Pingente de Elizabeth I pode ser leiloado por R$ 1,1 milhão após descoberta histórica
Um pingente de ouro do século XVI, associado à rainha Elizabeth I, pode ser leiloado por até R$ 1,1 milhão. A peça foi redescoberta em uma coleção particular na Inglaterra e traz inscrições que ligam a monarca a um dos momentos mais turbulentos de seu reinado.
Um pingente de ouro do século XVI, ligado à rainha Elizabeth I, está prestes a ir a leilão na Inglaterra com estimativa de até R$ 1,1 milhão. A peça, redescoberta em uma coleção particular, carrega inscrições que a conectam a um dos episódios mais emblemáticos do reinado da monarca: a derrota da Armada Espanhola, em 1588. Mais do que uma joia, o pingente é um fragmento de poder, fé e propaganda política de uma era em que a Inglaterra se afirmava como potência marítima.
O pingente é feito de ouro, com esmaltação e uma pérola em formato de gota. A inscrição em latim, segundo especialistas, faz referência direta à vitória sobre a Armada Invencível de Filipe II da Espanha. "A peça não é apenas um adorno; é um símbolo de resistência e afirmação nacional", afirma um historiador consultado pela casa de leilões. O valor estimado, entre 800 mil e 1,1 milhão de reais, reflete essa raridade histórica e o estado de conservação excepcional.
A descoberta ocorreu durante a catalogação de um espólio familiar no interior da Inglaterra. A peça estava em uma caixa de veludo, esquecida por décadas. "Ela estava ali, como se esperasse o momento certo para contar sua história", disse o avaliador responsável. O episódio lembra outros achados recentes de ourivesaria Tudor, como o medalhão de ouro de Henrique VIII, leiloado em 2020 por valor equivalente.
Para além do valor material, o pingente levanta questões sobre quem o encomendou e por quê. No século XVI, joias com inscrições políticas eram comuns entre a nobreza próxima à corte. A peça pode ter sido um presente real a um aliado, um símbolo de lealdade ou até mesmo um item de propaganda pessoal de Elizabeth, que sabia usar a imagem como instrumento de poder.
O leilão está marcado para o final de 2026, em Londres, e já atrai interesse de museus e colecionadores particulares. A casa de leilões responsável, especializada em objetos históricos, espera que o preço final supere a estimativa inicial, dado o apelo da figura de Elizabeth I e o contexto da Armada Espanhola, tema recorrente em exposições e estudos históricos.
Entretanto, a autenticidade e a procedência da peça são pontos de escrutínio. Especialistas em ourivesaria Tudor e epigrafia analisam as inscrições e a técnica de ourivesaria para confirmar a datação. "Não há dúvidas de que é uma peça do período, mas a ligação direta com Elizabeth I exige mais evidências", pondera um professor de história da Universidade de Oxford, que preferiu não se identificar.
O mercado de antiguidades históricas tem visto alta nos últimos anos, com peças ligadas a figuras reais alcançando valores milionários. Em 2023, um anel de Elizabeth I foi vendido por 520 mil libras (cerca de R$ 3,5 milhões). A tendência reflete o interesse crescente por objetos que contam histórias de poder e conflito.
Para o comprador, o pingente representa não apenas um investimento, mas um pedaço tangível da história. "Você não está comprando ouro; está comprando uma narrativa de 400 anos", resume um consultor de investimento em arte, que prefere não ser nomeado. A pergunta que fica é: quem terá o privilégio de possuir esse fragmento do passado?
Perguntas Frequentes
O pingente de Elizabeth I é autêntico?
Especialistas em ourivesaria Tudor e epigrafia analisam a peça, mas a autenticidade é amplamente aceita, com base no estilo, técnica e inscrições.
Quanto vale o pingente de Elizabeth I?
A estimativa do leilão é de até R$ 1,1 milhão, mas o valor final pode superar a expectativa devido ao interesse de museus e colecionadores.
Onde será o leilão do pingente?
O leilão ocorrerá em Londres, no final de 2026, em uma casa especializada em objetos históricos.
Por que o pingente é tão valioso?
O valor reflete a raridade, o estado de conservação, a ligação com Elizabeth I e o contexto histórico da Armada Espanhola.
Quem descobriu o pingente?
A peça foi redescoberta durante a catalogação de um espólio familiar no interior da Inglaterra, por um avaliador de antiguidades.