Oposição articula reunião com Motta e Alcolumbre após pacto com Lula
Parlamentares de oposição e aliados de Flávio Bolsonaro buscam reunião com Motta e Alcolumbre para tentar impedir avanço de pautas de Lula no Congresso antes das eleições.
Parlamentares de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentam marcar uma reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar impedir que o Congresso avance com propostas que têm sido citadas como bandeiras eleitorais pelo petista.
Lula e Flávio são os principais candidatos à Presidência da República. O Congresso deve realizar, na semana que vem, o último período de votações antes das eleições, em outubro.
Motta e Alcolumbre se reuniram nessa quarta-feira com Lula e fecharam um acordo para avançar com diversas iniciativas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto. Depois do aceno ao petista, parlamentares bolsonaristas também querem se reunir com os chefes das duas Casas Legislativas.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse ao GLOBO que há previsão de que a reunião aconteça na próxima semana. "Vamos falar com os presidentes (da Câmara e do Senado) na semana que vem", afirmou.
Lula, Motta e Alcolumbre anunciaram depois do encontro de quarta que a Medida Provisória que acaba com a chamada "taxa das blusinhas" terá todas as votações do Congresso concluídas na semana que vem. Também foram anunciados acordos para votar no plenário do Senado o projeto de lei que regulamenta a exploração dos minerais críticos e o projeto que estabelece o Redata, o plano nacional de incentivos para o setor de data centers.
Em relação à PEC que dá fim à escala de trabalho 6x1 e à chamada PEC da Segurança, o acordo é que os relatórios sejam analisados pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, sem menção à votação no plenário. Parlamentares da oposição tentam barrar principalmente o avanço das duas PECs. É evitado um discurso contra o mérito das medidas, que possuem apelo popular, mas a avaliação é que elas são complexas e deveriam ser analisadas de forma menos célere e fora do período eleitoral.
Apesar de indicar avanço, o presidente do Senado evitou falar em concluir a tramitação na semana que vem e disse que as duas propostas "merecem, sim, o debate, o diálogo, a discussão e a deliberação". Senadores aliados de Flávio apresentaram diversas emendas aos textos para tentar modificar os escopos das propostas. Uma emenda do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) tenta replicar no texto da PEC do fim do 6x1 uma proposta alternativa de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RJ), coordenador da campanha de Flávio. Pela iniciativa, a compensação de horários e a redução da jornada poderiam variar e seguir diferentes modelos, feitos por convenção coletiva.
Na tramitação da PEC da Segurança, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) propôs uma emenda para fortalecer os estados frente à União e sugeriu descentralizar a legislação penal, com estados podendo legislar sobre direito penal e processual para enfrentar o crime organizado. O relator escolhido para a PEC do fim da 6x1 é Omar Aziz (PSD-AM) e o responsável pela PEC da Segurança é Rogério Carvalho (PT-SE). Os dois são aliados do governo e já disseram que vão manter os textos aprovados pela Câmara para evitar que as iniciativas voltem para análise dos deputados. Parlamentares bolsonaristas também apostam em mudar o texto por meio de destaques, com votação de trechos de forma separada.
Tanto a PEC do fim da 6x1 quanto a PEC da Segurança têm sido mencionadas de forma recorrente por Lula em atos de campanha. A primeira é encarada como uma proposta de apelo popular entre os trabalhadores; a segunda tem sido mencionada pelo petista como uma ação do governo para tentar mitigar a crise de segurança pública, com o avanço de facções.