Vendas do setor de livros e jornais disparam 15,2% com sucesso de figurinhas da Copa
As vendas do setor de livros e jornais cresceram 15,2% em maio, puxadas pelo sucesso das figurinhas da Copa do Mundo. O dado, do IBGE, reflete a força do consumo sazonal e levanta questões sobre a dependência de eventos pontuais.
O setor de livros e jornais registrou alta de 15,2% nas vendas em maio de 2026, na comparação com abril. O número, divulgado pelo IBGE na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), tem um motor claro: o lançamento do álbum de figurinhas da Copa do Mundo. A pergunta que fica é quem, de fato, ganha com essa euforia temporária.
Segundo o IBGE, o crescimento de 15,2% no volume de vendas do setor de livros e jornais foi o maior para o mês desde o início da série histórica, em 2000. O resultado contrasta com a média do varejo restrito, que avançou apenas 0,5% no mesmo período. A disparidade mostra como um produto sazonal pode distorcer a leitura de um segmento inteiro.
O peso das figurinhas no bolso do consumidor
O álbum de figurinhas da Copa, vendido em bancas e livrarias, não é um item de alto valor unitário, cada pacote custa entre R$ 4 e R$ 8, dependendo do ponto de venda. Mas o volume de compras é expressivo. Em maio, a procura por figurinhas fez com que o setor de livros e jornais registrasse o maior faturamento nominal desde 2022.
Para o consumidor de baixa renda, o gasto com figurinhas pode comprometer parte do orçamento doméstico. Uma criança que compra três pacotes por semana gasta entre R$ 48 e R$ 96 no mês, valor próximo ao de uma cesta básica em algumas regiões. O dado do IBGE não discrimina por faixa de renda, mas pesquisas de consumo indicam que o gasto com itens sazonais como esse tende a se concentrar nas classes C e D.
Quem ganha com a alta?
As editoras que detêm os direitos de publicação do álbum, no caso, a Panini, que tem contrato com a Fifa, são as principais beneficiadas. O lucro líquido da empresa no segundo trimestre de 2026 deve refletir o pico de vendas do período, embora a Panini não divulgue dados trimestrais por país. Já as livrarias e bancas de jornal, que operam com margens apertadas, veem no álbum uma chance de aumentar o fluxo de clientes e vender outros produtos.
O setor de livros e jornais como um todo, no entanto, depende de eventos como a Copa para sustentar o crescimento. Em abril de 2026, antes do lançamento das figurinhas, as vendas do segmento haviam caído 1,8%. A oscilação revela a fragilidade de um mercado que não consegue manter o ritmo fora dos picos sazonais.
O impacto no varejo como um todo
A alta de 15,2% no setor de livros e jornais contribuiu para que o varejo ampliado (que inclui veículos e material de construção) registrasse crescimento de 1,2% em maio. Sem o impulso das figurinhas, o número seria menor. O IBGE não divulga o peso exato do segmento no índice geral, mas estimativas de mercado indicam que livros e jornais respondem por cerca de 3% do varejo restrito.
Para o consumidor, a febre das figurinhas tem um custo real. Além do gasto com os pacotes, há o deslocamento até as bancas e o tempo dedicado à troca de cromos repetidos. O dado do IBGE mostra que o setor de livros e jornais faturou R$ 2,8 bilhões em maio, um recorde para o mês. Mas o benefício não é uniforme: as grandes redes de livrarias, com maior poder de negociação, tendem a lucrar mais do que as bancas de bairro.
O que esperar para os próximos meses
A tendência é que as vendas do setor de livros e jornais recuem em junho, com o fim do pico inicial de lançamento do álbum. O IBGE divulgará os dados de junho em agosto previsão de vendas para o setor de livros e jornais. Historicamente, o segmento sofre quedas após eventos sazonais. Em 2022, as vendas caíram 4,3% em julho, na comparação com junho.
Para o mercado editorial, o desafio é transformar o pico sazonal em crescimento sustentável. As editoras investem em produtos licenciados, como álbuns de outros esportes ou temas infantis, mas nenhum tem o apelo da Copa do Mundo. O dado do IBGE de maio de 2026 é um retrato de um setor que vive de eventos: quando eles acontecem, o desempenho é excepcional; quando não, a realidade é de estagnação.
Perguntas Frequentes
O que causou o aumento de 15,2% nas vendas do setor de livros e jornais?
O principal fator foi o lançamento do álbum de figurinhas da Copa do Mundo, que impulsionou a procura por revistas e cromos em maio de 2026.
O dado do IBGE considera apenas livros e jornais ou inclui outros itens?
A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE inclui livros, jornais, revistas e papelaria. As figurinhas são classificadas como revistas ou papelaria, dependendo do formato.
Quanto o setor de livros e jornais faturou em maio de 2026?
O faturamento nominal do setor foi de R$ 2,8 bilhões em maio de 2026, segundo o IBGE.
O crescimento de 15,2% é sustentável?
Historicamente, o setor de livros e jornais apresenta quedas após picos sazonais. Em 2022, as vendas caíram 4,3% em julho, na comparação com junho.
Quem mais se beneficia com a venda de figurinhas da Copa?
As editoras que detêm os direitos de publicação, como a Panini, são as principais beneficiadas. Livrarias e bancas de jornal também ganham com o aumento do fluxo de clientes.