Putin aposta em recuperação da Bolsa russa e afasta temor
Putin afirmou esperar recuperação gradual da Bolsa russa e rejeitou rumores sobre congelamento de depósitos. Ministério das Finanças reduziu compras diárias de moeda estrangeira para 2,5 bilhões de rublos.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (3) que espera uma recuperação gradual da Bolsa russa, desde que os indicadores macroeconômicos do país sejam preservados e fortalecidos. Em declarações durante a sessão plenária do Fórum Econômico do Leste, reunidas pelo pool de imprensa do Kremlin via agência RIA Novosti, o líder russo rejeitou rumores sobre um possível congelamento de depósitos bancários e defendeu novos investimentos privados na proteção de refinarias.
Putin classificou como "boatos bastante estúpidos" as especulações sobre congelamento de depósitos. Segundo ele, o aumento das aplicações nos bancos está relacionado às taxas de juros elevadas. Sobre o mercado acionário, o presidente disse que ele está "em uma pequena queda", mas tende a se recuperar caso o cenário macroeconômico permaneça favorável.
No setor de petróleo, Putin afirmou que grandes companhias russas investem dezenas de bilhões de rublos na proteção de refinarias. Um decreto que permite administração temporária de ativos de infraestrutura crítica tem como objetivo estimular esses investimentos, e não promover nacionalização. "Esse, e somente esse, é o sentido e o objetivo do decreto", declarou. Ainda restam cerca de 10% das manutenções planejadas nas refinarias.
O Ministério das Finanças informou que os pagamentos às companhias de petróleo pelo mecanismo de amortecimento dos combustíveis somaram 197,3 bilhões de rublos (US$ 2,27 bilhões) em agosto, acima dos 113 bilhões de rublos (US$ 1,3 bilhão) em julho. Nos primeiros sete meses de 2026, as empresas receberam 898,9 bilhões de rublos (US$ 10,36 bilhões).
A pasta também reduziu as compras de moeda estrangeira e ouro. Entre 7 de setembro e 6 de outubro, as aquisições serão de 2,5 bilhões de rublos (US$ 28,8 milhões) por dia, ante 6,5 bilhões de rublos (US$ 74,92 milhões) no período anterior. Com ajuste do Banco da Rússia, as compras líquidas cairão para 1,92 bilhão de rublos (US$ 22,13 milhões) diários.
Sobre a guerra na Ucrânia, Putin afirmou que ainda vê chances de acordo: "Há chances? Na minha opinião, sim, elas existem". Ele citou Estados Unidos e China como países que tentam contribuir, e disse que Moscou mantém contatos com o governo de Donald Trump, inclusive via serviços de inteligência. Ataques contra embarcações civis russas e alertas de aviação dificultam retomada de negociações bilaterais, classificados por Putin como "terrorismo de Estado".
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, alertou companhias aéreas sobre drones ucranianos no espaço aéreo russo, afirmando que alvos são instalações militares. A Ucrânia pediu à agência de aviação da ONU que recomende proibição de operações no espaço aéreo russo. Não houve novas negociações de paz desde fevereiro, e os dois lados intensificaram ataques de longo alcance.
Putin disse que tropas russas avançam diariamente na linha de contato e descartou nova mobilização militar, classificando rumores como "operação de informação" do adversário.