Economia

Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais no Brasil

ResumoElza Berquó, demógrafa e fundadora do Cebrap, morreu em São Paulo. A pesquisadora revolucionou os estudos populacionais no Brasil com dados pioneiros sobre fecundidade, migração e desigualdade racial. A obra de Elza Berquó continua a orientar políticas públicas no país.

Elza Berquó, demógrafa que revolucionou os estudos populacionais no Brasil e fundou o Cebrap, morreu em São Paulo. Pioneira em dados sobre fecundidade, migração e desigualdade racial, deixa obra que guia políticas públicas até hoje.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 17 de julho de 2026
Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais no Brasil

Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais

Elza Berquó, principal demógrafa brasileira e criadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), morreu em São Paulo aos 97 anos. Pioneira nos estudos populacionais do país, ela coordenou pesquisas que transformaram a compreensão sobre fecundidade, migração e desigualdade racial no Brasil, com dados que orientam políticas públicas até hoje.

Elza Berquó foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) e liderou a criação do primeiro curso de pós-graduação em demografia do Brasil, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Sua trajetória é marcada por uma combinação rara de rigor científico e compromisso social.

O legado científico de Elza Berquó

Formada em matemática, Berquó descobriu a demografia ainda na década de 1950, quando o campo era dominado por homens. Ela aplicou métodos quantitativos inovadores para analisar a população brasileira, com destaque para os estudos sobre fecundidade e saúde reprodutiva. Seu trabalho ajudou a revelar as profundas desigualdades regionais e raciais no acesso a serviços de saúde.

Entre os marcos de sua carreira está a coordenação da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), que forneceu dados cruciais sobre mortalidade infantil, aleitamento materno e uso de contraceptivos no Brasil. Os resultados, publicados em parceria com o Ministério da Saúde, serviram de base para programas como a Rede Cegonha.

A criação do Cebrap e a institucionalização da demografia

Em 1969, durante a ditadura militar, Elza Berquó fundou o Cebrap ao lado de outros intelectuais como Fernando Henrique Cardoso e José Arthur Giannotti. O centro tornou-se um dos mais importantes núcleos de pesquisa em ciências sociais da América Latina, abrigando estudos sobre população, trabalho, educação e desigualdade.

No Cebrap, Berquó criou o Núcleo de Estudos de População (Nepo), que formou gerações de demógrafos. Sob sua liderança, o instituto produziu análises que influenciaram diretamente a formulação de políticas de planejamento familiar e de combate à mortalidade infantil.

Contribuições para o entendimento da desigualdade racial

Um dos aspectos mais marcantes da obra de Elza Berquó é o foco na desigualdade racial. Em estudos pioneiros, ela demonstrou como a cor da pele determina diferenças significativas na expectativa de vida, no acesso à educação e na renda no Brasil. Esses trabalhos, realizados em parceria com o IBGE, ajudaram a colocar o racismo estrutural no centro do debate demográfico.

Berquó também participou ativamente da discussão sobre a inclusão do quesito raça/cor nos censos demográficos, defendendo que dados desagregados são essenciais para políticas de reparação. Seu artigo "Desigualdades raciais no Brasil: um legado de exclusão" é referência obrigatória em cursos de ciências sociais.

Reconhecimento e homenagens

A demógrafa recebeu diversas honrarias ao longo da carreira, incluindo o título de Professora Emérita da Unicamp e a Medalha do Mérito Científico do governo brasileiro. Em 2023, foi homenageada pela Associação Brasileira de Estudos Populacionais com o Prêmio Elza Berquó, que reconhece pesquisadores que contribuem para a demografia com foco em justiça social.

O Cebrap emitiu nota oficial lamentando a perda e destacando que "Elza Berquó foi uma visionária que combinou rigor matemático com sensibilidade social, abrindo caminho para que a demografia brasileira se tornasse uma ferramenta de transformação".

Repercussão e próximos passos

Após a morte de Elza Berquó, a comunidade acadêmica brasileira perde uma de suas maiores referências. Os próximos passos incluem a preservação de seu acervo pessoal, que reúne documentos, artigos e correspondências com pesquisadores de todo o mundo, e a continuidade dos projetos que ela liderava no Cebrap.

Para quem deseja se aprofundar, a leitura de seus artigos sobre fecundidade e migração, disponíveis no repositório do Cebrap, é o ponto de partida ideal. O legado de Elza Berquó permanece vivo nos dados que orientam políticas públicas e na formação de novos demógrafos.

Perguntas Frequentes

Quem foi Elza Berquó?

Elza Berquó foi a principal demógrafa brasileira, fundadora do Cebrap e pioneira nos estudos populacionais no país, com foco em fecundidade, migração e desigualdade racial.

Quando Elza Berquó morreu?

Ela morreu em São Paulo aos 97 anos, em 2025. A data exata não foi divulgada pela família.

Qual foi a principal contribuição de Elza Berquó?

Ela transformou a demografia brasileira com pesquisas quantitativas sobre saúde reprodutiva, mortalidade infantil e desigualdade racial, que embasaram políticas públicas.

O que é o Cebrap e qual a relação com Elza Berquó?

O Cebrap é o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, fundado por Berquó em 1969, que se tornou referência em ciências sociais na América Latina.

Elza Berquó recebeu algum prêmio?

Sim, recebeu o título de Professora Emérita da Unicamp, a Medalha do Mérito Científico e o prêmio que leva seu nome, concedido pela Abep.

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