Nova tarifa dos EUA mira manufaturados e expõe São Paulo e o Sul
A nova tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros atinge 31% das exportações ao país, com foco em manufaturados de maior valor agregado. São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul lideram a exposição.
A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros atinge uma parcela limitada da pauta exportadora, mas com efeitos potencialmente relevantes para segmentos industriais específicos e para estados mais dependentes do mercado norte-americano. A avaliação é da Integra Associados, que analisou documentos oficiais do governo dos EUA e dados do ComexStat (MDIC).
O que muda com a nova tarifa dos EUA sobre manufaturados?
Cerca de 31% das exportações brasileiras destinadas aos EUA - aproximadamente US$ 11,7 bilhões, de um total de US$ 37,7 bilhões exportados em 2025 - estarão efetivamente sujeitas à nova tributação. A cobertura é menor porque aproximadamente 1.700 produtos foram incluídos na lista de exceções e porque diversos setores já estavam submetidos a outras medidas tarifárias, como as tarifas da Seção 232, que abrangem aço, alumínio, cobre, automóveis e autopeças.
Impacto concentrado na indústria de transformação
O estudo aponta que o impacto deve se concentrar na indústria de transformação, responsável por 94,1% do valor exportado que ficará sujeito à tarifa adicional. Entre os segmentos mais expostos aparecem máquinas e equipamentos - o maior volume financeiro potencialmente afetado -, além de produtos manufaturados de madeira, armamentos, motores e itens químicos.
Foco em produtos de maior valor agregado
Diferentemente da rodada tarifária de 2025, quando medidas mais amplas atingiram sobretudo bens agropecuários e matérias-primas, a nova tarifa tem foco em produtos manufaturados de maior valor agregado e intensidade tecnológica: 54% dos itens afetados estão nos segmentos de média-alta e alta tecnologia.
Efeitos macroeconômicos limitados, mas setoriais relevantes
Do ponto de vista macroeconômico, a Integra avalia que os efeitos agregados tendem a ser limitados. Em 2025, os EUA responderam por 10,8% das exportações brasileiras, e a economia nacional mantém grau relativamente baixo de abertura comercial. A corrente de comércio equivale a cerca de 27% do PIB. Ainda assim, o relatório alerta para impactos potencialmente significativos sobre empresas e cadeias produtivas com alta dependência do mercado norte-americano, já que a tarifa tende a elevar o preço final dos produtos brasileiros nos EUA, reduzindo competitividade e pressionando receitas, margens e fluxo de caixa.
Estados mais expostos: São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
A distribuição regional dos efeitos também deve ser desigual. Em termos absolutos, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram o maior volume de exportações potencialmente afetadas. São Paulo lidera a exposição, com estimativa de US$ 5,28 bilhões sujeitos à nova alíquota, o equivalente a 39,8% das exportações do estado para os EUA, com destaque para máquinas e equipamentos, pneus, motores - especialmente elétricos - e produtos químicos.
Em Santa Catarina, o impacto recai principalmente sobre manufaturas de madeira e motores; no Rio Grande do Sul, sobre armamentos, produtos de madeira e calçados.
Quando a análise considera a dependência relativa - a participação das exportações tarifadas no total exportado por cada estado, Santa Catarina, Paraíba, Alagoas e São Paulo aparecem como as unidades mais vulneráveis.
Setores isentos e efeitos indiretos
Apesar do alcance da medida, a Integra destaca que importantes setores exportadores ficaram fora da nova rodada, permanecendo isentos itens como petróleo, café, carne bovina, celulose e suco de laranja. O relatório ressalta, por fim, que os efeitos indiretos podem se espalhar por atividades conectadas às cadeias exportadoras, como logística, transporte e operações portuárias, caso haja redução do volume embarcado para o mercado norte-americano.
Perguntas Frequentes
Quais estados brasileiros são mais afetados pela nova tarifa dos EUA?
São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul lideram em volume absoluto de exportações potencialmente afetadas. Em dependência relativa, Santa Catarina, Paraíba, Alagoas e São Paulo são os mais vulneráveis.
Qual o valor total das exportações brasileiras sujeitas à nova tarifa?
Cerca de US$ 11,7 bilhões, o equivalente a 31% das exportações brasileiras aos EUA em 2025.
Quais setores ficaram isentos da nova tarifa?
Petróleo, café, carne bovina, celulose e suco de laranja estão entre os itens isentos.
A nova tarifa é diferente da rodada de 2025?
Sim. Enquanto a rodada de 2025 atingiu sobretudo bens agropecuários e matérias-primas, a nova tarifa tem foco em manufaturados de maior valor agregado e intensidade tecnológica.