Oferta de petróleo saudita atinge nível mais baixo em mais de 3 décadas
Segundo a IEA, o fornecimento de petróleo da Arábia Saudita caiu para 6 milhões de bpd em agosto, o menor nível em mais de três décadas, após ataques a instalações energéticas. A queda pressiona preços e a economia global.
O fornecimento de petróleo da Arábia Saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto, para 6 milhões de bpd, o nível mais baixo em mais de três décadas. O dado é da Agência Internacional de Energia (IEA), que atribui a queda a ataques a instalações energéticas sauditas. A pergunta que fica é quem paga a conta dessa retração.
A IEA informou que a redução ocorre após ataques de grupos ligados aos houthis do Iêmen contra navios no estreito de Bab el-Mandeb, contra a refinaria de Jazan e contra embarcações próximas a Yanbu. O relatório também cita ataques de milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, que usaram drones para atingir a unidade de processamento de petróleo de Abqaiq.
O número da IEA é inferior ao informado pela própria Arábia Saudita à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O país declarou ter fornecido 7,122 milhões de bpd em agosto, embora tenha reportado produção de 6,238 milhões de bpd, valor próximo ao da agência.
A diferença entre oferta e produção não é detalhe técnico. Oferta é a soma das exportações, incluindo carregamentos de estoques, com o uso doméstico em refinarias e usinas de energia. Ou seja, mede o que de fato chega ao mercado.
No relatório mensal, a IEA revisou para baixo a previsão de oferta de petróleo bruto saudita em 2026 em 885 mil bpd, para 7,6 milhões de bpd, citando atraso na recuperação da produção no Golfo do Oriente Médio. Os embarques sauditas, incluindo os do Mar Vermelho e os chamados trânsitos marítimos ocultos, caíram 1,1 milhão de bpd no mês, para 3,5 milhões de bpd. Os estoques recuaram 400 mil bpd.
Para o leitor, o efeito chega pela bomba de combustível e pela conta de luz. Menos petróleo saudita no mercado tende a pressionar cotações internacionais, o que encarece derivados e insumos. Quem sente primeiro é o transporte e a indústria, que repassam custos. A revisão para 2026 indica que a pressão não deve se resolver no curto prazo.