Morre Ratko Mladic, o "Açougueiro da Bósnia", condenado por genocídio
Ratko Mladic, o "Açougueiro da Bósnia", morreu. Condenado por genocídio pelo massacre de Srebrenica, que matou ao menos 8.000 muçulmanos, o ex-general era o símbolo dos crimes de guerra na ex-Iugoslávia.
O ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, condenado por genocídio por orquestrar o massacre de 1995 de pelo menos 8.000 muçulmanos em Srebrenica, morreu, informou uma autoridade da ONU nesta quinta-feira. A matança, ocorrida em uma "zona de segurança" da ONU, foi a pior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mladic, apelidado de "Açougueiro da Bósnia" por seus opositores, cumpria prisão perpétua no centro de detenção da ONU desde sua prisão, em 2011.
O massacre de Srebrenica foi o desfecho de uma guerra que durou mais de três anos, durante a qual o general bombardeava diariamente a capital sitiada, Sarajevo, com artilharia, tanques, morteiros e metralhadoras pesadas de seu Exército nacionalista sérvio, matando 10.000 pessoas. Os corpos das vítimas foram empurrados por tratores para valas comuns ao longo de quatro dias em julho de 1995; alguns foram posteriormente desenterrados e transferidos para áreas montanhosas remotas para ocultar as evidências.
O Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TPII) da ONU determinou que o objetivo era a "limpeza étnica", a expulsão forçada de muçulmanos bósnios, croatas e outros não sérvios para liberar terras para uma "Grande Sérvia". O tribunal concluiu que Mladic, juntamente com o falecido presidente sérvio Slobodan Milosevic e o líder político sérvio-bósnio Radovan Karadzic, integravam uma conspiração criminosa para executar esse plano.
"Não reconheço este tribunal", declarou Mladic durante uma audiência do TPII em 2014. Ao ser condenado à prisão perpétua em 2017, ele gritou: "Tudo isso é mentira, vocês são todos mentirosos!". Segundo seu filho, os documentos indicavam 12 de março de 1942 como data de nascimento, mas ele nasceu, na verdade, em 8 de março de 1943. O ex-general octogenário vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos anos e foi hospitalizado repetidamente.
"Para mim, Mladic é o símbolo de todos os crimes horríveis ocorridos durante a guerra: nossas meninas foram estupradas e nossos meninos, mortos, apenas por serem muçulmanos", disse Munira Subasic, cujo filho e marido foram assassinados pelas forças sérvias da Bósnia após a tomada de Srebrenica. "Os alemães tiveram Hitler; os sérvios têm Mladic. Não há diferença entre os dois."
Mladic era oficial do antigo Exército Popular Iugoslavo (JNA) quando a desintegração da Iugoslávia começou, em 1991. Quando os sérvios da Bósnia se rebelaram, em 1992, foi escolhido para comandar o novo Exército sérvio-bósnio, que rapidamente tomou 70% do território daquele país. Dezenas de cidades foram sitiadas com armamento pesado que antes pertencia ao JNA, enquanto 22 mil soldados da Força de Proteção da ONU observavam praticamente de mãos atadas. Uma combinação de pressão ocidental e o fornecimento secreto de armas e treinamento dos EUA para croatas e muçulmanos foi, aos poucos, virando o jogo contra o Exército de Mladic. Ataques decisivos da Otan fizeram o restante.