Economia

Panamá-Mercosul: acordo amplia mercado, diz embaixador

ResumoO acordo entre Panamá e Mercosul, com conclusão prevista para julho do próximo ano, pode ampliar o acesso de produtos brasileiros aos mercados da América Central, do Caribe e dos Estados Unidos. O setor de material de construção, que representa 6,6% do PIB brasileiro, está entre os interessados na negociação.

Embaixador do Brasil no Panamá afirma que acordo com o Mercosul, com conclusão prevista para julho do ano que vem, pode abrir mercados na América Central, no Caribe e nos EUA. Setor de material de construção, que representa 6,6% do PIB brasileiro, aparece como um dos interessados

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 15 de setembro de 2026
Panamá-Mercosul: acordo amplia mercado, diz embaixador

O embaixador do Brasil no Panamá, João Mendes Pereira, afirmou nesta terça-feira (15) que vê "grandes benefícios" para empresários brasileiros no acordo negociado entre o Panamá e o Mercosul. A declaração foi feita durante o Summit Americas e ExpoShow, evento internacional realizado pela Atlas, na Cidade do Panamá.

Segundo o diplomata, o acordo, que deve sair até julho do ano que vem, prevê a concretização dos termos de abertura de mercado, negociação de tarifas e toda a base regulamentar fechada entre as duas partes. "Trata-se de uma possibilidade que se abre para nós", disse a uma plateia de empresários do setor de material de construção.

A fala foi dirigida a um público que representa uma cadeia produtiva de peso no Brasil. A indústria de fabricação de materiais de construção movimenta R$ 318,6 bilhões em faturamento e gera mais de 767 mil empregos diretos, segundo dados da ABRAMAT/Ecconit. O setor como um todo equivale a aproximadamente 6,6% do PIB nacional. No varejo, são mais de 160 mil lojas espalhadas pelo país, com movimentação de R$ 238,9 bilhões, conforme levantamento da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

O embaixador destacou que a posição estratégica do Panamá é fundamental não só para negócios no próprio país, mas também na América Central e no Caribe. De acordo com ele, será possível aproveitar o potencial de chegada ao mercado norte-americano e à América do Sul, além de servir como ponto de passagem para a Ásia. "O Panamá percebe a necessidade de diversificar cada vez mais os seus parceiros internacionais e vê no Mercosul, e em particular no Brasil, um parceiro de alta relevância para uma projeção maior no cenário internacional", pontuou.

A infraestrutura local também entra na conta. O diplomata citou obras em andamento no Panamá, como terminais aeroviários e de metrô, além de novos desenvolvimentos do canal do Panamá, que permitirão fazer face aos desafios de mudanças climáticas e particularmente dos efeitos do El Niño sobre o fornecimento de água.

O evento, que vai até quinta-feira (17), reúne mais de 600 empresários do setor de material de construção de 28 países, entre CEOs, diretores, importadores, distribuidores, grandes varejistas e altos executivos de marcas fornecedoras. Para Márcio Atz, diretor-geral da Atlas, organizadora do encontro, o Summit Américas e a ExpoShow demonstram o potencial da América Latina diante do mercado global. A escolha da Cidade do Panamá contribui para o objetivo, já que o país é um hub internacional que favorece a presença dos 28 países convidados.

As conferências do Summit Americas contam com curadoria acadêmica do ISE Business School, associado à IESE Business School, e os painéis focam nos principais desafios transnacionais do setor.

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