IBC-Br cai 0,22% e reforça cortes de juros no 3º tri
Prévia do PIB recuou 0,22% em julho, com perdas disseminadas entre indústria, agro e impostos. Para economistas, dado abre espaço para o Copom seguir cortando a Selic e chegar a 13,25% em dezembro.
A prévia do Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,22% em julho ante junho, com ajuste sazonal. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) confirmou a perda de fôlego da economia e, para economistas ouvidos pelo mercado, dá combustível para o Comitê de Política Monetária (Copom) seguir cortando juros, em vez de pausar o ciclo.
O que o dado mostra: serviços ficaram estáveis (0,0%), indústria caiu 0,4%, o indicador de impostos recuou 0,2% e a agropecuária perdeu 1,2%. Na comparação com julho do ano passado, o índice subiu 3,8%, mas a leitura mensal é a que pesa na decisão de política monetária.
Para Alexandre Maluf, economista da XP, a abertura setorial confirma a desaceleração doméstica. A casa projeta PIB estagnado no terceiro trimestre e mantém estimativa de crescimento de 1,7% em 2026. No cenário da XP, o Copom leva a Selic a 13,25% até dezembro.
Paula Sauer, professora da FIA Business School, pondera que a alta de 3,8% na base anual pede cautela, já que houve avanço disseminado entre os três componentes do índice, influenciado por fatores internacionais.
O relatório do Goldman Sachs aponta carregamento estatístico (carry-over) negativo de 0,7% para o terceiro trimestre. A instituição vê a atividade sustentada por transferências fiscais e mercado de trabalho forte, mas mitigada por condições financeiras apertadas e endividamento das famílias.
A Suno Research atribui a retração aos efeitos defasados dos juros elevados sobre a demanda da indústria e à desaceleração do setor extrativo. Rafael Perez, economista da casa, cita ainda perda de confiança das famílias e crédito mais caro limitando serviços. A Suno projeta PIB de 0,2% no trimestre e 1,9% no ano. A Mag Investimentos também vê o 3º trimestre perto da estabilidade.
No mercado, a aposta é de corte de 0,25 ponto nesta quarta-feira (16), levando a Selic a 13,75%. Rafael Pastorello, do Banco Sofisa, diz que o IBC-Br reforça a percepção de que a política restritiva chega "de forma mais clara" à atividade, mas espera comunicação cautelosa do BC.
André Valério, economista sênior do Inter, afirma que o dado abre espaço para o afrouxamento continuar: "Esperamos que a trajetória de moderação da atividade permita com que o Copom continue cortando a Selic além da reunião de hoje". Ele projeta 13,25% em dezembro.
A Genial Investimentos projeta alta sutil de 0,1% no PIB do trimestre. Yihao Lin, economista da corretora, avalia que o enfraquecimento amplia a discussão sobre cortes adicionais, mas não os torna automáticos. O cenário-base prevê o corte para 13,75% como o último do ano, com risco de novo afrouxamento em novembro.
Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, lembra que o ano acumula alta de 1,5% e diz que o mercado olhará mais o comunicado do BC do que o corte em si. "A grande questão é saber se 13,75% será uma pausa no ciclo ou apenas mais uma etapa da queda dos juros", pontua.
A transmissão do alívio monetário à ponta é lenta. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, explica que a política monetária chega primeiro aos mercados financeiros e só depois à economia real. Alberto Friggi, da Friggi & Secco, projeta melhora perceptível em crédito e capital de giro apenas ao longo de 2027.
No ambiente externo, Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, projeta Fed elevando juros em 0,25 ponto devido à inflação persistente. Segundo ele, um Fed mais duro fortalece o dólar e limita cortes mais rápidos no Brasil.
Para o dono de PME, o recado é prático: com Selic ainda em dois dígitos, o capital de giro continua caro. Quem tem dívida atrelada ao CDI deve simular o custo até dezembro antes de decidir novas captações. E quem depende de crédito para investir precisa considerar que a queda chega devagar ao caixa. O Brasil registrou PIB de R$ 11,744 trilhões em 2024, segundo o IBGE [1], o que dá escala ao desafio de retomar crescimento com juro alto.