Economia

Petróleo fecha em alta com aumento das tensões no Oriente Médio após ataques em Ormuz

ResumoO petróleo Brent e o WTI fecharam em alta nesta quarta-feira, 28 de maio de 2026, com o Brent subindo 3,8% para US$ 89,40 o barril e o WTI avançando 4,1% para US$ 85,70. A escalada militar após ataques a navios no Estreito de Ormuz ameaça o fluxo de 20% do suprimento global de petróleo.

O petróleo fechou em alta nesta quarta-feira, 28 de maio de 2026, com o aumento das tensões no Oriente Médio após ataques a navios no Estreito de Ormuz. O Brent subiu 3,8%, para US$ 89,40 o barril, enquanto o WTI avançou 4,1%, a US$ 85,70. A escalada militar ameaça o fluxo de 20%

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 07 de julho de 2026
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Petróleo fecha em alta com aumento das tensões no Oriente Médio após ataques em Ormuz

O petróleo fechou em alta com o aumento das tensões no Oriente Médio após ataques a navios no Estreito de Ormuz. O Brent subiu 3,8%, para US$ 89,40 o barril, e o WTI avançou 4,1%, a US$ 85,70. A região responde por cerca de 20% do petróleo global, e qualquer interrupção eleva prêmios de risco.

Por que o petróleo subiu hoje com os ataques em Ormuz

O ataque a dois petroleiros na manhã de quarta-feira perto do Estreito de Ormuz reacendeu o temor de um bloqueio na passagem marítima mais crítica do mundo. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), cerca de 20 milhões de barris de petróleo passam diariamente por Ormuz, o equivalente a 20% do consumo global. Com a escalada, traders passaram a precificar um risco de interrupção de oferta que não se via desde 2019.

O mercado de futuros reagiu imediatamente. O contrato do Brent para julho saltou de US$ 86,10 para US$ 89,40, maior nível desde outubro de 2024. O WTI, referência americana, subiu de US$ 82,30 para US$ 85,70. O volume negociado na ICE Futures Europe foi 40% acima da média dos últimos 30 dias, sinal de busca por proteção.

Impacto dos ataques no Estreito de Ormuz sobre o preço do barril

O Estreito de Ormuz conecta os produtores do Golfo Pérsico, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, aos mercados globais. Qualquer ameaça à navegação ali afeta diretamente a oferta de petróleo. O ataque desta quarta-feira atingiu um navio com bandeira das Ilhas Marshall e outro com bandeira das Bahamas, ambos carregados de petróleo bruto com destino à Ásia.

A seguradora de transportes marítimos Lloyd's Market Association elevou o prêmio de risco para a região de 0,05% para 0,25% do valor da carga, o que encarece o frete e, por tabela, o barril. O governo iraniano negou envolvimento, mas o Irã tem histórico de usar Ormuz como instrumento de pressão geopolítica.

Como as tensões no Oriente Médio afetam o mercado de petróleo

O mercado de petróleo opera em regime de prêmio de risco geopolítico. Quanto maior a chance de interrupção de oferta, maior o valor embutido no barril. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que um bloqueio total de Ormuz por 30 dias reduziria a oferta global em 600 milhões de barris, elevando o preço para entre US$ 120 e US$ 150 o barril no curto prazo.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) tem capacidade ociosa de cerca de 4 milhões de barris por dia, concentrada na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Mas essa capacidade não compensa integralmente uma parada em Ormuz, porque parte do petróleo saudita e dos Emirados também escoa pelo estreito. A rota alternativa, via oleoduto terrestre, tem capacidade limitada a 1,5 milhão de barris por dia.

Perspectivas para o petróleo com a escalada no Oriente Médio

Analistas consultados pela Reuters projetam que, mantido o nível atual de tensão, o Brent deve oscilar entre US$ 85 e US$ 95 o barril nas próximas semanas. Se houver novos ataques ou bloqueio parcial, o teto pode subir para US$ 105. O cenário de desescalada, com cessar-fogo ou negociação, traria o Brent de volta aos US$ 78-82.

O mercado também monitora a reação dos estoques estratégicos. Os Estados Unidos mantêm 375 milhões de barris na Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), suficiente para 18 dias de consumo nacional. O governo Biden já sinalizou que pode liberar até 30 milhões de barris para conter alta, mas isso não resolve o problema estrutural de oferta.

O que significa a alta do petróleo para o Brasil

O Brasil é autossuficiente em petróleo, mas não está imune à alta global. A Petrobras, que responde por 73% da produção nacional, tem política de paridade internacional. Segundo o Banco Central, cada alta de US$ 10 no barril do Brent eleva a inflação brasileira em 0,3 ponto percentual em 12 meses, via combustíveis e derivados.

A gasolina e o diesel já acumulam alta de 8% e 12%, respectivamente, no ano. Se o Brent se mantiver acima de US$ 85, a Petrobras pode reajustar os preços nas refinarias em até 5% nas próximas semanas, o que pressiona o IPCA e a taxa Selic.

Perguntas Frequentes

O petróleo vai continuar subindo?

Depende da evolução do conflito. Se houver novos ataques ou bloqueio em Ormuz, o Brent pode chegar a US$ 100. Se as tensões arrefecerem, o preço tende a recuar para a faixa dos US$ 78-82.

O que é o Estreito de Ormuz?

É a passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, por onde passam 20% do petróleo e 25% do gás natural liquefeito do mundo.

Como o ataque em Ormuz afeta o preço dos combustíveis no Brasil?

Pela política de paridade internacional da Petrobras, a alta do Brent se reflete nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias, o que chega ao consumidor final em até 15 dias.

O Brasil tem reservas estratégicas de petróleo?

Não. Diferente dos EUA, o Brasil não mantém reserva estratégica pública. A Petrobras opera com estoques operacionais de 30 a 45 dias de produção.

Qual o papel da OPEP na crise de Ormuz?

A OPEP tem capacidade ociosa, mas não consegue compensar um bloqueio total de Ormuz porque parte de sua produção também depende do estreito para exportar.

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