# Milhares vão a funeral de ex-general condenado por genocídio

> Ratko Mladic, ex-general sérvio-bósnio condenado por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, recebeu homenagem de milhares de pessoas em frente a uma igreja em Belgrado. Mladic morreu enquanto cumpria prisão perpétua. O funeral reuniu apoiadores que o consideravam herói, apesar das condenações internacionais por atrocidades cometidas durante a guerra da Bósnia.

*Global Forum · Economia · 07 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

Milhares de pessoas se reuniram em frente a uma igreja em Belgrado para homenagear o ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, morto enquanto cumpria prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Milhares de pessoas se reuniram em frente a uma igreja em Belgrado para prestar homenagem ao ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, que faleceu na semana passada enquanto cumpria pena de prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A cerimônia, realizada nesta segunda-feira, atraiu sérvios da Sérvia e da República Sérvia autônoma da Bósnia, onde Mladic ainda é reverenciado apesar das condenações relacionadas ao massacre de Srebrenica, em 1995, e ao cerco de Sarajevo.

Pessoas carregando bandeiras sérvias e fotos de Mladic usando um boné militar tradicional sérvio chegaram à igreja para acender velas horas antes do enterro. Foram oferecidos serviços gratuitos de ônibus a partir da Bósnia e da maioria das cidades da Sérvia para quem quisesse prestar suas homenagens. O caixão ficou exposto dentro da igreja, guardado por seis homens, principalmente veteranos de guerra da Sérvia e da Bósnia, enquanto a esposa, o filho e os netos de Mladic recebiam condolências no interior.

A morte de Mladic reacendeu fortes emoções ligadas à dissolução da Iugoslávia e aos conflitos étnicos nos Balcãs. Ele foi considerado culpado pelo Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas para a ex-Iugoslávia por genocídio, devido ao seu papel no massacre de Srebrenica, em 1995, no qual cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos bósnios foram mortos após a invasão de forças sérvias da Bósnia ao enclave designado pela ONU. Também foi condenado pelo cerco de 43 meses a Sarajevo, que matou cerca de 10.000 pessoas.

"O tempo dirá; o tempo é o melhor juiz, que mostrará que tipo de pessoa é quem e para quem", disse Jovan Vincic, morador de Belgrado, presente à igreja. Em Sarajevo, porém, o funeral reabriu feridas. Zdravka Gvozdjar, farmacêutica aposentada cujo filho de 9 anos foi morto durante o cerco por uma granada lançada pelas forças lideradas por Mladic, uma entre mais de 1.000 crianças mortas na cidade, afirmou: "É realmente horrível que isso esteja acontecendo lá, porque sei que há pessoas normais que são contra isso". Para ela, Mladic "só merecia ser apagado da memória para sempre, não ser promovido como herói", devendo ser lembrado "apenas como um carniceiro".

Na semana passada, a comissária de Ampliação da UE, Marta Kos, adiou sua visita à Sérvia devido ao que chamou de "glorificação" de Mladic após sua morte, incluindo o uso de um avião do governo para trazê-lo de volta ao país. O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, rejeitou as declarações, mas não confirmou presença no funeral. A cerimônia foi conduzida pelo Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia ao meio-dia, e Mladic foi enterrado em um cemitério próximo, ao lado de sua filha, falecida em 1994.

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