Economia

Por que empresas de IA recrutam eletricistas e carpinteiros aos milhares

ResumoEmpresas de IA como OpenAI, Google e Meta recrutam milhares de eletricistas e carpinteiros nos EUA para construir data centers. A demanda elevou salários e gerou tensão no mercado de trabalho da construção civil. O boom da inteligência artificial impulsiona investimentos de centenas de milhões em treinamento e contratação desses profissionais.

O boom da inteligência artificial está gerando uma corrida por trabalhadores da construção civil nos EUA. Empresas como OpenAI, Google e Meta investem centenas de milhões para treinar e contratar eletricistas e carpinteiros, elevando salários e criando tensão no mercado de trabal

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 30 de julho de 2026
Por que empresas de IA recrutam eletricistas e carpinteiros aos milhares

O boom da inteligência artificial está reconfigurando o mercado de trabalho nos Estados Unidos, mas não apenas para programadores. Empresas como OpenAI, Google e Meta estão recrutando milhares de eletricistas e carpinteiros para construir e operar centros de dados, a infraestrutura física que sustenta seus modelos de IA. Salários em centros de dados pagam 42% a mais que empregos similares, segundo o Indeed. A pergunta que fica é: quem ganha e quem perde nessa corrida?

Tyler Shelton, eletricista em treinamento em Detroit, vê colegas sendo enviados para um imenso centro de dados da OpenAI em Saline Township, Michigan. "Todo mundo quer esse dinheiro", diz. O projeto é o maior investimento individual da história do estado, exigindo centenas de eletricistas em jornadas de 10 horas, sete dias por semana. Mas Shelton tem sentimentos ambivalentes: "Gostaria de ter uma casa no próximo ano, mas também gosto de ter uma vida fora do trabalho".

A corrida por mão de obra qualificada

Os megaprojetos de IA estão atraindo trabalhadores para locais remotos com salários e bônus recordes. No Centro de Treinamento da Indústria Elétrica de Detroit, cerca de 850 aprendizes treinam entre longos dias de trabalho. A competição é tão intensa que empreiteiros recorrem a serviços de recrutamento como a Aerotek.

"Está criando uma tensão trabalhista muito delicada", diz Marty Schager, diretor de desenvolvimento de mercado de centros de dados da Aerotek. "Há uma comunidade de candidatos passivos por aí que está procurando aproveitar essa corrida do ouro de centros de dados que ocorre uma vez por geração."

Investimentos bilionários em treinamento

A próxima geração de eletricistas está no centro das atenções das gigantes de IA. O Google, por meio de uma parceria com a International Brotherhood of Electrical Workers (IBEW) e empreiteiros, planeja aumentar o número anual de matrículas em programas de aprendizagem de 19.500 para 30.000 nos próximos três anos, como parte de um programa de US$ 50 milhões. Outra doação da BlackRock, gestora de ativos, ampliaria canais de treinamento para seus centros de dados no Texas, parte de um esforço de US$ 100 milhões.

A Meta, por sua vez, destinou US$ 115 milhões para o primeiro ano de um compromisso plurianual de treinamento de trabalhadores da construção civil, começando com cerca de 5 mil participantes. Eles completarão um curso de quatro semanas, com viagem e hospedagem pagas, e depois trabalharão em canteiros da empresa.

O impacto no mercado de trabalho

O boom dos centros de dados compensou a atividade em declínio em outros setores, como construção de escritórios, que nunca se recuperou após a pandemia. A habitação foi prejudicada pelas altas taxas de juros, e a energia eólica offshore, pela oposição política. Ainda assim, a competição por mão de obra está começando a pesar sobre outras partes da indústria.

"Não há dúvida de que os recursos são muito limitados, então as decisões de construir uma coisa meio que tiram recursos de outra", diz Mario Iacobacci, diretor da prática de consultoria em construção e infraestrutura da Oxford Economics.

O papel dos sindicatos

Sean McGarvey, presidente da North America's Building Trades Unions, que representa 3 milhões de trabalhadores, diz que suas afiliadas gastam cerca de US$ 2,5 bilhões anualmente em programas de aprendizagem. Ele critica o treinamento de quatro semanas da Meta como "um movimento brilhante de relações públicas", argumentando que um mês não se compara a um aprendizado de quatro anos.

Anthony Abrantes, secretário-tesoureiro assistente executivo do Conselho Regional dos Carpinteiros dos Estados do Atlântico Leste, alerta que os desenvolvedores de centros de dados precisam de credibilidade local. "Essas indústrias fizeram um péssimo trabalho em conter a retórica e educar as comunidades", diz.

Perguntas Frequentes

Por que empresas de IA precisam de eletricistas e carpinteiros?

Elas precisam construir e manter centros de dados, a infraestrutura física que processa e armazena dados para treinar e operar modelos de inteligência artificial.

Quanto pagam os empregos em centros de dados?

Segundo o Indeed, os empregos por hora em instalação e manutenção em centros de dados pagam 42% a mais do que empregos similares em outras áreas.

Quais empresas estão investindo em treinamento?

Google (US$ 50 milhões), Meta (US$ 115 milhões) e BlackRock (parte de US$ 100 milhões) têm programas de treinamento para trabalhadores da construção civil.

O boom dos centros de dados afeta outros setores?

Sim. A competição por mão de obra, terra e materiais está desviando recursos de outros setores, como construção de escritórios e habitação.

Os sindicatos apoiam esses projetos?

Depende. A OpenAI prometeu trabalhar com sindicatos. Já o programa da Meta, administrado por uma associação não sindical, é criticado por oferecer treinamento curto demais.

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