Economia

Brent supera US$ 100: impacto da guerra no Irã

ResumoO Brent superou US$ 100 por barril em 9 de outubro, impulsionado pela escalada do conflito no Irã. O patamar recorde reflete risco de interrupção no fornecimento do Golfo Pérsico, elevando custos logísticos globais. No Brasil, a alta tende a pressionar a gasolina e o diesel nas refinarias, com repasse parcial ao consumidor final.

O Brent superou US$ 100 por barril nesta quarta-feira, 9, com a intensificação da guerra no Irã. Entenda o que isso significa para o mercado global e para o preço dos combustíveis no Brasil.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 09 de setembro de 2026
Brent supera US$ 100: impacto da guerra no Irã

O petróleo Brent, referência global, superou a barreira simbólica de US$ 100 por barril nesta quarta-feira, 9, pela primeira vez desde 24 de julho. A alta reflete o agravamento da guerra no Irã e o temor de interrupção no fluxo de petróleo do Oriente Médio, rota que abastece parte relevante do consumo mundial.

Os contratos futuros do Brent subiram US$ 2,15, ou 2,2%, para US$ 100,07 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA avançou US$ 1,70, ou 1,83%, para US$ 94,73. Os preços acumulam alta de um quarto desde o início do mês passado, conforme diminuem as esperanças de solução para o conflito entre EUA e Irã, que já dura seis meses.

Nesta semana, ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, a instalações de energia sauditas incendiaram unidades petrolíferas, com risco de expansão do conflito. Os ataques podem ameaçar embarques pelo Mar Vermelho, rota alternativa ao Estreito de Ormuz, onde o fluxo de petróleo caiu drasticamente desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

O economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti, informou que, na semana anterior à retomada dos combates, em 30 de agosto, cerca de 8 a 9 milhões de barris por dia (bpd) passavam por Ormuz, o dobro da semana prévia. Mais recentemente, o volume caiu para menos de 2 milhões de bpd. A Agência Internacional de Energia projetou, no mês passado, queda de 4,3 milhões de bpd, ou cerca de 4%, na oferta global de petróleo neste ano, mesmo com aumento de produção fora da OPEP, incluindo EUA, Canadá e Guiana.

Para o consumidor, o efeito tende a chegar com defasagem: custos maiores de energia e logística pressionam combustíveis, frete e alimentos. Bancos como Goldman Sachs, Bank of America e HSBC já elevaram suas previsões para o preço do bruto nos últimos dias, sinalizando que o alívio pode demorar.

impacto da alta do petróleo nos combustíveis

A pergunta que fica é quem paga a conta dessa escalada. Em um cenário de oferta global apertada, o preço do barril não é apenas um número de tela: ele se traduz em custo de produção, transporte e, no fim da cadeia, no orçamento doméstico. Enquanto o conflito não arrefece, a tendência é de volatilidade e pressão sobre a inflação.

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