# Crise do STF nas redes tem efeito limitado sobre voto, diz levantamento

> Monitoramento da Palver entre 8 e 16 de setembro mostra que a crise do STF teve efeito limitado sobre o voto nas redes: apenas 1% a 6% das mensagens mencionam voto ou disputa presidencial. Entre os usuários que citam a eleição, a maioria reforça a escolha já tomada, indicando baixo poder de conversão eleitoral do tema.

*Global Forum · Economia · 16 de setembro de 2026 · Helena Drumond*

Monitoramento da Palver entre 8 e 16 de setembro aponta baixo alcance eleitoral da crise no STF: apenas 1% a 6% das mensagens nas redes mencionam voto ou disputa presidencial. Entre quem cita a eleição, a maioria reforça a escolha já tomada.

A crise no Supremo Tribunal Federal se conecta pouco à disputa eleitoral nas redes sociais. Levantamento da Palver, empresa de inteligência e análise do ambiente digital, mostra que apenas de 1% a 6% das mensagens sobre o episódio mencionam voto ou disputa presidencial, com variação conforme a plataforma. O dado aponta para baixo alcance eleitoral da crise.

O monitoramento cobriu Instagram, X, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp e Telegram entre 8 e 16 de setembro, e foi divulgado nesta quarta-feira (16).

## O que os números mostram sobre a decisão de voto

Entre os que citam voto ou disputa eleitoral na conversa sobre a crise, a maioria, de 37% a 75% conforme a rede, reforça a escolha já tomada. A parcela que declara reavaliar o voto fica entre 8% e 19%.

"A crise ocupa espaço amplo na conversa e se conecta pouco à decisão eleitoral. O padrão predominante é de confirmação de posição prévia, com conversão declarada residual no período medido", avalia a Palver.

Pesquisa Quaest divulgada nesta semana reforça o cenário: 67% dos brasileiros dizem que a crise no STF não influencia o voto para presidente, 22% afirmam que a turbulência institucional reforça a escolha atual e 7% dizem que poderiam trocar de candidato. A próxima rodada dos institutos deve incorporar a percepção após a sessão do plenário da terça.

## Desgaste se distribui pela Corte

O relatório observou que a sessão da terça produziu circulação intensa nas redes. Entre os usuários que responsabilizam alguém pela crise, de 62% a 68%, conforme a rede, atribuem o episódio ao ministro Alexandre de Moraes. Na sequência aparece o ministro André Mendonça, com 31% a 42% das citações.

As críticas ao STF como instituição aparecem em 42% a 55% de atribuição de desgaste, acima de qualquer ministro individualmente, exceto Moraes. "O custo de imagem não está concentrado em um indivíduo que possa ser afastado, substituído ou absolvido. Ele recai sobre o tribunal, e nenhum desfecho da disputa entre ministros o resolve de forma automática", avalia a empresa.

Após o início do julgamento, a atribuição de desgaste a Moraes recuou e as manifestações em defesa dele subiram. Mendonça seguiu o caminho inverso, com alta de desgaste e queda acentuada de defesa em todas as redes analisadas. As manifestações de defesa ao ministro Edson Fachin também caíram ao longo da terça.

## Caso Master atinge os dois campos

O debate sobre o caso do Banco Master atinge os dois lados, segundo a Palver. O desgaste recai sobre a família Bolsonaro e sobre o STF como instituição. Lula e o PT aparecem em patamar inferior, e Banco Central, Senado e Câmara registram atribuição residual.

O vínculo com a família Bolsonaro decorre do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, Dark Horse, pelo banqueiro Daniel Vorcaro com intermediação do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A atribuição a Lula decorre da associação entre Moraes e o campo governista.

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