deve olhar primeiro

O caixa fala antes do balanço. Com a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, a primeira conta a fechar é a do fluxo de caixa. Se a exportação cai, o dinheiro que entra diminui. O drawback postergado evita uma saída imediata de impostos, mas não resolve a queda de receita.

A segunda conta é a de custos. Se a empresa importa insumos dos EUA, a tarifa pode encarecer a matéria-prima. Nesse caso, a Lei da Reciprocidade Econômica pode gerar contramedidas que aumentem ainda mais o custo. É um jogo de xadrez, não de tapa.

### Perguntas Frequentes

#### O que é a Lei da Reciprocidade Econômica?

É uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional que autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais contra países que prejudiquem a competitividade internacional do País.

#### Alckmin descartou retaliação contra os EUA?

Sim. Ele disse que a reciprocidade não é retaliação e descartou a ideia de olho por olho, afirmando que o processo tem etapas e deve ser feito no momento oportuno.

#### O que os setores afetados pediram ao governo?

Eles pediram a postergação do drawback e crédito para o Plano Brasil Soberano, com o objetivo de ter mais capital de giro e buscar novos mercados.

#### Qual o papel da ApexBrasil nesse cenário?

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos vai ajudar a buscar novos mercados e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros.

#### Como a tarifa de 25% afeta o caixa da PME?

A tarifa reduz a capacidade de exportar, o que diminui a receita. O drawback postergado alivia a pressão de impostos, mas o impacto no fluxo de caixa depende de cada setor.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/tarifaco-alckmin-diz-reciprocidade-nao-retaliacao-descarta-8216olho-por-olho8217/
