# Nova nota fiscal: Receita adia exigência, pressão segue

> A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS adiaram a exigência do preenchimento dos campos de IBS e CBS na nota fiscal eletrônica. A flexibilização ocorre a poucos dias do prazo original, criando novo cronograma de adaptação. Empresas enfrentam riscos operacionais e jurídicos durante a transição, com necessidade de revisão de sistemas e processos para conformidade futura.

*Global Forum · Economia · 03 de agosto de 2026 · Helena Drumond*

A poucos dias do prazo, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS flexibilizaram o preenchimento dos campos de IBS e CBS na nota fiscal eletrônica. Entenda o novo cronograma e os riscos que seguem para as empresas.

## Receita adia exigência da nova nota fiscal, mas empresas seguem sob pressão

As empresas brasileiras ganharam um fôlego de última hora na adaptação aos documentos fiscais eletrônicos da Reforma Tributária. A poucos dias da primeira etapa, prevista para esta segunda-feira, 3 de agosto, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS decidiram flexibilizar a obrigatoriedade do preenchimento dos campos de CBS e IBS. O objetivo é evitar que notas fiscais eletrônicas sejam rejeitadas automaticamente pela ausência dessas informações.

## O que mudou no cronograma da nova nota fiscal?

A mudança foi anunciada em 1º de agosto, junto com o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026. O documento detalha um cronograma escalonado que distribui a obrigatoriedade entre agosto de 2026 e janeiro de 2027, conforme o tipo de documento, setor econômico e regime tributário. Até a última semana, a expectativa era de rejeição automática das notas sem os novos campos a partir de agosto. Agora, a Receita suspendeu temporariamente essa validação para documentos como NF-e, NFC-e, CT-e, BP-e e NFCom.

## Por que a flexibilização não elimina a pressão?

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo InfoMoney, a decisão reduz o risco imediato de paralisação do faturamento, mas não altera o principal desafio: adaptar sistemas, cadastros, contratos e processos internos a um período de convivência entre o novo e o atual modelo tributário até 2032. O tributarista Caio Cesar Braga Ruotolo, sócio do Silveira Advogados, resume o risco: "O maior problema não é uma autuação tributária, e sim a impossibilidade de emissão da nota fiscal caso o sistema esteja parametrizado incorretamente".

## O que realmente muda na rotina da sua empresa?

A inclusão dos novos campos não é simplesmente acrescentar uma alíquota de teste de 1%. O preenchimento depende da classificação tributária de cada operação, do regime aplicável, de benefícios fiscais, imunidades, reduções de base de cálculo e da identificação correta do destino. Como alerta Ruotolo, "a parametrização genérica pode até permitir a emissão da nota, mas gerar informações tributárias incorretas, criando problemas futuros para empresas e clientes".

## O risco invisível: a nota errada que o sistema aceita

Para Alexandre Jorge, sócio do BBL Advogados, o perigo não é só a nota rejeitada: "O risco mais visível é a nota que trava. O mais perigoso é a nota errada que o sistema aceita". Um documento autorizado com classificação incorreta pode comprometer a escrituração fiscal, a apropriação de créditos e até gerar responsabilidade solidária do comprador, prevista na Lei Complementar 214/2025.

## Adaptação além do departamento fiscal

A reforma não fica só no fiscal. Marco Aurelio Bottino Junior, sócio fundador do BBC Advogados, explica: "O problema atravessa a cadeia logística, porque uma indústria pode emitir corretamente a NF-e e, ainda assim, atrasar a entrega se o sistema da transportadora não conseguir gerar o CT-e ou o MDF-e com as informações adequadas".

## Empresas ainda não estão prontas

Estudos de mercado indicam que menos de 10% das empresas se consideram efetivamente prontas, enquanto cerca de 60% ainda não avaliaram completamente os impactos. Entre pequenas e médias empresas, quase metade sequer iniciou a adaptação. Jean Lucas Paiva, sócio da Consult Seven, reforça: "A reforma saiu do campo das teses tributárias e virou código de sistema, parametrização de ERP e rotina operacional".

## O que fazer agora?

Para Sabine Ingrid Schuttoff, sócia do DDSA Advogados, a instabilidade normativa às vésperas do prazo exige atenção: "A empresa precisou cruzar atos, notas técnicas e comunicados para entender o que realmente mudou". O desafio agora é acompanhar a entrega dos leiautes prometidos pelo governo, com especificações previstas entre setembro e novembro, comprimindo o período de testes.

Nesta fase, não haverá multas imediatas para quem deixar de preencher os campos de IBS e CBS, mas a nota em desacordo pode perder validade operacional, comprometendo faturamento e recebimento. A flexibilização não é um adiamento da reforma, mas uma oportunidade para acelerar testes. reforma tributária 2026 impactos

## Perguntas Frequentes

### A nova nota fiscal foi adiada?

Não. A obrigatoriedade foi escalonada, com suspensão temporária da rejeição automática. O cronograma vai até janeiro de 2027, e a adaptação continua obrigatória.

### Quais documentos foram afetados pela suspensão?

A suspensão da validação automática vale para NF-e, NFC-e, CT-e, BP-e e NFCom.

### Haverá multa para quem não preencher os campos de IBS e CBS agora?

Nesta fase de testes, não há multas imediatas, mas a nota emitida em desacordo pode perder validade operacional.

### O que acontece se o sistema emitir nota com classificação errada?

A nota pode ser autorizada, mas gerar informações tributárias incorretas, comprometendo escrituração, créditos e até a responsabilidade solidária do comprador.

### Quando os novos leiautes estarão disponíveis?

Alguns sistemas terão especificações publicadas entre setembro e novembro, o que reduz o tempo disponível para testes.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/economia/receita-adia-exigencia-nova-nota-fiscal-mas-empresas-seguem-sob-pressao/
