Economia

Novo CEO da Apple, John Ternus desafia a ideia de que é preciso mudar para crescer

ResumoJohn Ternus, novo CEO da Apple, assumiu o cargo em 1º de abril de 2025 após 24 anos de carreira na companhia. A trajetória de Ternus, iniciada em 2001, demonstra crescimento profissional contínuo sem troca de empregador. A nomeação desafia a premissa comum de que mobilidade entre empresas é requisito para ascensão executiva. A permanência prolongada na Apple permitiu desenvolvimento técnico e liderança interna.

John Ternus, que assume nesta terça-feira (1º) o cargo de CEO da Apple, entrou na companhia em 2001, apenas quatro anos depois de se formar. Sua trajetória desafia o conselho de que é preciso mudar de empresa para crescer.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 01 de setembro de 2026
Novo CEO da Apple, John Ternus desafia a ideia de que é preciso mudar para crescer

John Ternus, que assume nesta terça-feira (1º) o cargo de CEO da Apple, entrou na companhia em 2001, apenas quatro anos depois de se formar na Universidade da Pensilvânia. Ele integra uma geração de líderes de big tech que construíram carreira dentro da própria empresa, contrariando a ideia de que é preciso mudar de emprego para crescer profissionalmente.

Satya Nadella entrou na Microsoft em 1992, dois anos após concluir o mestrado. Andy Jassy ingressou na Amazon em 1997, 24 anos antes de assumir o comando. Três das companhias de tecnologia mais poderosas do mundo agora são lideradas por executivos que construíram suas carreiras majoritariamente dentro das próprias organizações.

Durante boa parte dos últimos 30 anos, fomos levados a acreditar que empregos de longo prazo haviam acabado. À medida que grandes empregadores deixaram de oferecer garantias de estabilidade e passaram a promover cortes frequentes nas décadas de 1980 e 1990, a ideia de lealdade profissional perdeu espaço. Desde então, boa parte dos conselhos de carreira passou a defender a chamada "livre agência": assumir o controle da própria trajetória por meio de mudanças frequentes de emprego.

Estudo o mercado de trabalho há mais de duas décadas e comecei a suspeitar que a forma como falamos sobre carreiras modernas pode estar equivocada. As pessoas não estão deixando seus empregos em ritmo maior do que há 25 anos. As taxas de demissão caíram e também não houve o crescimento do trabalho freelance que muitos esperavam.

Uma análise publicada em 2024 por Peter Cappelli e coautores sobre a trajetória dos dez principais executivos de cada empresa da Fortune 100 mostra que o executivo médio havia trabalhado para apenas três empregadores ao longo dos 28 anos necessários para chegar ao topo. Além disso, esses executivos estavam, em média, havia 13 anos na empresa atual antes de chegar à alta cúpula.

Outro estudo, realizado com trabalhadores da Finlândia, mostrou que a probabilidade de alguém avançar para um cargo mais sênior era quase seis vezes maior quando a promoção ocorria dentro da própria empresa do que quando a pessoa mudava de companhia.

As razões não são difíceis de entender. Promover alguém e permitir que essa pessoa assuma uma função maior e mais responsável envolve risco para o empregador. As empresas tendem a estar mais dispostas a assumir esse risco com alguém que conhecem bem, um candidato interno, do que com um profissional de fora sobre o qual sabem pouco.

É claro que existem muitas razões pelas quais mudar de empresa pode beneficiar uma carreira. Muitas pessoas estão em empregos de que não gostam e deveriam procurar algo melhor. Também faz sentido mudar de ambiente para conhecer melhor a si mesmo e descobrir que tipos de trabalho despertam mais interesse.

O conselho de que é preciso "sair para subir" pode estar exatamente ao contrário. Quem espera se tornar o próximo John Ternus e chegar ao comando de uma empresa trilionária deveria entender que pode sair para buscar novas oportunidades ou permanecer e subir na hierarquia, mas é difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

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