# Setores sem exceção à tarifa dos EUA: perda de competitividade real

> Setores sem exceção à tarifa dos EUA, como aço, alumínio e calçados, registraram perda de competitividade real no mercado americano. Dados do MDIC indicam queda de 12% nas exportações em maio. A tarifa imposta pelos EUA afeta diretamente a capacidade de precificação e o volume de vendas desses segmentos.

*Global Forum · Economia · 17 de julho de 2026 · Marcelo Iorio*

Setores sem exceção à tarifa dos EUA veem perda de competitividade no mercado americano. Aço, alumínio e calçados lideram perdas. Dados do MDIC mostram queda de 12% nas exportações em maio. Entenda o impacto e como ajustar sua estratégia.

O erro de gestão que afunda PMEs exportadoras é ignorar o peso das tarifas dos EUA sobre a competitividade. Quando o governo americano impõe tarifas adicionais sem exceção setorial, o custo do produto brasileiro sobe na hora. E quem paga a conta é o exportador, que perde margem ou mercado.

Setores sem exceção à tarifa dos EUA veem perda de competitividade real, com impacto direto no fluxo de caixa. Para o pequeno e médio empresário, o primeiro sinal de alerta é a queda no volume de pedidos. O caixa fala antes do balanço: se o produto fica mais caro que o do concorrente chinês ou mexicano, o comprador americano migra.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de aço para os EUA caíram 12% no primeiro semestre de 2025, comparado ao mesmo período de 2024. O alumínio recuou 9%, e os calçados, 7%. Esses são os setores sem exceção à tarifa dos EUA que mais sentem a perda de competitividade.

## Como as tarifas dos EUA afetam a competitividade brasileira

As tarifas adicionais, de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, foram anunciadas em 2024 e mantidas sem exceções setoriais. O MDIC estima que o custo médio de exportação para esses setores subiu entre 8% e 15%.

Para o empresário, isso significa que um lote de aço que antes custava US$ 100 mil agora custa US$ 125 mil ao comprador americano. Se o concorrente não paga a tarifa, a diferença de preço vira desvantagem decisiva.

### Impacto no aço e alumínio

O setor siderúrgico brasileiro é um dos mais afetados. O Brasil exportou, em 2024, cerca de 3,5 milhões de toneladas de aço para os EUA, segundo o Instituto Aço Brasil. Com a tarifa de 25%, a participação brasileira no mercado americano caiu de 8% para 6,5% em 2025.

O alumínio seguiu trajetória similar. A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) registrou queda de 9% nas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2025.

### Calçados e outros setores

Os calçados brasileiros, que já enfrentam concorrência asiática, perderam 7% do volume exportado para os EUA. O setor emprega 300 mil pessoas diretamente, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). A perda de competitividade pressiona margens e pode levar a demissões.

## O que o empresário deve olhar primeiro

O dono de PME exportadora precisa monitorar três indicadores: margem de contribuição por produto, volume de pedidos em dólar e taxa de câmbio real. Se a tarifa dos EUA reduz a margem em mais de 5%, é hora de reavaliar o mercado ou o produto.

Uma saída prática é buscar mercados alternativos, como América Latina e África, onde as tarifas são menores. Outra é negociar com o importador americano um rateio do custo extra. O caixa fala antes do balanço: se o fluxo de pagamentos não cobre o custo do frete e da tarifa, o negócio quebra.

## Dados oficiais e projeções

O Banco Central do Brasil, no Relatório de Inflação de junho de 2025, apontou que a taxa de câmbio real efetiva se valorizou 4,2% nos últimos 12 meses, o que agrava a perda de competitividade dos exportadores. Ou seja, além da tarifa, o real mais forte encarece o produto brasileiro lá fora.

O MDIC projeta que, mantidas as tarifas, as exportações dos setores sem exceção podem cair mais 5% a 8% em 2026. A perda de competitividade não é temporária: é estrutural.

## Estratégias para mitigar o impacto

- Diversifique mercados: América Latina, Oriente Médio e Sudeste Asiático têm tarifas menores ou acordos bilaterais.
- Revise o preço de exportação: calcule o custo real com tarifa e veja se ainda há margem para negociar.
- Busque linhas de crédito: o BNDES tem programas de apoio à exportação com taxas a partir de 6% ao ano.
- Invista em produtividade: reduzir custos internos compensa parte da perda externa.

como calcular margem de contribuição para exportação

## Perguntas Frequentes

### Quais setores são mais afetados pelas tarifas dos EUA?

Aço, alumínio e calçados são os mais impactados, com quedas de 7% a 12% nas exportações para os EUA em 2025, segundo o MDIC.

### Como a tarifa dos EUA afeta o preço final do produto?

A tarifa adicional de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio é cobrada na entrada do produto nos EUA, elevando o custo para o importador. Isso reduz a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes de países sem tarifa.

### O que fazer para não perder mercado?

Diversificar mercados, renegociar contratos com rateio da tarifa e buscar linhas de crédito do BNDES são as principais saídas. O MDIC recomenda também participar de missões comerciais para América Latina.

### A tarifa dos EUA é permanente?

Não há previsão de revisão até o fim de 2026, segundo comunicado do governo americano. O MDIC acompanha negociações bilaterais, mas não há sinal de mudança.

### Como calcular o impacto no meu negócio?

Pegue o valor FOB da exportação, aplique a alíquota da tarifa (25% para aço, 10% para alumínio) e veja a diferença no preço final. Se a margem de contribuição ficar abaixo de 10%, o negócio pode ficar inviável.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/setores-sem-excecao-tarifa-eua-veem-perda-competitividade/
